V Congresso Nacional dos Trabalhadores da Indústria – julho de 1978

por Memória Sindical. 13 set 2017 . 15:49

Transcrição V Congresso Nacional dos Trabalhadores da Indústria

Participantes:

(E) Entrevistador Carlos Alberto Alves, José Morais de Araújo

(E 1) Entrevistador n. 1

(H) Homem n. 1

(H 2) Homem n. 2

Ari Campista

(H 3) Homem n. 3

Mário Rider

(M) Mulher

Severino V. de Carvalho

Vander T. F. Reis

Data entrevista – 1978

Denúncia sobre os acontecimentos no V Congresso da CNTI

– Denunciamos a toda Nação brasileira os lamentáveis acontecimentos presenciados por todos nós na sua abertura pelo presidente. Nesta oportunidade defendemos a participação democrática, o pluralismo de ideias, a liberdade e autonomia sindical. Dessa forma não podemos nos calar, deixando levar ao conhecimento da Nação os graves acontecimentos relacionados a seguir:

1º – Tentou-se antecipadamente como era do desejo e interesse de todos uma posição conciliatória para a realização de um congresso aberto, democrático, com a plena e efetiva participação de todos os trabalhadores presentes, a livre discussão em plenário e nas comissões dos grandes problemas nacionais, não inseridos no regimento imposto discricionariamente pela CNTI. Essa possibilidade foi afastada pelo ministro Ari Campista, não admitindo o respeito ao sistema de norma de moral e ética do mundo livre, constante na carta das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário. Os trabalhadores presentes pediam muito pouco: a participação de todos, a utilização do sufrágio universal direto e secreto, única forma legítima e democrática de colher as decisões em plenário. Pedia-se à diretoria da CNTI um mínimo de decência e respeito aos trabalhadores presentes no V Congresso Nacional dos Trabalhadores na Indústria, o que infelizmente não se conseguiu.

2º – O serviço de segurança postado nas imediações do pavilhão São Cristóvão prendeu por alguns momentos vários dirigentes sindicais, ameaçando-os de retirá-los violentamente daquele local, se persistissem no seu intento de distribuir o regimento substitutivo. Distribuição feita com o objetivo de submete-lo à apreciação do plenário, após a instalação do Congresso. Os agentes de segurança chegaram a prender parte do referido material.

3º – No interior do pavilhão de São Cristóvão a fiscalização policial da CNTI cerceou ostensivamente a liberdade acesso e manifestação dos trabalhadores, de todas as formas possíveis, tentando intimidar os que publicamente colocaram o seu ponto de vista em plenário. Os diretores da CNTI desavergonhadamente faziam-se acompanhar de guarda-costas, o que evidencia o profundo temor e ainda maior sentimento de culpa, fruto de suas omissões e desserviços. O trabalhador brasileiro é ordeiro, responsável, respeitoso, consciente de suas obrigações e deveres para consigo mesmo e para com seus semelhantes. Para nós, operários do Movimento Sindical Democrático, a intenção dos diretores do V Congresso Nacional dos Trabalhadores na Indústria é ocultar a verdade, como vem fazendo cotidianamente através da sua notória ligação ao sistema vigente.

4º – Num gesto de extremo totalitarismo, muito frequente na atualidade brasileira, a direção da CNTI, no dia 24 de julho de 1978, impediu a maioria presente, logo após a saída das autoridades, a livre discussão dos dois regimentos – o da CNTI e o substitutivo democrático, praticando a censura técnica, desligando os microfones e ao mesmo tempo ligando a todo volume o som musical de seus autofalantes, numa demonstração inequívoca de indignidade. Além disso, acovardaram-se e não se apresentaram para expor de viva voz as razões de tamanha violência.

5º – Foi armada mais uma farsa contra a classe industriaria no V Congresso Nacional dos Trabalhadores na Indústria, preparada com bastante antecipação sintomaticamente em período de campanha político-partidária. Mais uma vez demonstra a CNTI a sua persistência no velho costume de elogiar o governo do momento, desmanchando-se em exaltações descabidas. Hoje, como antes, exibem a sua disposição de proferir o palavrório do aulicismo e adesismo. A história há de fazer justiça a esses falsos representantes e algozes da classe operária. Enquanto se luta pela união de esforços em torno das principais franquias democráticas, não se pode deixar de fazer o registro que o sectarismo pregado pela diretoria da CNTI, sindicatos fracos e fortes relega a plano inferior interesses de toda categoria industriaria. Na sequência da farsa urdida contra os interesses dos trabalhadores, encenaram (o diretor da CNTI), diálogos, entendimentos e possível conciliação com o intuito de ganhar tempo. Essas medidas protelatórias, possibilidade para os seus asseclas de iniciarem arregimentação de pessoas estranhas no interior. Um grande número foi introduzido no pavilhão de São Cristóvão para se juntarem ao seu grupo. Os crachás de identificação foram confeccionados nas caladas da noite e distribuídos na manhã do dia 25 de julho de 1978, credenciando ilegalmente falsos trabalhadores. Até crianças e motoristas de ônibus, como denunciado fartamente pela imprensa. Desde o início, quando os congressistas buscaram seus lugares no interior do pavilhão, os diretores da CNTI, e o senhor Oligo Frigeri, juiz do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico do Rio Grande do Sul, separaram os companheiros do Norte e Nordeste, dos demais, antes mesmo de se tomar conhecimento do assunto a ser tratado. Percebeu-se imediatamente as intenções malévolas, execráveis, espúrias identificadoras do caráter deformado desses dirigentes sindicais, inimigos exacerbados dos trabalhadores e submissos aos mais excrementosos interesses pessoais, notórios beneficiários da corrupção fiscal. Intentaram eles preparar ambiente para lançar os trabalhadores contra trabalhadores, pregando sub-repticiamente entre nossos companheiros do Norte e Nordeste a insuflação, a agressão física e o desrespeito aos demais participantes do congresso, o que, para o bem de todos, não conseguiram. O ministro Ari Campista assumiu compromisso de diversos dirigentes sindicais no dia 24 de julho de 1978, de submeter à apreciação e debate os dois regimentos em plenário. No entanto, como é muito próprio dos oportunistas e dos farsantes, descumpriu os entendimentos mantidos, submeteu ao vexame pessoas ilustres utilizando-as com o fito de ganhar tempo enquanto concluía a sua arregimentação de falsos delegados. Antes de se discutir o regimento, conforme se pretendia, impôs aos presentes mais uma palestra, quando se pregou possíveis benefícios aos trabalhadores, omitindo as suas reais e sentidas aspirações, evidenciando cristalinamente divulgação de interesses eleitoreiros: alterações da CLT e FGTS, mais uma vez sem a consulta e a participação dos trabalhadores, conforme acontece desde a implantação do Estado-Novismo. Após a chegada dos falsos delegados do V Congresso dos Trabalhadores da Indústria, cinco dirigentes sindicais foram convidados a participar da mesa com vistos ao início do prometido debate: Hugo Martins Peres, da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de São Paulo, Francisco Dal Prá, da Federação dos Trabalhadores na Indústria Mecânica e Material Elétrico do Rio de Janeiro, Antônio Fernandes, Sindicato dos Trabalhadores do Calçado da Bahia, Rafael Pereira do Vale, Sindicato dos Gráficos de São Paulo e João Paulo Pires Vasconcelos, Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade. Os componentes da mesa fizeram uso da palavra, falando por último o companheiro Ari Campista, salientando as desigualdades regionais, com o intuito divisionista. A prometida reunião plenária não se realizou e nada se decidiu. Ari Campista não aceitou o sufrágio universal com a identificação dos votantes. Ari Campista dividiu o plenário em dois blocos, a favor e contra o regimento da CNTI. Pediu-se a contagem individual e ele exigiu a contagem e blocos, a olho, o que é um absurdo. De golpes em golpes, oportunisticamente, ele tripudia sobre a condição humana dos trabalhadores. Os microfones se encontraram sob absoluto controle, obstaculizaram a livre discussão de temas do interesse do plenário. Nem mesmo os participantes da mesa puderam utilizar o microfone para as necessárias intervenções, exposições, esclarecimentos. Condena as posições dos líderes sindicais participantes, acusa-os de subversivos e atiçadores, repudia as suas mais justas e legítimas aspirações. Ari Campista encerrou a reunião não permitindo uma contagem de votos, qualquer que fosse a forma, traduzisse em número a realidade e o verdadeiro desejo dos congressistas. O Movimento Sindical Democrático sai honrado e fortalecido desse episódio. Senhor Ministro Ari Campista e a diretoria da CNTI passam para a História como colaboradores dos que tentam amordaçar e vestir uma camisa de força no movimento sindical, sem sucesso. A frente ampla dos trabalhadores repudia essa farsa e teses concluídas antecipadamente nos gabinetes da CNTI. A grande vitória da liderança sindical que mostrou para toda a nação a CNTI. Aqui companheiros eu vou citar trechos do Jornal do Brasil: “O presidente Geisel estará hoje no congresso da Federação Nacional dos Trabalhadores na Indústria. É bom que esteja, mas é bom que saiba: a CNTI foi ao longo de sua história a catedral do peleguismo nacional. Surgiu a oportunidade para o restabelecimento da verdade sindical dentro da organização. No entanto essa oportunidade foi perdida, e o governo simplesmente devolveu o poder aos pelegos depostos. Pela maquinação populista. A CNTI é uma saudável instituição de trabalhadores (isso que eu estou falando está escrito aqui, no Jornal do Brasil) na indústria merecem representação atuante na vida do país. Até hoje, contudo, ele passa ao largo de toda a história sindical do país, associa-se à crônica das trevas, enriquece a bibliografia do sindicalismo de gabinetes oficiais. Conduzida por oportunismos, tem na sua inépcia das últimas administrações o seu maior aliado. O governo não tem necessidade de se associar aos pelegos, e se o faz é porque quer. Para o espetáculo de docilidade sindicalista que o Ministro Ari Campista lhe reservou, o presidente Ernesto Geisel contribuiu, não há dúvida, com a epígrafe certa. Seu discurso na abertura do V Congresso da CNTI é uma peça modelar do culto nacional que se presta ao mito do país cordial, habitado por Macunaíma. ” (Isso aqui é da coluna do Castelo). “É uma pena que o presidente tenha deixado de assistir a cena que lhe daria a medida em que seu discurso resvalou sobre aquela grande parte da audiência que está exigindo uma retórica nova”.

CNTI – V Congresso Nacional dos Trabalhadores na Indústria (1978)

Discursos

Lula – Não existe sindicato fraco no Brasil (aplausos). A fraqueza do sindicato brasileiro é porque ele é medido pela quantidade e não pela qualidade. Vocês viram aqui em pronunciamentos se falar em sete mil e não sei quantos sindicatos, em cinquenta e tantos mil dirigentes sindicais. Hoje passa a ser uma categoria. E as federações costumam inculcar na cabeça dos sindicatos de que eles são fracos, exatamente para se manterem no poder, criando sindicatos de carimbo.

Congressista – Muito bem! (Aplausos)

Congressista – Vamos fazer um congresso de trabalhadores, paralelo, porque esse não serve para nós.

Lula – Eu quero deixar a vocês, o pessoal que está me ouvindo, a imprensa, lamentavelmente o Ari Campista já não está mais aqui. É de que o sindicato de São Bernardo irá tomar uma posição com relação a esse procedimento do CNTI, que inclusive meteu aos congressistas que estão aqui, disse que o regimento foi democrático, que o mandou para cada sindicato, como sugestão que esse seria atendido pela CNTI, sozinha juntar mil e poucos pontos de vista.

