Entrevista com Cláudio Magrão de Camargo Crê

por Memória Sindical. 16 mar 2016 . 12:42

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Cláudio Magrão de Camargo Crê

Metalúrgico, presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. Participou da fundação da Força Sindical, sendo seu primeiro secretário de Formação Sindical.

Leia aqui a entrevista em inglês

Entrevista realizada em 21 de junho de 2011

Política de formação de dirigentes nos 20 anos da Força Sindical

Entre 1992 e 2000, conseguimos elaborar, na Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Estado de São Paulo, importantes programas de formação e qualificação profissional de dirigentes sindicais e de trabalhadores empregados e desempregados. Milhares de pessoas passaram pelos bancos escolares da Federação e dos 54 sindicatos de metalúrgicos filiados a nossa entidade.
Isto é muito importante, uma vez que quanto maior o nível de conhecimento do dirigente, melhor a sua atuação em defesa dos direitos e anseios dos trabalhadores.
Além disso, das obrigações nas entidades sindicais, hoje em dia a sociedade exige a participação dos trabalhadores na administração direta e indireta do Estado. Para participar dos Conselhos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, da Previdência e do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o dirigente precisa ter formação específica e um bom nível de conhecimento político, econômico e social. E não apenas os trabalhadores têm a ganhar: toda a sociedade ganha com a qualificação dos dirigentes sindicais.

Desafios na qualificação de dirigentes sindicais

Embora, nestes 20 anos, tenhamos conseguido alguns avanços nesta área, a ação dos sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais ainda deixa a desejar. De um modo geral, os recursos financeiros dessas entidades são direcionados a outras atividades que não a qualificação. Acredito que há um certo receio de muitos dos atuais sindicalistas em serem superados pelos novos companheiros, e por isto não investem na formação na base.

Trabalhadores sem formação sindical se destacaram em 1978

Os dirigentes que surgiram naquela época refletiam os contextos objetivo e subjetivo em que viviam. São companheiros e companheiras que se formaram no calor da luta pela reposição da inflação e pela recuperação e valorização salarial, e que acabaram ganhando o respeito dos trabalhadores. Reivindicávamos, na época, cerca de 100%, 200% de aumento. A estabilização econômica e a globalização da economia passaram a exigir outro tipo de dirigente. Passaram a exigir dirigentes capazes de arrancar dos patrões, além do ganho salarial, reivindicações sociais, como melhores condições de trabalho, ajuda alimentação, qualificação e requalificação profissional. A situação atual é diferente. Não é tão acirrada, mas o sindicalista precisa estar atualizado com as exigências do mundo que o rodeia.

Capacitação de Dirigentes Sindicais de Base

Estamos ministrando o curso de Capacitação de Dirigentes Sindicais de Base – nos sindicatos de Araras, Ourinhos, Franca, Cruzeiro, Espírito Santo do Pinhal, Fernandópolis, Piracicaba, Tatuí, Embu-Guaçu, Artur Nogueira, Cerquilho, Marília, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Mogi-Guaçu – na sede da entidade, na Capital de São Paulo. Os debates giram em torno de temas essenciais à luta trabalhista. Entre outros temas, os sindicalistas discutem a história do movimento sindical, estrutura sindical e noções básicas de economia. Temos uma política de formação permanente dos dirigentes, para ampliar nossa atuação na base e fortalecer, assim, as nossas lutas sindicais. Pela nossa previsão, até o final de 2011 cerca de trezentos sindicalistas terão passado pelos bancos da nossa Federação.

Federação conectada ao mundo virtual

A Federação está conectada – e busca sempre se atualizar – no mundo virtual e nas atuais redes sociais. Este é um braço que pode ajudar muito na qualificação e na formação dos dirigentes sindicais. E as entidades sindicais têm sabido aproveitar bem as ferramentas digitais para ampliar e divulgar suas ações, bem como para fomentar diálogos e debates. A Internet é um poderoso instrumento de mobilização, e representa uma forma a mais de levar informação e promover o intercâmbio entre o movimento sindical e demais setores da sociedade.

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