A histórica luta das mulheres; 100 anos da greve das tecelãs russas; 40 anos do reconhecimento do Dia da Mulher pela ONU

por Memória Sindical. 08 mar 2017 . 10:41

Por Carolina Maria Ruy

O Dia Internacional da Mulher remonta ao século XIX, em um período de grandes transformações no processo produtivo que culminaram na Revolução Industrial. A Revolução Industrial promoveu mudanças radicais nas relações de trabalho e, desta forma, levou à intensificação da luta dos trabalhadores por seus direitos.

Naquela época as operárias exerciam jornadas de trabalho tão longas que chegavam a 17 horas diárias. E as condições eram de insalubridade, ameaças sexuais e de espancamentos.

O descontentamento das trabalhadoras era grande e fazia pipocar manifestações. Em uma destas manifestações, ocorrida no dia oito de março de 1857, cento e vinte e nove operárias da fábrica de tecidos Cotton, em Nova Iorque, paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada de 10 horas.

A violência com a qual elas foram reprimidas foi tão grande que ficou marcada em nossa história. Acuadas pela polícia, as operárias se refugiaram nas dependências da fábrica, e foram trancadas pelos patrões e pela polícia que, depois de trancar atearam fogo à fábrica, matando carbonizadas todas as tecelãs.

Sessenta anos depois, em março de 1917, tecelãs russas, utilizando o simbolismo da data, entraram em greve contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial. A força daquelas mulheres precipitou movimentos que marcaram o início da Revolução Socialista na Rússia, há cem anos.

O 8 de março passou a ser celebrado como o Dia da Mulher até a década de 1920. Depois a data caiu em esquecimento. Na década de 1960 o movimento feminista recuperou este dia como o Dia Internacional da Mulher, e em dezembro de 1977 a Organização Nações Unidas reconheceu oficialmente a data.

A evolução da luta das mulheres

Dois anos antes do reconhecimento pela ONU do Dia Internacional da Mulher, uma Conferência Mundial na Cidade do México, patrocinada pela ONU e assistida por oito mil mulheres representantes de 113 países, definiu o ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher.

Este grande acontecimento na luta pelos direitos da mulher fomentou o surgimento de novas organizações e instituições voltadas à igualdade de gênero.

No Brasil, em 1979 ocorreu o Primeiro Congresso da Mulher Metalúrgica de São Paulo. Em 1985 muitas mulheres participaram da campanha pela redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. No ano seguinte aconteceu o Primeiro Congresso da Mulher Trabalhadora, como desdobramento da Primeira Conclat, de 1981.

Desde então a luta só cresceu.

A campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, por exemplo, iniciada em 25 de novembro de 1991, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, mobiliza anualmente diversos atores da sociedade civil e poder público a fim de alertar a sociedade sobre diversas formas de violência contra mulheres. No Brasil a campanha acontece desde 2003, com a participação de diversas entidades do movimento social e do movimento sindical. A Secretaria da Mulher da Força Sindical abraça esta campanha.

Outra iniciativa que se soma a esta luta foi a criação Comissão de Mulheres da Coordenadoria das Centrais Sindicais do Cone Sul, em 1997, com o objetivo de analisar os impactos das mudanças econômicas, políticas e sociais sobre o trabalho das mulheres.
Em 2000 foi iniciada a primeira Marcha Mundial das Mulheres (MMM). Sob o lema “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista” o movimento se iniciou no Dia Internacional da Mulher, oito de março e terminou em 17 de outubro, com a adesão de seis mil grupos de 159 países e territórios.

No Brasil

O Brasil sempre esteve presente nestas manifestações internacionais e as mulheres trabalhadoras da Força Sindical, através de sua Secretaria, se somam a estas lutas. No Março Mulher de 2012, por exemplo, as manifestações começaram com uma grande passeata pelas ruas da região central da cidade de São Paulo, com as centrais sindicais – Força Sindical, CTB, CGTB, CUT, NCST e UGT – diversas entidades de movimentos sociais, movimentos estudantis, movimentos feministas e de moradia. Naquela manifestação as mulheres, gritaram palavras de ordem como: “Mulheres na luta contra a opressão. Abaixo o machismo e a exploração” e “Eu não sou miss, nem avião, minha beleza não tem padrão”, reivindicaram a obrigatoriedade da licença-maternidade de 180 dias, a aprovação do PL da Igualdade – Projeto de Lei que prevê a igualdade no mundo do trabalho, a ratificação da convenção 189 da OIT que trata dos direitos das trabalhadoras domésticas, o fim da violência contra a mulher com a implementação da Lei Maria da Penha e o fim do tráfico de pessoas.

Em 2014 outra ação muito importante marcou a luta das mulheres. Como parte de ações mundiais no combate ao câncer de mama o Sindicato da Saúde promoveu a 1ª Caminhada Outubro Rosa. Claro que a Secretaria da Mulher se fez presente. O movimento Outubro Rosa, que começou em 1997 nos Estados Unidos, é uma campanha global de conscientização para alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, o mais comum entre as mulheres em todo o mundo.

Em 2016 o fechamento do Março Mulher foi marcado pela caminhada contra a reforma da previdência e a favor da igualdade de oportunidades. A secretária nacional de políticas para mulheres da Força Sindical, Maria Auxiliadora, junto com representantes do Sindicato Nacional dos Aposentados entregou, no INSS em São Paulo, um documento endereçado ao então ministro do Trabalho e da Previdência Social, contra a reforma da Previdência. No documento, a Central se posicionou sobre os sete pontos indicados pelo governo para a reforma da Previdência: Demografia e idade média das aposentadorias; Financiamento da Previdência Social: receitas, renúncia e recuperação; Diferença de regras entre homens e mulheres; Pensões por morte; Previdência Rural; Financiamento e regras de acesso; Regimes próprios de Previdência e, Convergência dos sistemas previdenciários.

O foco da luta neste momento é aumentar a participação das mulheres em suas entidades. Fortalecer as discussões sobre temas que também são de interesse das mulheres, como “Violência Contra a Mulher”, “Reforma da Previdência”, “Empoderamento das Mulheres”, “Mulher e o mercado de Trabalho” e “Ratificação da Convenção 156 da OIT”.

Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical

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