Congressista – E se reúne hoje o departamento profissional, colocaria o regimento em votação hoje.

Lula – Companheiros, a proposta de colocar o regimento interno e a aprovação aqui hoje, não é tardia. Está no momento certo, porque quem deve decidir é plenário, os trabalhadores, que vem gastando o dinheiro do seu sindicato, não para fazer turismo, para viajar de bondinho, ir ao corcovado, mas para tirar daqui decisões que beneficiem de uma vez por todas a classe brasileira.

Congressista – Muito bem! (Aplausos)

Lula – Inclusive dirigentes sindicais que aqui estão são testemunhos de que o senhor Ari Campista, eu digo não com o sentido de ofendê-lo pessoalmente, mas o presidente da Confederação. Nada mais faz do que mandar um jornalzinho que muito faz telenovela de ministros, do que um jornal de entidade de classe.

Congressista – É isso mesmo.

Lula – O senhor Ari Campista como presidente da CNTI nada mais faz do que bajular as autoridades, mentindo, o que é mais grave. (Aplausos) Gostaríamos de deixar patenteado aqui que nós vamos tomar uma posição com relação a isso. Nada vai nos amedrontar, iremos marchar contra tudo e todos, principalmente contra a arbitrariedade de alguns elementos que já estão a mais de trinta anos no movimento sindical brasileiro.

Congressista – Muito bem! (Aplausos)

Homem Dois – Vamos verificar nesse momento o que está acontecendo num congresso de trabalhadores, que reivindicam a liberdade de palavra e de ação. Ouviram atentamente quando a Sua Excelência disse que a produção do trabalhador brasileiro é muito baixa. Então nós perguntamos: “Será que essa produção baixa não é em virtude da coação exercida sobre os sindicatos? ” Quando ele falou que nos países mais desenvolvidos a produção é melhor. A legislação que rege os sindicatos nesses países é idêntica a nossa? Não, companheiros. Nós temos que lutar aqui e apelar veementemente pela autonomia sindical, que dá liberdade do livre entendimento entre patrões e empregados. Nós não queremos aqui jamais termos a paternidade do governo. O que queremos é discutir livre e francamente, como muito bem falou o companheiro Lula. O trabalhador não é baderneiro. Mas é a necessidade que faz com que ele participe desses movimentos, que ele mostre que está se conscientizando. E quanto a participar de política partidária, um dirigente sindical como cidadão que é, tem o direito e deve participar. A entidade jurídica sindicato que não se discute lá dentro, eu concordo. Mas colher a ação dos dirigentes sindicais e participar da política partidária isso é uma verdadeira aberração. Nós somos eleitores e temos o direito de sermos votados, se eles precisam do trabalhador para se eleger, ele também tem esse direito. Então, vamos esperar que todos vocês estejam aqui daqui a pouco para discutir o substitutivo. Porque senão nós teremos que fazer um movimento paralelo a esse congresso, que não representa nada para o trabalhador.

Homem – Companheiro, as treze horas nós vamos nos reunir aqui na sede do congresso.

Entrevistador – Federação Energia Elétrica.

Congressista – Nós iremos ou não participar paralelamente. Agora, estou de pleno acordo com o companheiro de São Bernardo. Os companheiros que me antecederam, de que nós não podemos ser marginalizados. Nós até hoje nesse V Congresso do qual vamos ou não participar. Nós sentimos que vamos ser novamente marginalizados e aprovar que não ter direito de discutir, se o próprio presidente da república acaba de nos dizer frontalmente de que o diálogo é necessário, é o que não entende a nossa CNTI, os dirigentes. Porque a instituição nada tem a ver com isso, se ela é dirigida por elementos que olham unicamente para um lado, para si e não para os milhares de trabalhadores. Os milhões de trabalhadores. A culpa não é nossa, em parte, porque nós devíamos e devemos tomar uma decisão. Nem que seja necessário fazer, como disseram os companheiros que me antecederam, um congresso paralelo. O que nós precisamos é voltar para as nossas bases e dizer para os trabalhadores: “Nós não vamos nos portar como autênticos pelegos e trouxemos isso para vocês”. Mas com o espírito de luta daqueles companheiros que sempre souberam nortear os nossos princípios. (Aplausos) Eu acho que todos nós devemos acompanhar a palavra dos companheiros que me antecederam, o de São Bernardo, o Lula. E nós lutamos pela mesma bandeira, vamos nos unir que aí nascerá, tenham certeza vocês, para o futuro na CNTI dirigida autenticamente. É o que eu tenho a dizer, e minhas saudações a todos vocês.

Lula – Querer tocar nós daqui, e irmos todos ao sindicato que nós somos baderneiros, que nós queremos deturpar o congresso, nós não vamos aceitar. Nós vamos ficar aqui e exigir a colocação do regimento em discussão.

Congressista – Aí! (Aplausos) Vamos fazer palestra com muito discurso.

Lula – Companheiros! O que é lamentável é que mais uma vez se desconfie de um grupo de trabalhadores, chefes de família que aqui está. Um grupo de homens que nada mais fizeram nesta terra do que enriquece-la. Vem participar de um congresso e são tratados como bandidos, como nós estamos sendo tratados. Eu acho que nós devemos dar aqui uma demonstração de hombridade. Ficar aqui e exigir à direção da CNTI uma posição com relação a nossa proposta.

Congressista – Aí! (Aplausos)

Lula – Nós não queremos em instante algum que vocês entendam que nós queremos que a sede que nós propusemos seja aprovada. O que nós queremos é pura e simplesmente que seja colocada para apreciação de vocês, se for derrotada acataremos a decisão da maioria.

Congressista – Muito bem, Lula! (Aplausos)

Lula – Quem estiver participando nas comissões não deveria participar até que o Ari Campista resolva discutir conosco a igualdade de condições. Eu acho importante ficarmos aqui sentados e esperarmos começar os trabalhos para podermos falar.

Congressista – É isso aí, Lula! (Aplausos)

Lula – Eu acho importante o seguinte, nós vamos conversar com o comandante da polícia que está aqui, que há uma ordem do Ari Campista para que nós não nos aproximemos do palco. Nós trabalhadores que viemos de tão longe e temos o objetivo de discutir os nossos problemas do Brasil inteiro. Não podemos nos submeter as decisões que vem castrar os trabalhadores como quer o Ari Campista.

Homem – Esse som a essa altura poderá terminar ou não? Quando o pessoal…

Entrevistador – O pessoal está tentando discutir o regimento interno, mas parece que…

Ari Campista – Ah! Eu vi baterem palmas quando começaram a cantar, fiquei pensando que estavam muito satisfeitos. Mas é outra coisa, eu não quero opinião da imprensa porque ela não faz parte do congresso.

Entrevistador – Porque, eu gostaria de saber a opinião do senhor.

Ari Campista – Não quero a opinião da imprensa.

Entrevistador – Não, ninguém está dando opinião.

Ari Campista – E eu estou convencido de que eles estão batendo palmas porque estão satisfeitos.

Entrevistador – É um congresso ou é um baile? Porque o senhor não quer dar opinião. Nós queremos ouvir o que tem para falar.

Entrevistador – Em relação a esse som aí.

Entrevistador – Assim, em cima da conversa do pessoal que tem…

Entrevistador – O senhor fala em imprensa então nós vamos botar a imprensa no seu devido lugar. Reconhecemos que ela exagera realmente, deturpa às vezes os fatos, não tem dúvida. Mas o senhor crê que sem a imprensa nesses anos todos, o senhor teria a projeção que tem?

Ari Campista – Eu não sou falado pela imprensa, felizmente. E quando sou…

Entrevistador – Mas, hoje o senhor vai ser falado.

Ari Campista – E quando sou é para ser destratado.

Entrevistador – Não, mas então isso é pessoa mal informada sua pessoa, não tem dúvida.

Ari Campista – Destratado. Ainda não vi um jornal só dizer de mim graciosamente ou não, alguma coisa boa, compreendeu?

Entrevistador – É razoável.

Ari Campista – É, muito bem. Mas essa é uma opinião, veja bem e quem me elege, por unanimidade na CNTI. Então, quer dizer, esta imprensa está a favor ou contra aos que me elegem? Está contra.

Entrevistador – Pode ser.

Ari Campista – Eu estou com a maioria, a imprensa está com a minoria.

Entrevistador – Mas, dado o espírito elevado que norteia a sua vida…

Ari Campista – Eu agradeço.

Entrevistador – O senhor teria por obrigação um dever de sobrepor a sua incompatibilidade com a imprensa.

Ari Campista – Não, não é com a imprensa propriamente dita. É com certo tipo de jornalismo que anda por aí, compreendeu? Que tem interesse escusos.

Entrevistador – Que interesses são esses aí?

Ari Campista – Interesses escusos. Inclusive de algumas multinacionais que comandam o espetáculo, é isso. Dou por encerrado aqui, a nossa entrevista coletiva.

Entrevistador – Seu Ari Campista, e o congresso, vai continuar?

Ari Campista – A música ou o congresso vai?

Entrevistador – Qual foi o critério para escolha dos votantes do plenário?

Ari Campista – No plenário votam todos os trabalhadores presentes, a não ser que seja solicitada, vejamos, no caso de dúvida sobre o resultado dessa votação no geral, digamos que dois mil e quinhentos contra, nesse caso se a pedido do plenário, apoiados com determinados números de sindicatos, nós concederemos a votação nominal por entidades presentes.

Entrevistador – Mas, isso será consultado o plenário antes.

Ari Campista – O plenário é quem decidirá.

Entrevistador – Se o plenário concorda ou não com essa sistemática de votação?

Ari Campista – O plenário já se pronunciou através da decisão do conselho representante, que é formado por representantes das federações, por sua vez.

Entrevistador – Então, não será submetido a plenário.

Ari Campista – Não sei, senhorita. Está querendo saber mais do que eu.

Entrevistador – Não, eu não estou indagando, porque eu não sei, eu estou indagando o senhor!

Ari Campista – Pois é, mas eu não sei.

Entrevistador – Mas o senhor deveria saber.

Ari Campista – Eu não sei.

Entrevistador – O critério de escolha dos participantes das comissões e da mesa que conduz o congresso?

Ari Campista – Eu vou tentar ver se em algum momento eu consigo tempo para fornecer um regimento interno aprovado a um de vocês. E vocês então fazem a informação coletiva. Desde que vocês tenham capacidade para se unificarem em torno de um líder. Perfeito?

Entrevistador – Olha, o regimento nós temos.

Ari Campista – Vai ser ótimo.

Entrevistador – O que está faltando é saber os critérios.

Ari Campista – Então lê, querido. Lê o regimento que nós vamos mostrar os critérios.

Entrevistador – Porque o presidente da comissão do sindicato não será eleito aqui?

Ari Campista – Lê porque o critério está aí.

Entrevistador – Não, eu queria saber porque eles não serão eleitos no congresso?

Ari Campista – O critério está ali.

Entrevistador – Esse aqui não está. (Pausa)

Congressista – Viemos aqui para decidir as questões dos trabalhadores.

Congressistas – Regimento!

Homem – Sabe que é, somente discutir o regimento. Nós não queremos ver conferencistas, nós queremos ouvir, só queremos discutir o regimento antes.

Congressistas – Regimento!

