Secos e Molhados canta “A Rosa de Hiroshima”; clip

por Memória Sindical. 06 ago 2015 . 10:19

O poema desconstrói a beleza da rosa identificando-a com a imagem emblemática da explosão atômica, daí a antirrosa atômica. Ele prefere não usar a palavra bomba, criando referências que remetem aos seus efeitos. A bomba atômica é o termo chave dos acontecimentos.


Rosa de Hiroshima, de Vinícius de Moraes, musicado por Gerson Conrad, alude aos bombardeamentos de Hiroshima e, três dias depois, de Nagasaki. 

Em uma segunda-feira, 6 de agosto de 1945, às 8 horas e 15 minutos da manhã, a um mês do término oficial da 2ª Guerra Mundial, Hiroshima foi alvo da bomba atômica “Little Boy”, lançada pelo bombardeiro do exército estadunidense, o Enola Gay.

A bomba matou imediatamente cerca de 80 mil pessoas, destruindo toda vida ao redor e irradiando seus efeitos devastadores por décadas à fio. Estima-se que ao final daquele ano 140 mil pessoas foram vitimadas em decorrência da bomba. O meio ambiente no local também foi gravemente contaminado pela radiação.

O poema desconstrói a beleza da rosa identificando-a com a imagem emblemática da explosão atômica, daí a antirrosa atômica. Ele prefere não usar a palavra bomba, criando referências que remetem aos seus efeitos. A bomba atômica é o termo chave dos acontecimentos. Ao não se referir diretamente a ele, a poesia nos convida a pensar em seus desdobramentos.

Delicada como uma cantiga de ninar e, ao mesmo tempo, austera como um protesto. A Rosa de Hiroshima convida o ouvinte a refletir sobre como o horror da guerra se aplica na realidade. 

 

A Rosa de Hiroshima

(Vinicius de Moraes/Gerson Conrad/1973)

Intérprete: Secos e Molhados

Pensem nas crianças Mudas telepáticas

Pensem nas meninas Cegas inexatas

Pensem nas mulheres Rotas alteradas

Pensem nas feridas Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária

A rosa radioativa Estúpida e inválida

A rosa com cirrose A antirrosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada.

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