Diretas Já 30 anos

por Memória Sindical. 03 out 2014 . 12:13

Da Emenda Constitucional Dante de Oliveira à posse de José Sarney

diretas-1As eleições gerais para governadores, senadores e deputados estaduais e  federais, de 15 de novembro de 1982, foram um grande teste para a ditadura militar. Apesar de ter garantido a maioria dos governos estaduais e das cadeiras no senado, o PDS (Partido Democrático Social, antiga Arena) perdeu a maioria na Câmara dos Deputados.

Um dos deputados federais eleitos pelo PMDB, empossado em 1º de fevereiro de 1983, foi o engenheiro Dante de Oliveira. Ele se tornou um dos maiores nomes do processo de redemocratização do País ao empenhar-se em coletar assinaturas para o projeto de emenda constitucional que estabelecia eleições diretas para a Presidência da República.

O projeto foi apresentado em março de 1983, e o sonho de eleições diretas para a Presidência da República no Brasil ganhou corpo por meio da  expectativa sobre a votação da Proposta de Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso no ano seguinte.

Em 1984 a possibilidade de eleições diretas levou multidões às ruas em todo o Brasil , em um movimento chamado Diretas Já!. Na figura do general Figueiredo, o regime tentou reagir reforçando a censura sobre a imprensa e a violência policial na repressão aos protestos. Mas nada pôde conter a massa que saía às ruas.

O maior de todos os comícios, não apenas deste movimento, mas da história de nosso país, ocorreu no dia 16 de abril de 1984, no centro da cidade de São Paulo, levando 1.500.000 a pedirem, em uma só voz, as eleições diretas para a Presidência da República.

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O ato foi liderado por Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Leonel Brizola, João Amazonas, Dante de Oliveira, Miguel Arraes, Orestes Quércia, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Luiz Inácio Lula da Silva, Joaquim dos Santos Andrade e Pedro Simon, além de artistas e intelectuais engajados na causa, como Sócrates (futebolista), Christiane Torloni, Mário Lago, Gianfrancesco Guarnieri, Fafá de Belém, Chico Buarque, Martinho da Vila, Osmar Santos e Juca Kfouri, entre outros.
Mas, apesar da intensa mobilização popular pela volta da democracia, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira não passou de um sonho.

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O movimento pelas “Diretas Já!” teve grande influência nas transformações vividas pelo País naquele momento, mas o principal objetivo, as eleições diretas, não foi conquistado, e o povo só iria às urnas para eleger um novo presidente dali a cinco anos. Isto porque a mudança deveria passar pelo Congresso Nacional, que, por meio de manobras dos militares, derrubou a emenda na noite de 25 de abril de 1984. Desta forma, em 1985, ainda que nenhum militar estivesse na disputa, ocorreram eleições indiretas para a Presidência.

Nas eleições de 1985 o partido da situação, que desde o fim do bipartidarismo, em 1979, zelava pela unidade da antiga Arena através do PDS, enquanto a oposição se fragmentava em diversas siglas (PMDB, PP, PTB, PCB, PCdoB, PDT e PT), ficou dividido entre três candidatos: Aureliano Chaves, Mário Andreazza e Paulo Maluf. Por caminhos escusos, Maluf venceu com facilidade a convenção que o tornaria o candidato à sucessão. Esta situação provocou, pela primeira vez, um racha naquele grupo. As tendências derrotadas romperam com o PDS e fundaram o Partido da Frente Liberal, PFL que, ironicamente, aproximou-se do PMDB naquela eleição.  Através de um “acordão”, que facilitaria a vitória de Tancredo Neves, o PMDB formou a chapa PMDB/PFL com políticos dissidentes da antiga Arena. O vice de Tancredo, desta forma, foi o maranhense José Sarney.

No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral reuniu-se e Tancredo Neves foi eleito presidente para um mandato de 6 anos com 480 votos (72,4%) contra 180 dados a Maluf (27,3%). Houve 26 abstenções, principalmente de parlamentares do PT, que foram orientados a votar nulo pelo diretório nacional partido.

Tancredo faleceu antes de tomar posse, no dia 21 de abril de 1985. Seu vice já havia assumido o mandato, em 15 de março, iniciando um período de tentativas de implantação de planos que visavam contornar a alta inflação e a crise econômica.

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Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do Centro de Cultura e Memória Sindical

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