Homem – Tem que falar inclusive com um conferencista, mas nós também queremos falar. (Pausa)

Congressista – Tira o regimento, não queremos conferência, não. (Pausa)

Entrevistador – Quem está aí é o Antônio Wagner.

Congressista – Regimento.

Entrevistador – Wagner?

Entrevistador – É Jô Wagner falando durante o pedido do pessoal em discussão o regimento.

Antônio Wagner – Vamos fazer uma proposta conciliatória de que ele deixou a família dele lá em São Paulo unicamente para fazer essa conferência. De forma que nós poderíamos aceitar uma proposição conciliatória, desde que a diretoria da CNTI assumisse o compromisso de discutir o regimento posteriormente.

Entrevistador – Certo!

Antônio Wagner – Ele falou que não dependia dele.

Entrevistador – Quem é ele?

Antônio Wagner – Eu não sei o nome dele.

Entrevistador – É João Paulo, de Belo Horizonte. O conferencista poderia dar o nome dele?

João Paulo – Doutor Wagner Giglio.

Entrevistador – De onde?

João Paulo – Tribunal Regional da 9º Região.

Entrevistador – Essa consulta do plenário não podia ser feita por dois levantamentos, um a favor e outro contra?

João Paulo – Não sou eu quem vai decidir.      

Entrevistador – Você vai se entrevistar com o senhor Ari Campista?

João Paulo – Eu vou me reunir com a comitiva.

Entrevistador – Com a coordenadoria.

João Paulo – Com a coordenadoria. (Pausa)

Congressista – A comissão foi falar com o Ari Campista e ele não concorda em colocar o regimento interno em votação.

Congressista – Manda ele ir lá na frente.

Congressista – Ele continua na mesma posição, não quer colocar o regimento interno em votação. Nós não podemos aceitar isso, enquanto não for colocado o regimento interno em votação proponho que não se faça conferência nenhuma. Nós vamos colocar aqui e colocar em cotação.

Congressista – É isso aí! Boa medida, companheiro!

Homem – Nós não queremos nada mais, não queremos fazer bagunça. Nós queremos é democracia. Queremos que o plenário decida qual o regimento que deve ser usado, é simplesmente isso, não é nada mais. É isso aí que todos os companheiros devem saber.

Congressista – Muito bem!

Homem – Enquanto não for colocado em votação o regimento nós ficaremos aqui e não vamos deixar criar conferência nenhuma. É isso aí, companheiros! (Aplausos)

Homem – É essa a posição que devemos tomar.

Homem Três – O companheiro, atendendo uma indicação de todos vocês que estão aqui, e dos companheiros que resolveram indicar uma comissão para ir conversar com o Ari Campista, ele não quis aceitar a decisão democrática de submeter os dois regimentos ao sufrágio aqui no plenário, e ele disse que o que nós estamos fazendo sobre ele é pressão, e que ele não aceita isso.

Congressista – (mulher) Tadinho!

Homem Três – Mas ele está querendo fazer pressão sobre todos nós, impondo um regimento que não é do agrado de todos que estão aqui. Mas um detalhe que eu me esqueci aqui, companheiros, ele ainda tentou dizer o seguinte: “Como é, encerra o congresso? ” Eu falei: “Olha, o senhor abriu o congresso, cabe ao senhor a responsabilidade do encerramento. Não nos caberá”.

Congressista – Muito bem! (Aplausos)

Miguel Guilhen – (aposentado) Companheiros! Eu pediria a atenção de todos vocês. Eu sou aposentado, e temos muitos companheiros aposentados nesse plenário, e vocês são os futuros aposentados. No entanto, eles não vão participar de comissão nenhuma, e nós propomos que o regimento seja modificado para que os aposentados participem das comissões e do plenário.

Congressista – Muito bem, companheiros! (Aplausos)

Miguel Guilhen – (aposentado) Companheiros, mais um minuto de atenção. Porque nós aposentados queremos participar das comissões e do plenário? Porque a viúva do operário, quando morre o marido, perde 40% do seu salário. Em 1974 o Congresso Nacional se reunia para fazer o salário da viúva de um presidente, de sete milhões por mês. No entanto, (Aplausos) também queremos levantar nesse plenário, nesse congresso, que as prefeituras estão devendo para o INPS duzentos milhões, quem deu ordem para eles tirarem esse milhão. No entanto, os aposentados estão ganhando salário de fome. Pelo menos 60% dos aposentados estão abaixo do salário mínimo. Viva os trabalhadores e vamos aguentar a marimba aqui.

Congressista – Muito bem! (Aplausos)

Entrevistador – Como é o nome do senhor?

Miguel Guilhen – (aposentado) Miguel Guilhen.

Entrevistador – E de onde é o senhor?

Miguel Guilhen – (aposentado) Da Associação dos Metalúrgicos de Santo André.

Congressistas – Regimento! Regimento!

Mário Rider – Companheiros, vocês acabaram de ouvir a solicitação do companheiro Hugo. Então eu quero alertar vocês para um detalhe. É muito importante que nós tenhamos uma liderança para nos conduzir. Mas é muito importante que nós ouçamos a voz de comando dessa liderança, nós precisamos obedecer a voz de comando, não aceitando provocações de espécie alguma. Porque o que eles querem é chamar o trabalhador de baderneiro. Ele não é isso não. Ele está com fome, necessitando de uma série de leis que venham realmente nos beneficiar. O tão propalado diálogo das autoridades com o trabalhador se resume aquilo que nós vimos aqui. Sua Excelência, o presidente da república de passagem cumprimentar os trabalhadores. Mas os legítimos anseios deles que deveriam ser levados pelos seus representantes de cúpula não o são. Então, é preciso que o executivo venha conversar com as bases diretamente através dos seus sindicatos. Porque através de elementos que nós estamos vendo aí, como o nosso atual presidente da confederação. E aqui agora, nesse momento, eu faço um apelo a todos os companheiros que se dirigirem a vocês, não pronunciem o nome do cidadão. Se dirijam a eles simplesmente.

Congressista – Falou, companheiro! (Aplausos)

Mário Rider – Como o presidente da confederação. Porque existe um dito popular que todos nós conhecemos: “Falem mal, mas falem de mim”. E no momento que nós estamos falando no nome desse cidadão, de uma maneira ou de outra, nós estamos levando ao conhecimento de todos. Então, é preciso que elementos dessa espécie sejam alijados de uma vez para sempre do meio da classe trabalhadora. (Aplausos) Mais uma vez eu peço aos colegas que aqui vieram, não falem no nome desse elemento e sim se dirijam a ele como o presidente da CNTI.

Congressista – Muito bem! (Aplausos)

Congressistas – Regimento! Regimento!

Congressista – Tudo bem! Nós entendemos que o companheiro aqui, que colocou isso, só existe um órgão soberano, são as assembleias. É um órgão superior de qualquer entidade de causa.

Congressista – É muita conversa, então põe no rádio. Então nós partimos de que é esse plenário. (Aplausos)

Congressista – Nós ficarmos aqui não tem diferença. Na sexta-feira vamos fazer com o pessoal dos metalúrgicos. Eles cheguem a uma conciliação e vamos partir para um substitutivo. E eles já tinham dito para nós que tinha um na mão. E convém colocar mais um. Ele tem muita satisfação para dar, não é isso mesmo. É ilegal tomar o regimento na mão, é isso que eles querem, e alguns companheiros que se interessam.

Congressista – Se ele não aceitar é porque está compactuando. Eu não sou dirigente sindical, eu não sou líder sindical. Não sou representante do empregador e nem do governo. Eu sou apenas um convidado que pagou a sua própria passagem para vir aqui, para atender um convite e poder atender algumas coisas, que no fim não tem nada que aprender sobre isso, e nem que tivesse feito em que isso de regimento interno tem que ser normal. (Aplausos)

Congressista – O Hugo.

Hugo – Se me permitem por ponto, um voto permanece outro a que o regimento tem que estar com os outros itens, votos no sentido de consciência. A proposta foi a seguinte: às vezes que não houve nada, mas se eu não posso falar, vamos embora. Se é isso que os senhores desejam eu me retiro. É isso?

Congressistas – É isso mesmo. (Aplausos)

Congressista – Foi aprovado o congresso. (Aplausos)

Homem – É. Inclusive tem que convencer todos os companheiros presentes, me desculpe o senhor que não tem nada a ver com esse problema. É apenas um convidado. (Aplausos)

Congressista – Essa foi uma medida mais forte. (Pausa)

Congressista – Põe o Lula aí para falar.

Congressista – Regimento! Regimento!

Ari Campista – Sentidos, mas se colocam um assunto de maneira que eu não tenha forma de transigir, contra uma transigência que se faça para mim, eu sou obrigado a manter a minha posição. (Pausa)

Entrevistador – Em que o senhor manteve a sua posição? Em que o senhor cedeu?

Ari Campista – Ah! Acompanhando o desenvolvimento do congresso você vai ver em que eu cedi, em que é que eu mantive inflexível.

Entrevistador – O senhor deu ordem para que?

Ari Campista – Eu cedi naquilo que diz respeito ao interesse do trabalhador. Fiquei inflexível naquilo que prejudica o trabalhador, principalmente os pequenos.

Entrevistador – O senhor, digo, o juiz supremo dessas questões?

Ari Campista – Não, não.

Entrevistador – O que seria?

Ari Campista – Você é testemunha que eu não estive reunido sozinho, não me reuni sozinho, não é verdade?

Entrevistador – É.

Ari Campista – É testemunha disso, me viu com uma porção de gente. Esse órgão tinha capacidade e autorização para fazer aquilo que fez.

Entrevistador – O que não seria?

Entrevistador – Fazer o que?

Ari Campista – Aquilo que fez.

Entrevistador – Mas o senhor ainda não definiu claramente aquilo que foi feito e o que vão fazer.

Ari Campista – Mas, vocês com essa acuidade que tem, que eu já percebi. Vocês vão perceber isso por si mesmos.

Entrevistador – Eu vi o senhor dar uma ordem ali para que as recepcionistas que estão nas portas das subcomissões permitam a entrada de outras pessoas que não aquelas originalmente escritas. Quer dizer, isso é uma posição nova em relação a que vinha sendo feita até agora?

Entrevistador – Ou isso significa que o regimento já foi alterado?

Entrevistador – O senhor recebeu isso?

Ari Campista – É, vocês ouviram eu dizer isso?

Entrevistador – Ouvimos.

Entrevistador – Ouvimos.

Ari Campista – Então isso é uma verdade.

Entrevistador – O regimento não muda?

Entrevistador – No que o senhor se manteve inflexível, para que o senhor cedeu nisso?

Ari Campista – Aquilo que prejudica o trabalhador.

Entrevistador – O que seria hoje prejudicar o trabalhador diante do quadro de acontecimentos?

Ari Campista – Mas eu já expliquei tanto. Vocês têm um projeto de um regimento nas mãos, um de vocês tem. Podem examiná-lo e verificar as razões porque nós estabelecemos certas regras. Que evidentemente procuravam nivelar todos os trabalhadores aqui presentes, e os sindicatos também, não fazendo distinção entre os grandes, os médios e os pequenos. Então, com isso é um ponto capital, e que tem norteado toda a minha vida, em não fazer distinção entre grandes e pequenos. Eu tive que ser inflexível naquilo que dizia respeito a esse assunto. (Pausa)

Entrevistador – Há pessoas que estão participando do congresso, no plenário, que acham necessário discutir-se um novo regimento apresentado pelo CNTI, antes de dar continuidade ao congresso. O senhor me parece que está inflexível nesse ponto. O congresso fica então no impasse. Como sair desse?

Ari Campista – Se houve impasse, já foi superado.

Entrevistador – Qual a programação?

Ari Campista – O congresso prosseguirá.

Entrevistador – Qual a programação prevista para agora?

Ari Campista – Funcionamento normal do congresso.

Entrevistador – É o que agora teria a palestra do juiz, seu juiz Wagner Giglio.

Ari Campista – Pois é, mas o juiz Wagner Giglio renunciou ao privilégio que nos dava de proferir uma palestra.

Entrevistador – Qual seria o tema?

Ari Campista – O que eu achei muito lamentável.

Entrevistador – Tenente Xavier participou da reunião da diretoria, o que é um fato no mínimo incomum. Isso significa que o senhor pediu a intervenção da polícia para acabar com…

Ari Campista – Não. Significa que nós demos informação a ele que o congresso estava prosseguindo, porque ele não sabia se tinha parado ou estava prosseguindo.

Entrevistador – Ele não sabia?

Entrevistador – Senhor Luiz, o senhor recebeu uma comissão de três pessoas que foram tirados do plenário, e essas saíram da reunião com o senhor afirmando que não havia chegado a um entendimento. Quer dizer, então o que parece que realmente não foi solucionado esse impasse, pelo menos para essas pessoas que colocam a discussão.

Ari Campista – Eu tomei café sem oferecer!

Mulher – Se alguém quiser mais…

Ari Campista – Tem mais café, querem? Não aceita uma xícara de café?

Entrevistador – Eu acabei de tomar um, obrigado.

Mulher – O senhor quer mais? Tem mais aqui.

Ari Campista – Quero.

Mulher – Se o senhor não quiser, não tem problema.

Ari Campista – Quero sim. É lamentável que não chegamos a um bom entendimento.

Entrevistador – Quem? Nós chegamos?

Ari Campista – Não chegamos a um bom entendimento. E eu lhes posso afirmar que não foi por minha culpa.

Entrevistador – De quem seria a culpa?

Ari Campista – Reuniram-se quatro pessoas…

Entrevistador – Três tiradas do congresso.

Ari Campista – Se um diz sem culpa de não ter havido entendimento, a culpa teria sido de um dos outros três, ou de dois, ou dos três. São opções a serem escolhidas pela imprensa.

Entrevistador – A imprensa não trabalha com opções, meu amigo. Trabalha com fatos.

Ari Campista – Trabalha com opções.

Entrevistador – Se nós ficarmos em cima das opções, nós não teremos matéria para isso.

Ari Campista – Agora, tem um detalhe. Eu poucas vezes falo a imprensa, no sentido de que eu jamais ergui minha voz contra um só dirigente sindical, por mais opositor que fosse a mim. Jamais acusei um dirigente seja do que for. Eu respeito a todos por terem sido eleitos pelos votos dos seus representados. Votos esses que lhe dão legitimidade e autenticidade. De forma que me é muito difícil distinguir entre um dirigente sindical autêntico, e um que não seria autêntico, pela qualidade dos votos que lhes foram dados.

Entrevistador – Não entendi. O senhor disse que jamais ergueu a voz contra qualquer um…

Ari Campista – Contra qualquer dirigente sindical.

Entrevistador – E por causa disso nunca pode identificar quais eram os autênticos?

Ari Campista – Não. Porque eu respeito a legitimidade e autenticidade dos votos que foram dados a ele.

Entrevistador – Mas, porque?

Ari Campista – Respeito.

Entrevistador – A conclusão do seu raciocínio, que foi por causa disso, não.

Ari Campista – Eu digo, eu não posso, nunca me permiti dizer “fulano de tal é um mal dirigente sindical”, porque isso seria pôr em estado de dúvida a legitimidade e autenticidade dos votos conferidos a ele.

Entrevistador – E o senhor teve que erguer a voz contra alguns deles?

Ari Campista – Nunca. Nunca ergui a minha voz contra quem quer que seja, por mais antagonista a mim. Compreende?

Entrevistador – Agora, um fato concreto. O senhor me permite. O senhor não quer dizer com isso que ergueu a voz a algum membro da comissão que houve?

Ari Campista – Não ergo nunca a minha voz.

Entrevistador – Agora, porque o senhor está dando essa explicação?

(_____) – Presidente Ari, tem uma comissão querendo falar com vós se fosse possível.

Ari Campista – Pois não.

Mesa – Da posição tomada pela diretoria da confederação junto com as federações dos trabalhadores de indústria e da decisão do seu conselho de representante, encontram com destaque, é o órgão soberano da entidade promotora deste conclave. E solicitou esse voto, inicialmente pelo entendimento, o prosseguimento dos trabalhos do congresso, por entender que ele é o mais importante objetivo a ser atingido nesta oportunidade. Com o desejo manifestado pelos que não tiveram reversa posição, e também que vale a efeitos, trabalhos que devem ser reativados e virem a ser apresentados pelo V Congresso Nacional dos Trabalhadores e visa sobretudo dar uma demonstração de inequívoca e unidade de classe industriaria com a possível projeção do futuro de maiores eventos, e talvez da realização de um congresso nacional de trabalhadores. Compreendo que todos os grupos profissionais que representaria um congresso de cerca de trinta mil congressistas. A presidência da CNTI entendeu por bem atender à solicitação de prosseguir normalmente, traz a quem deseje esclarecimentos sobre os motivos que levaram a diretoria da confederação e o seu conselho de representantes aprovar o regimento em curso, o que vale dizer, faremos a exposição e convidaremos democraticamente cinco companheiros que divirjam para exporem à tribuna da mesa os seus pontos de vista. Como é presente e unânime, se todos os grupos prosseguirem e trabalho do congresso, faremos a seguir realizar a palestra a ser proferida pelo Ministro Arnaldo Lopes Suzequini e logo após o debate em torno da mesma. Nós teremos os esclarecimentos sobre o regimento e a apresentação do ponto de vista dos que dele divergem, através de cinco companheiros. Neste momento agradeço a todos a atenção, a vontade de prosseguir com o trabalho desse congresso, pedindo aos membros das subcomissões de funcionamento retornem aos seus trabalhos. E traremos à mesa o Ministro Arnaldo Lopes Suzequini para fazer a sua palestra. Obrigado, companheiros. (Aplausos)

Entrevistador – Por favor, qual é o seu nome, e me dá onde você trabalha.

Severino – Severino Vieira de Carvalho. Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção de Guaraopaba.

Entrevistador – O senhor estava presente aqui ontem no plenário? Ou não?

Severino – Sim.

Entrevistador – E porque o senhor é favorável à palestra neste momento?

Severino – Eu sou favorável a palestra porque eles querem tumultuar, porque isso aí teve quatro meses para ser organizado. Então, em última hora eles querem fazer uma coisa com esse tempo. (Vaias) Então eles teriam que combinar conosco e fazer o processo como deveria, a quatro meses atrás, não hoje!

Entrevistador – Porque você acha que está havendo intenção de tumultuar?

Severino – Olha, eu acho que a turma de São Paulo está com essa intenção.

Entrevistador – Mas, porque? Qual exatamente o motivo desse tumulto? Como o senhor colocaria? Que atitude foi tumultuosa?

Severino – Bom, o negócio é o seguinte, começou porque ele quer mudar o regimento interno, ele não quer o antigo, eles querem o novo. Eu concordaria com eles, mas de uma maneira diferente, como já falei antes. Se eles tivessem comunicado a todos os sindicatos, mandando um ofício. Aí nós concordaríamos. Mas em última hora não concordo.

Entrevistador – É, que parece que o problema que o pessoal de São Paulo basicamente está levantando é que esse regimento foi aprovado numa reunião a dois dias antes de começar, mas só que não estava inclusive na pauta dos trabalhos. Eu não me lembro o nome da reunião, mas o que eles levantam é exatamente isso. O senhor está por dentro disso ou não?

Severino – Não. O negócio é o seguinte, eu não estou por dentro disso porque inclusive não avisaram os outros sindicatos.

Congressistas – (Todos falando)

Entrevistador – É que parece que também por parte da direção do congresso esse é o argumento que eles levantam, que o regimento não estava na pauta dos trabalhos e foi colocado praticamente em curso.

Congressistas – Regimento! Regimento!

Entrevistador – Então, daí a alternativa dada deles discutirem o regimento. E depois não é, não é ser contrário ao regimento, mas discutir para ver se muda alguns pontos.

Severino – Mas deveria ser discutido no plenário, como nós queremos. (Vaias)

Entrevistador – E a proposta deles parece que é discutir no plenário.

Severino – Mas eu acho que o Ari Campista não vai permitir.

Congressista – Sai fora corrupto.

Congressistas – (Todos criticando)

Entrevistador – Qual o seu sindicato?

Severino – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção do Imobiliário de Guarapoaba, Paraíba. (Pausa) Está provada aí, que a maioria quer ouvir a palestra, e vai.

Entrevistador – Está ok!

Entrevistador – E o senhor acha que houve a maioria?

Severino – Acho que houve uma sub-maioria.

Entrevistador – O senhor acha correto a atitude de não se distinguir o regimento? Que segundo o pessoal alegou ontem, esse mesmo que está aí, ele foi colocado de uma maneira ilegal. Ou seja, na reunião de dois dias antes de vir para o congresso.

Severino – Mas, as ordens superiores…

Entrevistador – Só, deixe-me terminar.

Severino – Já constaram isso?

Entrevistador – Não. Isso o pessoal levanta o seguinte: que a dois dias antes, foi colocado esse regimento de uma maneira que não constatava nas pautas das instruções e de repente apareceu e foi imposto. (Gritos) Daí a sugestão de se colocar em discussão. O senhor não acha que seria mais justo colocar em discussão primeiro, depois qualquer um que vencesse prosseguiria os trabalhos normalmente?

Severino – Mas o conselho é soberano.

Entrevistador – Que conselho?

Entrevistador – Mas, que plenário?

Severino – O conselho é soberano, e os estatutos…

Entrevistador – Então, isso é antidemocrático.

Severino – Da CNTI aprovado tem no artigo em que o conselho é soberano para a aprovação de qualquer artigo, qualquer discussão. Já é um estatuto da CNTI, independente de plenária.

Entrevistador – Certo! Em relação a sua opinião pessoal, é favorável a seguir, que o conselho determinar independentemente da vontade do plenário?

Severino – Eu acho que no momento é como já está, como é iniciado. Já foi instalado. E porque eles não reclamam nada para o congresso, e querem fazer de última hora?

Entrevistador – O nome do senhor e o local, por favor?

Severino – Eu sou do sul do Estado da Paraíba, cidade Sorriso. STI Construção Civil.

Mesa – Após a exposição dos cinco companheiros que estão representando esse grupo, usarei a palavra para expor a intenção e a vontade do conselho de representantes do CNTI. (Pausa) E, explicando no que se consiste no regimento coligado a todas as concentrações sindicais a cerca de três meses. Após usarmos a palavra, nós faremos uma votação e com a previsão do que estiverem a favor do regimento substitutivo deverão ocupar o meu lado esquerdo da sala, bem separados. Os que estiverem a favor do regimento da CNTI deverão ficar do meu lado direito para cá.

Congressista – A aprovação é depois, não é chefe? (Aplausos)

Homem – Os que são esquerdistas e pelegos ficam do outro lado.

Mesa – Companheiros…

Congressistas – (Falam todos juntos)

Mesa – Aqui está a demonstração aos que estão interessados na posse dos nossos representados. Muito bem. (Aplausos) Nós vamos estender a palavra aos membros das comissões. Companheiro Hugo, pede a sua palavra. (Aplausos e vaias)

Hugo – Companheiros, inicialmente (Pausa) eu quero falar que sou de uma federação e faço parte do conselho de representantes da confederação. Estou aqui, desde sexta-feira, como assembleia desse conselho. Foi colocado em discussão de votação o regimento do congresso. A nossa comissão é que a importação não as legalidades formais ou ilegais. Porque não constava de ordem do dia. Não está em convocação e todos nós sabemos que técnicos de computação. Assim sendo apenas sessenta companheiros discutiram e votaram no regimento para um voto dos cinco convocados aqui, que aprovaram um regimento que deverá confiar na falsa conduta desse congresso. E o nosso presidente e todos os companheiros presentes sabem que o voto soberano de unidade sindical é a assembleia dos trabalhadores, o seu plenário. (Aplausos) Portanto, nós desde sexta-feira como todo mundo, firmamos essa posição de que o regimento devia ser discutido e votado por esse plenário, e não por um conselho de representantes da confederação. O que nós pretendemos com as nossas emendas propostas ao regimento, são três pontos básicos. Primeiro: que todos os trabalhadores participem efetivamente do congresso trabalhando o tempo todo nele. (Aplausos) Dessa forma que todos participem das subcomissões para debater. Segundo: que os presidentes das subcomissões e comissões sejam eleitos pelo plenário dessas postas. (Aplausos) Nós defendemos e essa é a única forma democrática. Cada um elegendo o seu presidente e todos participando. Dentro disso o terceiro item: que todos os delegados presentes, todos os trabalhadores neste plenário, neste congresso tem direito a um voto e o congresso poderá ser realizado. (Aplausos) E todos nós, isso é o fundamental. A nossa posição desde o início tem sido essa, companheiros. Apenas a de fazer um congresso da forma mais democrática possível. Que os senhores mesmo do plenário decidam. (Aplausos)

Mesa – Passamos a palavra ao companheiro Marcílio que é um dos representantes da comissão que pretende a substituição do regimento.

Marcílio – Companheiros, congressistas, que militam a frase do dia-a-dia, vou me dirigir mais aos homens que estão numa comissão só. É muito pouco, com todo o respeito também aos que já são dirigentes sindicais. Vocês precisam tomar conhecimento mais afinco do que representa a realização desse V Congresso da CNTI. O dinheiro que aqui se gasta sai do nosso suor, do nosso trabalho, do imposto sindical que pagamos todos os anos. (Aplausos) A tão reclamada participação ativa do trabalhador brasileiro, do homem que labuta o dia-a-dia a oportunidade de ter um congresso. Por isso entendemos que o trabalhador que vem trazer os seus anseios e as suas necessidades para ser amplamente discutidas em âmbito nacional. Entendemos que esse trabalhador, que sustenta as lideranças sindicais, que é responsável direto por tudo o que aqui se realiza, só será recompensado diante do sacrifício de sua vinda aqui. Se ele tiver uma participação fatídica e coerente com direito de voz e de votos para colocar os seus problemas. (Aplausos) Não estou aqui para colaborar com a divisão entre os trabalhadores, estou aqui numa missão que me foi confiada pelo secretário geral do departamento profissional dos metalúrgicos que estão aqui comigo. E consequentemente também pelo vice-presidente da federação de Minas Gerais que outorgou esse convite. Sinto que está se proporcionando nesse congresso uma divisão de trabalhadores, o que não concordo e tenho a certeza que todo esse plenário não concorda. (Aplausos) Digam, meus companheiros, que temos que aceitar os que eles decidissem, porque eles são a maioria. Até é bom que se diga em uma só voz que num único fato de direito a participação autêntica por uma liderança, burlando aos trabalhadores que percam a oportunidade que eles próprios mantenham a sua veracidade sem intermediários. Como presidente de uma federação, aceitei a decisão dos homens que confirmem realmente os seus interesses, que lutaram para ter a sua participação ativa, sugerindo que discutíssemos e, portanto, aqui tem lugar para o bem da classe trabalhadora brasileira. (Aplausos) Não estou aqui para proporcionar essa briga, porque é hora do trabalhador se unir e não de dividir. Então, vê-se que é muito pouco que se propõe para ser recusado a participação ativa de todo trabalhador congressista que está inscrito nesse congresso, gastando dinheiro, de poder expressar livremente o seu ponto de vista fazendo parte das comissões e subcomissões. (Aplausos) Companheiros! Não critiquem em hipótese alguma a CNTI, porque a direção do congresso são seres humanos, e todos nós como seres humanos temos direito a falhar. Senhores, não quero brigar, mas quero apresentar sugestões para que ela seja corrigida, compreendam o que é importante no momento que é a liberdade sindical, de que quando se diz, tem liberdade seria mais ampla, que, serão os participantes de uma das maiores reuniões de trabalhadores que é essa aqui que se vê. São seiscentos companheiros que são estruturados e aprovados pela coordenação do congresso. Entendemos que ele foi rigorosamente planejado, e organizado com as melhores intenções possíveis, que se dá a participação de terceiros delegados, organizados por trabalhos. Mas, será correto companheiros! Onde nós temos seis mil, só seiscentos ordinários na elaboração que aprovarem em plenário. Há um desejo maior aqui, de condições de sugerir firmeza e elaboração do trabalho. Não concordo, desde que vai aqui o meu ponto de vista, que é o da categoria que dirijo e de outras categorias também de operários e camponeses diante daquelas exigências levantadas no começo. Então senhores presidentes do congresso, a reivindicação feita aos poderes de vocês e a participação de todos os congressistas e mais subcomissões com direito ao trabalho. (Aplausos) Segundo que os diretores da mesa sejam eleitos pelo plenário das subcomissões. E agora, companheiros, com todo o respeito ao conselho de representantes da CNTI, e quero que Deus dê condições ao companheiro Ari Campista que se cumpra realmente a deliberação levantada nesse congresso. Lamento e não quero que seja falta de conhecimento aqueles conselhos de representantes. Eu também tenho muito respeito, como pelos nossos. Jamais poderia ter aprovado um regimento incorreto, não foi para isso que nos foi convocado, como deveria a sua discussão nesse plenário da forma que está sendo feita e apenas fica aqui o meu apelo a todos os congressistas, que na hora de ser colocado em votação essas emendas propostas ao regimento, que votem conscientes pelos seus interesses, analisando que esse congresso só será realizado daqui a cinco anos e outros mais. É a primeira oportunidade que surge de vocês trabalhadores iguais a mim, chegarem e dizerem “as minhas necessidades são tais”. Se eu desejo, ou não, realizar o desejo de um homem que teria condições de ter uma vida razoável e para isso, vamos exigir, analisem as explicações que vocês terão que dar aos companheiros que ficaram dentro das fábricas, e que vocês terão que dar satisfações a esses. (Aplausos) E, saibam dizer aos seus companheiros hoje nós temos de fato, seja ela qual for, a solução que acabe. E que nos unamos num só objetivo, o bem-estar do trabalhador brasileiro, que é essa união que nós precisamos. Não quero desunião criada no congresso, não vai nos levar a nada. Companheiros, muito obrigado, me desculpe, mas é o que eu tinha a dizer. (Aplausos)

Mesa – Vamos conceder a palavra ao terceiro representante indicado para falar o número do grupo, que propõe a discussão do regimento da CNTI, que sugere a aprovação do regimento substituto, convocaremos Rafael do Vale, dos gráficos de São Paulo.

Rafael do Vale – Companheiros, a minha saudação como um trabalhador e dirigente dos trabalhadores no estado de São Paulo, a todos os companheiros do Brasil aqui representados. A mim não resta muita coisa a dizer, porque os companheiros que me antecedera, já fizeram a constatação de tudo aquilo que devem estar a par. Nós trabalhadores depois de quatro congressos, dos quais tive a felicidade de participar. No V Congresso eu tenho a oportunidade de poder fazer o que nos outros nós havíamos pretendido. Eu conto com o amadurecimento do trabalhador, aqui representados, pela evolução da facilidade de trabalhador e dirigente sindical. A prova que está aí de que participamos de um congresso em que o grande número de trabalhadores brasileiros participam. Eu me revolto a parte, do conselho de representantes da CNTI, que por não constar aqui, votou aquilo que por direito não lhe caberia e sim a esse plenário. Companheiros, chegou a hora de nós dirigirmos o destino do trabalhador, o próprio deve dirigir o seu. Nós estamos vendo que há (Aplausos) por parte das autoridades que os “distrita”, o desejo de que o trabalhador discuta diretamente os seus problemas. Eu aqui elogio os devidos companheiros, que tenho certeza votarão com consciência e não presunção. Nós sabemos que este regimento substitutivo que é o maior une-se três pontos capitais; e já estou revisado pelos que me antecederam, que são em síntese dar liberdade a esse plenário que decida e vote. E que resolva todos os problemas de trabalhador, que é o nosso. Eu quero que vocês voltem para as bases com a consciência que cumpriram com o seu dever. Vocês vejam os companheiros das fábricas, levantem a cabeça, encarem os companheiros e digam: “Eu agi com a minha consciência e não foi em função de ninguém. Eu sei que a intenção é sempre boa, mas nós, mesmo que os que dirijam a CNTI, eu acho que eles estão imbuídos das melhores intenções, mas nós somos humanos, e assim nós pecamos muitas vezes pensando que estamos acertando. Então, vamos reconhecer que de fato houve erros, mas vocês ou nós podemos corrigir no plenário. Fica essa incumbência a vocês, que votem, mas que pensem. Ou a minoria decide ou a maioria que deve decidir com o resto dos companheiros. Vamos partir do princípio de que a conscientização dos trabalhadores brasileiros aqui representados, dá um passo, e não vinte companheiros. Votem com consciência, ouçam o que estão dizendo, que é interesse de todos. Eu acredito porque há a melhor das intenções de que saiamos daqui com uma vitória, e essa é de todos nós. É o que eu tinha a dizer. (Aplausos)

Mesa – Vamos ouvir agora o quarto da comissão de cinco membros que se propõe a discussão e a formação desse plenário, e um regimento que substitua o apresentado pela CNTI. O companheiro que usará a palavra é Antônio Fernandes, da Indústria de Sapatos, me parece que da Bahia.

Antônio Fernandes – Companheiros, nós trabalhadores da base do sindicato da Bahia queremos dizer…

Congressistas – (gritando)

Antônio Fernandes – Devemos ao companheiro uma história em que o nosso, ou seja, no primeiro congresso de trabalhadores foi discutido que os companheiros de base eram livres entre os seus sindicatos, estes seriam livres dentro das federações e aos trabalhadores livres dentro das confederações. Mas, isto é os que se propõem a, por questão de consciência, de negócios, esquecem os da base, se elegem dentro dos sindicatos, como presidentes, esquecendo os que participaram. E mais que isso, criando essa divisão. Porque o que nós queremos é que abra as portas para todos, e depois vira as costas. (Aplausos) Eu vejo cidadão que é sócio de sindicato, mas sendo um companheiro de base que não quer aparecer, ele é trabalhador para alguns. Quer destruir porque não vai estar na federação do sindicato. Vai querer comer a alma viva dele. Porque é a base. O que é que nós estamos precisando é a liberdade sindical, porque chegou a hora de que o trabalhador possua a sua, sem intromissão de quem quer que seja. E, finalizando, apelo aos companheiros que aqui estão divididos em certa, quer dizer, é trabalho do regimento que é só de nós todos e não seremos o primeiro da participação de todos os trabalhadores das comissões e subcomissões dê direito a voz de voto. Segundo, que as mesmas pessoas sejam eleitas pelo plenário. Obrigado. (Aplausos)

Mesa – Agora, vamos ouvir o quinto e último membro da comissão de representantes do grupo divergente, que propõe a constituição do regimento apresentado pela CNTI. O companheiro João Paulo Luiz de Vasconcelos, do Sindicato dos Metalúrgicos de João Moulevarde, de Minas Gerais, com a palavra. (Aplausos) (Pausa)

João Paulo – Primeiramente, eu gostaria de fazer um pequeno reparo às palavras do companheiro Ari Campista. Não é por divergência, é por destaque. É muito diferente. (Aplausos) Companheiros, eu vou me apresentar para aqueles que não me conhecem. Sou metalúrgico, sou do interior de Minas Gerais, de uma pequena entidade operária. Eu faço um apelo a todos aqui presentes. Um apelo a consciência e a razão. Na direção do nosso sindicato nós temos oportunidade de debater os nossos problemas do dia-a-dia, de sentirmos a miséria dos nossos companheiros. Constatamos com muita tristeza mesmo, que até o seu dia de aposentadoria sai de casa preocupado porque não tiveram outra condição de deixar nem o leite, nem o pão. Essa análise não pode deixar de ser feita. Historicamente o trabalhador foi massacrado.

Congressista – Está apelando.

João Paulo – E ainda hoje continua sendo. Nós estamos na completamente distanciados de tudo. Atravessamos a situação difícil, teríamos que remontar ainda fatos históricos desde 1945, que nós conseguimos o que hoje diz uma frase de um grande líder democrático, mas aqueles que trocarem terra ao trabalhador, as reformas sociais, uma distribuição mais justa da renda nacional, para que o trabalhador tivesse condição de alimentar a sua família, de ter a sua moradia, de se vestir bem, de se educar, de ter a possibilidade do lazer. Infelizmente nada disso se conseguiu. Hoje verificamos que a travessão dos naufrágios que é normalidade na vida do marinheiro. E constatamos que o “status” se encontra distanciado na razão, e no momento em que discutirmos esse regimento, verificamos que esse acentua esse distanciamento. Eu trago as mais e justas reivindicações dos meus companheiros. Infelizmente o regimento interno que foi proposto pela CNTI, eu não terei condições de colocar. De modo que aquilo que propomos aqui, meus companheiros, é que todos sejam livres, e que esse congresso tenha características de uma constituinte, que todos tenham voz de voto. Lamento profundamente que tenha feito uma votação antecipada, porque os companheiros se separaram antes de saber de nós, líderes sindicais de base que aqui estamos. (Aplausos) O que propomos? Nada mais propomos, companheiros, que a minoria na qualidade de líder do trabalhador, e aquele que estiver contra isso está contra si mesmo e pondo as próprias famílias (Vaias) de saírem de casa. (Vaias) Tudo o que tem reclamado o trabalhador, não se teria condições de discutir aqui dentro do temário do V Congresso Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias, os seus assuntos mais ousados, o trabalhador não terá vez enquanto permitirem esse estatuto que aí está.

Congressista – E você é o salvador, hein!?

João Paulo – De modo que o que precisamos fazer aqui é que desse congresso saiam as decisões que realmente venham beneficiar a classe trabalhadora. Meus companheiros, que amanhã verem seus filhos em situação difícil, não culpem a liderança sindical, que aqui hoje levanta a voz contra tudo isso que está aí. Tenta-se de uma nova estrutura sindical, até a possibilidade dos trabalhadores negociarem diretamente com os empregadores. Tenta-se de uma efetiva contratação na fábrica, tenta-se a autonomia da liberdade sindical, apesar de que nada disso vai sair daqui.

Congressista – Chega!

João Paulo – Tudo aquilo que implica, nós como operários, cidadãos e pais de família. Infelizmente essas prerrogativas todas nos foram retiradas. (Aplausos) De modo, companheiros, faço aqui mais um apelo, eu repito, pensem naquilo que refresca para o operário, sem reformas sociais nada conseguiremos, nada!

Congressista – Chega!

João Paulo – Não viemos aqui para dividir, queremos colocar em votação novamente o regimento interno da CNTI. Isso se for possível, se os companheiros concordarem introduzir algumas alterações nesse regimento, ou então tomarmos um substitutivo, a participação entre outras subcomissões, o direito de voto de todos. Porque aquele que vem aqui ele não desiste de ter um voto, ele não está representando os companheiros que ficaram na fábrica. (Aplausos)

Congressista – Bravo!

João Paulo – E os presidentes, e relatores das subcomissões sejam eleitos em plenário. Companheiros, é responsabilidade que temos como representantes, e todos nós responderemos por esse funcionamento. (Vaias/Aplausos)

Homem – Companheiros, eu sou o último dos seis oradores para falar sobre o problema do regimento. Quero agradecer o voto de confiança, e que muito me honra que me foi concedido pelos companheiros que estão me apoiando na manutenção do regimento apresentado pela CNTI. (Aplausos) Devo esclarecer por via das dúvidas aqui expostas por alguns companheiros a respeito da conscientização de todos os trabalhadores presentes. Todos são conscientes e tomarão para conformidade seus interesses de seus representados. A CNTI ao convocar esse grande contato, o maior já realizado no mundo entre trabalhadores, teve a preocupação de parcelarem em atividades que se desenvolveram desde o “status” até chegar aqui a este Congresso Nacional dos Trabalhadores da Indústria. Verificamos pelo nosso regimento, que são membros efetivos dos conselhos de representantes das federações filiadas, mas são participantes ativos, efetivos do congresso na conformidade do artigo oito, no regimento em que abre para todos a conscientização sindical a mais de três meses sem que tenhamos recebido nenhuma proposta pelega. (Aplausos) São membros efetivos, os membros sócios e administração dos sindicatos confederados, e mais industriários sindicalizados credenciados pelas assembleias ou reuniões realizadas pelas respectivas entidades.

Congressista – Vai tomar no (*)!

Homem – Fica claro do nosso propósito foi de enfrentar esse congresso de classe.

Congressista – Vai tomar no (*)!

Congressista – Vai calar a boca!

Homem – Tem alguém criando problema, pedimos por favor que o companheiro ou cidadão dessa operação que se retire afim de não provocar tumulto. (Aplausos) Pedimos ao companheiro que se retire. (Pausa) A vontade desse congresso importou imenso sacrifício, principalmente dos trabalhadores da classe, enfrentando problemas de perda de salário, do 13º salário, das férias, do fundo de garantia, mas desprezando a possibilidade desse prejuízo aqui comparecerem atendendo a convocação da CNTI. Eu sei que há uma distinção entre as delegações que processam a contabilidade das suas próprias despesas, e, portanto, delegações reduzidas, e outras delegações que aqui vieram com um número muito grande de representantes, pagando a todos eles não só a diária, não só o transporte, como também o salário que deixaram de receber. Quando aqui se falou em sindicatos grandes e pequenos, nós tivemos em mente o sofrimento porque devem estar passando os delegados que aqui estão pagando as suas próprias despesas do seu bolso. E a eles eu peço desculpas por todos que estão na mesa estarem tomando o seu precioso tempo, que poderia ser dedicado todos, inclusive eu, quando poderia estar sendo dedicado aos objetivos dos Sindicatos democráticos. (Aplausos) (Pausa)

Homem – É o que nós estamos propondo ainda, da forma mais democrática possível, e usando as próprias palavras do Ari Campista, que ele gosta muito de usar isso, respeitar a soberania do plenário. Então esse somos nós aqui, nós queremos discutir o regimento, regimento elitista, um regimento que só permite a participação de seiscentos trabalhadores. Nós queremos que todos participem, enquanto companheiros nossos estão aí discutindo teses importantes. Nós estamos aqui para ouvir palestras. Já chegou o fim de nós participarmos do congresso para fazer turismo, é dinheiro do trabalhado que estás sendo gasto na nossa viagem. Nós viemos aqui para propor teses, para estuda-las, para debater problemas de trabalhadores. Os documentos que os senhores receberam hoje, que encontraram na cadeira, foi um manifesto que trinta e dois sindicatos elaboraram, e já tem muitos mais subscritos. Esse documento já foi entregue as autoridades, dizendo da nossa posição e o que nós pretendemos. Nós queremos tão somente participar dos centros decisórios desse país. Já percebemos que através dessa estrutura sindical não é possível a voz do trabalhador chegar lá em cima. Ela nem chega e quando chega é distorcida. Então nesse congresso, nós pretendemos que se preste para isso. Dessa forma haveremos todos nós de participar dos debates, e não ficar ouvindo palestra. Agora, antes que aconteça isso nós queremos que seja discutido o regimento. E os senhores é que vão decidir como é que vai ser a forma do produto, ou continua como está.

Congressista – Disse muito bem!

Homem – Ou será provado esse substituto que os senhores também receberam, que permite que cada delegado participante tenha um voto. Assim, nós estamos aguardando os diretores da CNTI para que venham dar uma solução. Para que venham botar o regimento em discussão. Os palestrantes parecem que não chegaram ainda.

Congressista – E será que vão chegar?

Homem – Nós estamos pedindo apenas isso. Que democraticamente o regimento seja submetido ao plenário do congresso. Só isso. Nós vamos continuar aguardando. O companheiro Lula vai falar qualquer coisa para vocês também. (Aplausos)

Homem – Companheiros, eu venho de Minas Gerais, sou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de João Molevade. Como disse o Ari Campista no relatório de 1975, nós somos líderes sindicais interioranos, inocentes úteis da grande imprensa subordinada ao capital externo. Mas ele não põe nome aos bois. Ele sempre passa superficialmente em todos os assuntos que nos interessam. E principalmente nesse congresso. Ele tenta nos utilizar para dar uma demonstração de prestígio de que ele não gosta. (Aplausos) Não se pode considerar um congresso democrático sem que se submeta a apreciação dos companheiros presentes o regimento, sob o qual o plenário deverá fazer as suas proposições. Não se pode restringir a palavra de ninguém, nem a participação. Hoje infelizmente o exercício de voto está limitado dentro das nossas entidades, como está fazendo aqui hoje o senhor Ari Campista. De maneira que, o que se deseja aqui é que todo aquele que tiver uma ideia, que ela seja acolhida no plenário. Ele irá dizer que esse congresso não teria fim, absolutamente o plenário decidiria sobre as prioridades dos temas apresentados. Quando se apresentou…

Congressista – Companheiro, um aparte. Decidiria, não. Deve decidir o plenário.

Homem – Não. Mas é caso seja aprovado o regimento interno.

Congressista – Sem dúvida nenhuma.

Homem – Ele quis alegar que o substitutivo apresentado era uma ideia somente de São Paulo, absolutamente. Isso está dentro do interesse divisionista da CNTI, que nunca desceu às bases para consultar os trabalhadores. Há uma união em torno dos objetivos comuns, por isso é que o sindicalismo hoje não consegue aquilo que o trabalhador necessita. E nós não tentamos dividir nada com esse substitutivo. Ele alega que nós queríamos afastar as federações. Absolutamente, as comissões e subcomissões deveriam ser escolhidas em plenário. Agora, mais um aspecto, segundo ele, estão inscritos seis mil companheiros nossos. Somente doze mil e quarenta terão direito a voto. Isso nós não podemos consentir. Temos que discutir aqui o problema político, da eleição direta, da constituinte, da anistia ampla e irrestrita.

(Música alto)

Congressistas – Muito bem!

Congressista – Chega!

Congressista – Abaixa esse som! (Vaias) Pelego, abaixa esse som!

Congressista – Viva a democracia!

Congressista – Cadê a educação de vocês?

Homem – Eu vou ficar aqui mesmo, não vou sair, não!

Congressista – Não sai não, companheiro. Não sai.

Congressista – Muito bem!

Congressista – Pode ficar aí, companheiro. (Música bem alto)

Homem – Manda o pessoal acalmar, acalma um pouquinho.

Lula – Pessoal, o que eles querem é exatamente nos tocar daqui.

Homem – Nós vamos ficara aqui.

Lula – Nós não vamos sair daqui. (Aplausos) Vamos exigir que coloquem educação no congresso. Essas jogadinhas sujas de querer nos tocar daqui para depois justificar que nós somos bandoleiros, que nós estamos querendo deturpar o congresso. Nós não vamos aceitar. Vamos ficar aqui e exigir a colocação do regimento em discussão. (Aplausos)

Congressista – Aí, companheiro!

Lula – Companheiro, o que é lamentável é que mais uma vez se desconfia de um grupo de trabalhadores, chefes de família, que estão aqui. Um grupo de homens que nada mais fizeram nessa terra do que a enriquecer. Vêm participar de um congresso e são tratados como bandidos, como estamos sendo. Eu acho que nós devemos dar aqui uma demonstração de hombridade, ficar aqui dentro e exigir da direção da CNTI uma posição com relação a nossa proposta. (Aplausos) Nós não queremos em instante algum que vocês entendam que queremos que a tese que propusemos seja aprovada, o que queremos é pura e simplesmente que seja colocada para apreciação de vocês. Se for derrotada, nós acataremos a decisão da maioria.

Congressista – Muito bem, Lula!

Homem – Ô! Lula consulta o pessoal aí, a não participar das comissões enquanto não se votar isso.

Lula – Olha, eu pediria…

Congressista – Carapuça… (Música bem alto)

Muqueca – Deixa os operários falarem, seus filhos da (*)!

Lula – Ô Muqueca! Eu pediria a vocês o seguinte, primeiro não poderemos em nenhum instante perder a linha. Nós precisamos nos portar como homens. Eles vão ter que desligar isso aqui para poder começar. E nessa hora nós começamos a atuar aqui dentro. Olha! Ninguém deveria ir participar das comissões até que o Ari Campista resolva discutir conosco a igualdade de condições.

Congressista – Certo!

Congressista – (Mulher) Eu me recuso a participar dela.

Lula – Tem uma companheira aqui que está inscrita na comissão, e ela já se recusou a participar dessas.

Congressista – Onde não haja o diálogo, não há congresso com o trabalhador.

Lula – Olha! Eu acho importante nós ficarmos aqui sentados e esperarmos começar os trabalhos para podermos falar. Eu acho importante o seguinte, nós fomos conversar com o comandante da polícia que está aqui, e há uma ordem do Ari Campista para que nós não nos aproximemos do palco. Nós trabalhadores que viemos de tão longe, que temos o objetivo de discutir problemas do trabalhador do Brasil inteiro. Não podemos nos submeter as decisões que venham a castrar o trabalhador como o Ari Campista quer.

Congressista – Falou, Lula! (Aplausos)

Congressista – Calma! Calma!

Congressista – Vamos acalmar aí o pessoal. Vamos acalmar! (Tumulto)

Congressista – Eles querem isso.

Congressistas – Atenção, hein! Companheiros!

Lula – Ô pessoal, vamos ficar quietos. Eles estão querendo que nós baguncemos, e nós não vamos fazer isso. Então vamos ficar quietos.

Congressista – É isso aí! (Aplausos)

Arnaldo – Nós queremos é que seja discutido o regimento. Não queremos nada demais, queremos é democracia nesse congresso, é isso. Que seja discutido e aprovado pelo plenário, não é nada diferente. Simplesmente que use uma democracia. Que todo mundo tenha direito de participar.

Homem – Fala para o pessoal ir nas subcomissões.

Arnaldo – Companheiros! Vamos sentar aqui e vamos usar a palavra. Desligou a música, vamos usar a palavra. (Música parada)

Congressista – Arnaldo, olha lá o cara chegando. (Cara do som)

Arnaldo – Não tem conferencista hoje. Nós vamos usar a palavra.

Congressista – Ô! O cara já sentou.

Arnaldo – Não vai ter conferencista. Ou se usa a palavra ou se põe em discussão o regimento. Ou não se tem conferência. É isso aí, cara!

Congressista – Muito bem, companheiro. (Aplausos/Pausa)

Homem – Um congresso de seis mil trabalhadores em que se participe só seiscentos. Isso não é possível. Vem pessoal do Rio Grande do Sul, pessoal do Norte, e nós ficamos aqui reunidos só assistindo palestras. Isso não tem sentido.

Congressista – Queremos o regimento, companheiro.

Homem – Nós queremos eleição do regimento. Nós queremos colocar em discussão. Não vai ter conferência hoje. (Aplausos)

Congressista – Regimento! Regimento! (Pausa)

Entrevistador – 14:30.

Congressista – Regimento…

Congressista – Vamos discutir o regimento.

Congressista – Nós não queremos ouvir conferência.

Congressista – João Paulo. João Paulo está falando.

Congressista – Se eu fosse o João Paulo, eu tomava o microfone. (Vaias)

Homem – Não. Isso é uma ameaça. Eu não vim aqui para discutir o regimento com você. Eu vim apenas como um emissário da turma.

Congressista – Nós queremos a renúncia dele.

Congressista – É. É melhor.

Congressista – Eu acho que para o bem do sindicato é a renúncia do Ari Campista.

Homem – Eu fui falar com o Ari Campista e ele não concorda em colocar o regimento.

Congressista – Sindicato não tem dinheiro nem para construir…

Entrevistador – Mas é aqui do Rio?

Homem – Não, de Além Paraíba, Minas Gerais.

Entrevistador – Minas Gerais!

Entrevistador – O Anderson Franches Reis.

Entrevistador – Quantos anos você tem?

Anderson – Vou fazer quatorze anos em setembro.

(CNTI falando no palco)

Entrevistador – Seu tio Jarbas que é o presidente do sindicato? É Jarbas do que?

Anderson – Vani Fauso.

(CNTI falando: em que não congresso de trabalhadores…)

Congressista – É verdade.

CNTI – Logo a seguir vamos resolver…

Congressista – Não fala para baixo, hein?! (Aplausos)

Entrevistador – Ele te pediu para você votar?

Anderson – Eu estou o procurando, mas não sei…

Entrevistador – Você não sabe em quem votar?

Anderson – Se eu fosse votar, eu ia naquele que estava gritando aqui.

Entrevistador – Qual? Esse que estava falando agora?

Anderson – Não. Que veio aqui na frente gritando. Até esqueci o nome.

Entrevistador – Regimento.

Anderson – Regimento.

Entrevistador – Ah, sim! Você ia votar nisso?

Anderson – Porque eu acho que o trabalhador merece ter um aumento.

Entrevistador – E você acha que o regimento ia ajudar?

Anderson – Eu acho que ia.

Entrevistador – E o seu tio?

Anderson – Ah! Isso eu não sei.

Entrevistador – Se ele disser para você que não deve votar, você deve votar no outro. Esse que não quer que o trabalhador participe. Você vota no outro?

Anderson – Não.

Congressista – Turista. (Assovio)

Entrevistador – Como é o nome da firma em que você trabalha?

Anderson – A que eu trabalho? Eu não trabalho, não.

Entrevistador – Ah! Você não trabalha? Você faz o que?

Anderson – Eu estudo.

Entrevistador – Mas, você é do sindicato?

Anderson – Não.

Entrevistador – Mas, você veio pelo sindicato?

Anderson – Vim, eu vim com o meu tio. Mas não sei se vim pelo sindicato.

Entrevistador – Ah, sei! Então, você não pode votar?

Anderson – Não sei, acho que não.

Entrevistador – O seu tio que é presidente do sindicato? Mas, quando ele disser para você votar no cara do regimento?

Anderson – Eu acho que eu voto no que eu quiser, assim… no que eu acho.

(CNTI falando)

Entrevistador – É FTI 06, que é isso? Você sabe?

Anderson – Não.

Entrevistador – Está legal, obrigado.

Anderson – Eu acho que o meu primo sabe. Vou perguntar para ele.

Entrevistador – Está legal. Essa política de organização, não se pede basta a esses depostos. E demonstramos que essa aqui pode. Não se pede pela liberdade de manifestação de expressão dos trabalhadores. Não pede pelo… (Tumulto)

Mesa – A mesa pede atenção para orador que está falando. (Pausa) (Congressistas falando/Aplausos)

Mesa – E passamos a palavra ao companheiro José Ferreira Lima (Aplausos)

Homem – O companheiro Eli disse aqui que a maioria dos dirigentes sindicais não estão preparados, infelizmente é verdade. E o que fazer? Uma sugestão, ao regressarem a suas bases, participem com a sua consciência, como vocês estão preparados e mais. Sigam a sua consciência. Finalmente tenho aqui a revisão, o informe a respeito dos cursos. Eu vim apresentar uma emenda, três meses existe… (Aplausos)

Mesa – Que acaba de deixar o microfone, passo a palavra ao companheiro Walter Cruz Pereira Lima, do Rio de Janeiro.

Walter Cruz – Senhores componentes da mesa, companheiros do plenário, em primeiro lugar eu gostaria de fazer uma sugestão ao presidente da mesa, para que ao chamar o orador, anuncie o seguinte, para que aproveite o máximo do seu tempo. Agora, companheiros, desejo reportar-lhes sobre a questão de aumento de salário, que a meu ver a maneira vem sendo, os reajustamentos salariais foram crescendo, isso está errado, acho necessário que se crie ou se adote um sistema diferente, porque atualmente o gerente de empresa que percebe cinquenta mil cruzeiros de salário, quando tem aumento de 40% o seu salário é elevado em vinte mil cruzeiros. Quer dizer, tem vinte mil cruzeiros de aumento. No entanto o trabalhador que percebe um salário de dois mil cruzeiros, ele recebe uma migalha de oitocentos cruzeiros (Aplausos). Por isso, companheiros, eu peço ao Rener para encaminhar a tese seguinte, e ser ajuntada a esse documento que foi lido.

Mesa – Companheiro, a mesa quer fazer uma manifestação, o companheiro Walter Cruz Pereira de Lima, não acompanhamos as teses.

Walter Cruz – Há um aparte que pode ser adotado como emenda, a adesiva que eu passo a ler agora. Que os aumentos possam ser feitos observando os seguintes critérios: 1) Calcular o índice dado pelo governo quanto o aumento na folha de pagamento da empresa. 2) Dividir o valor a ser aumentado em partes iguais pelo número de empregados que tenha a empresa. Exemplo: a empresa tem cem empregados, a folha de pagamento é de um milhão de cruzeiros, o índice é de 40%. Então o aumento a ser dado é de quatrocentos mil cruzeiros sobre a folha de pagamento, que dividimos por cem funcionários, cabe quatro mil cruzeiros a cada um. Essa é a proposta que eu envio a mesa. Agora, para completar o meu pleito, eu desejo lembrar ao companheiro, ao presidente da mesa, senhor Ari Campista.

Ari Campista – Seria uma homenagem maravilhosa.

Congressista – Oh! Oh!

Walter Cruz – É sobre aquela proposta que eu fiz no Sindicato dos Metalúrgicos, para visitar o conjunto residencial que está ocupado pela polícia. Depois de serem despejados, os seus moradores. É em Nova Iguaçu, no bairro Esplanada. O companheiro se comprometeu a fazer, através do companheiro João Alberto do Sindicato de Santo André, São Paulo.

João Alberto – Companheiros congressistas, não viemos aqui somente para divergir, mas também para apresentar sugestões concretas que venham atender as necessidades básicas da classe trabalhadora, e de todo o povo brasileiro. Desde o Estado Novo as leis do nosso país são instrumentos odiosos para garantir os privilégios de nossos exploradores. Hoje temos no Brasil apenas duas classes, a dos exploradores do povo brasileiro que constitui a burguesia minoritária, e os exploradores que são a maioria esmagadora. Portanto, para que se modifique esse estado de coisas, se faz necessário fazer algumas proposições para serem encaixadas nas resoluções da política nacional de desenvolvimento. Somos mais modestos quando nos referimos a questão do salário mínimo. E um companheiro propôs aqui que eu queria apenas 10% do salário do nosso presidente da CNTI. Queremos apenas o salário mínimo imediato de cinco mil cruzeiros. Nos países desenvolvidos os salários mínimos que hoje vigem correspondem na conversão da moeda a dez mil setecentos e treze e quarenta e dois centavos, e nós não estaríamos longe dessa importância se todas as despesas de uma família média, um casal e dois filhos fossem levadas em conta para efeito da decretação do salário mínimo, pelo estudo do DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos). O custo de uma ração mínima, prevista em lei, baseada em estudos científicos a respeito da necessidade do organismo humano, está arcada hoje em seiscentos e setenta e oito e setenta e cinco centavos por pessoa. Assim, só para comer essa família necessita de dois mil trinta e seis e vinte e cinco centavos, incluindo-se outras despesas, como habitação, vestuário…

Mesa – Tempo do orador esgotado.

João Alberto – Higiene e transporte. Essa mesma família precisaria de um rendimento…

Mesa – Tempo do orador esgotado.

João Alberto – No mínimo quatro mil duzentos e trinta e três e trinta e sete centavos. Eu pediria a mesa que eu concluísse.

Mesa – Tempo do orador esgotado.

João Alberto – Para que fosse apresentado todos os trabalhos…

Mesa – A mesa está aplicando o regimento do congresso aprovado pela maioria.

João Alberto – Aí está.

Mesa – E pedimos ao orador que abandone o microfone. O seu tempo está esgotado. Na conformidade do regimento…

João Alberto – Aí está o que diz o representante…

Mesa – O seu tempo está esgotado, companheiro.

João Alberto – Dos trabalhadores…

Mesa – Está prejudicando…

João Alberto – Aí está.

Mesa – O andamento do congresso…

João Alberto – A democracia que se propaga nesse país.

Mesa – Abandonar o microfone, companheiro. Ocupou o seu tempo.

João Alberto – Aí está a ditadura da mesa.

Congressista – João.

Mesa – Talvez não tenha sido um sucesso, mas ocupou o seu tempo.

Congressista – João. (Congressistas vaiando)

Mesa – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar o microfone e deu a palavra.

Entrevistador – Cada orador tem quantos minutos?

Homem – Cinco minutos.

Mesa – A mesa chama o companheiro Antônio Carlos, de Bragança Paulista.

Antônio Carlos – Companheiros da mesa, meus caros congressistas, nesse momento venho registrar um fato lamentável ocorrido neste congresso. Como representante do Sindicato do Estado de São Paulo, de um modesto sindicato de trabalhadores nas indústrias de alimentação de Bragança Paulista, fui impedido de participar da comissão número quatro, porque… (Aplausos) Vim aqui para participar democraticamente e não para receber imposição de quem quer que seja, porque sou dirigente autêntico e não um dirigente do âmbito. (Aplausos) Meus companheiros, quero registrar o fato. Quando fiz a minha inscrição e adentrava no recinto da comissão, naquele momento estava sendo reunida aqui no plenário, a mesa para discutir o regimento interno. Isto é, em confronto com o regimento substitutivo apresentado por um grupo de trabalhadores da grande São Paulo, cujo Estado muito me honra e muito me orgulha, de dirigentes sindicais autênticos. No caso de um grande companheiro, o Lula. (Aplausos) Então, meus companheiros, naquele momento eu pedi a mesa, ao responsável pela comissão, para participar no plenário. Porque eu sei que a vontade do plenário é soberana, e não poderia esse ficar marginalizado do processo que iria homologar o regimento deste congresso. Portanto, e voltando a base, tenho que justificar a minha participação no conclave. (Aplausos) Meus companheiros, neste momento retiro do bolso do meu paletó, que a comissão de número quatro constada com desdobramento nas subcomissões, de assuntos importantíssimos, quais sejam: salário, remuneração, adicionais. Desculpe, meus senhores, que já estou completamente embargado pela emoção da autenticidade ao representar os trabalhadores, não só de São Paulo, mas de todo o Brasil. (Aplausos) É o problema da reposição salarial, é o do fundo de garantia, que vem encontrar nesse país uma odiosa rotatividade da mão-de-obra. (Aplausos) E eu tenho uma tese para revogar esse substituto, mas não pude participar. Portanto, venho fazer o meu veemente protesto. Porque nós estamos aqui participando democraticamente, a poucos dias mesmo acompanhando a edição da Folha de S. Paulo, o nosso eminente presidente da república, general Ernesto Geisel propalava, pregava, expugnava pelas reformas do país. E eu venho aqui defendendo essas reformas. Porque vendo que sem a valorização do homem e consequentemente a liberdade sindical, não haverá redemocratização nesse país. (Aplausos) São palavras que partem de um dirigente que vem falar em nome de trabalhadores. Porque o meu sindicato nem sequer aparece no mapa. Represento três mil trabalhadores, como temos representações aqui com quase “trezentos milhões” de trabalhadores. Mas a voz desse dirigente é autêntica, como é de um que representa “trezentos milhões” de trabalhadores. (Aplausos) Porque o meu objetivo não é defender apenas trabalhadores da Grande São Paulo, mas do Brasil. Tenho dito. Muito obrigado, companheiros. (Aplausos)

Mesa – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar a mesa. Chamamos o companheiro Gama Filho, Maceió, Alagoas. (Aplausos)

Gama Filho – (de Alagoas) Senhores componentes da mesa do V Congresso, companheiros trabalhadores do Brasil, senhores e senhoras. Meus companheiros, ouvindo com atenção os trabalhos do orador da comissão, porque vimos trabalhos já dando o nome. Nosso ponto de vista, o ponto que refere sobre o piso, e era uma parte, um dos pontos é da participação dos trabalhadores nos lucros da empresa, apenas a nossa observação é sobre a maioria da sua disposição. E nos grandes Estados eles são distribuídos, como é no nosso pequeno Estado, através da Caixa Econômica ou nos bancos autorizados, nós veremos porque esse país é enorme e muitos trabalhadores foragidos pelo interior do Estado, têm dificuldade para receber do nosso governo para aceitar esse potencial. O nosso ponto de vista é para receber essa disposição feita através da empresa, pudesse ser feita ao salário família. Então talvez assim facilitasse aos trabalhadores a receber. E não perder tanto tempo para ter essa parcela. É uma sugestão que nós apresentamos a essa comissão, se ela aceitar para que esta seja eleita. Segundo, o nosso ponto de vista, nós representamos na discussão a campanha salarial. É um problema de fato que vem trazendo grandes dificuldades a toda nossa pátria. Porque a questão salarial preocupa todo o brasileiro de consciência. Nós sabemos de que é uma dificuldade chegar a uma conclusão para que contente a todos os trabalhadores. Nós de Alagoas aqui, tentamos manter no sentido de um salário nobre, dos trabalhadores e que fosse revisto de acordo com um salário de fome o padrão de vida. Este é o teste de elevação com um exemplo de noventa dias, esse salário nobre talvez seja elevado de acordo com esta tabela de juros, sendo estudados pelos órgãos competentes do governo. Verifica-se que subiu o padrão de vida. O trabalhador talvez tivesse direito a correção de seus salários. Porque o trabalhador não tem direito algum. Então, nosso ponto de vista é esse. Talvez fosse uma solução para que o trabalhador não fosse o único realmente que sofresse nessa questão de salário. Bem, gente, muito obrigado por tudo. (Aplausos)

Mesa – A mesa agradece o companheiro que acaba de deixar o microfone e passa a palavra a Antônio Macionino dos Santos, de Recife, Pernambuco. (Pausa)

Antônio Macionino dos Santos – Senhores membros da mesa, diretor do congresso, companheiros congressistas, estou aqui para falar sobre a política salarial, principalmente sobre o salário mínimo. Com referência a ele, eu queria adiantar que deveria existir o salário igual para todos no Brasil, através do dissídio coletivo, mesmo porque estaria beneficiando a própria política do governo, quando deseja fixar o homem em sua terra de origem. Portanto, o que está acontecendo com o Norte, e que quando uma pessoa vem ao Sul a procura de melhores dias, e depois deseja voltar, não pode fazer, pois não é possível regredir o seu salário. É obrigado a continuar a viver no Sul, mesmo contra sua vontade. Entretanto, as empresas transferidas para o Norte, com quase todos os benefícios do governo, isenção de impostos e etc., e paga salários baixos, mesmo assim vende os seus produtos muito mais caros do que os seus similares do Sul do país. Portanto, peço que seja aprovado por este congresso, que substitua um aditivo no sentido de ser criado um índice regional até que haja igualdade dos dissídios coletivos. O governo não pode condicionar salário com produção, porque sem salário não há produção. E com referência aos nossos companheiros do Sul, principalmente de São Paulo, que desejam um apoio dos nossos companheiros do Norte, eu acho que eles estão tratando muito abaixo. Não é com sugestões através de jornais em torno do sindicato do Norte, que eles vão conseguir o apoio do Nordeste. O Nordeste é de homens pobres de fato, mas que são honrados, e não se vendem por bicicletas como estão no jornal. (Aplausos) Eles querem ser os donos do sindicalismo brasileiro, mas estão muito abaixo da política sindical brasileira. Muito obrigado. (Aplausos)

Mesa – O componente agradece a presença do companheiro que acaba de deixar a tribuna. Chama o último orador do substituto, a seguir ao último orador inscrito. Passaremos a palavra ao orador do Paraná, companheiro Emídio Inácio da Silva, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com a palavra.

Emídio Inácio da Silva – Companheiros, industriários brasileiros, aqui vai a nossa saudação. Nós queremos nessa oportunidade ao estar ocupando essa tribuna, dizer a todos que nos ouvem, que aqui realizamos um congresso de trabalhadores industriários do Brasil. Portanto, na nossa opinião, respeitando a de nossos companheiros, das suas manifestações das suas dizendo que nós achamos que está sendo realizado aqui no Estado do Rio de Janeiro algo muito importante para a família operária industriaria brasileira. E é por isso mesmo que nós registramos que aqui passou, e os companheiros que aqui falaram, falaram com conhecimento de fato. Falaram por sua própria vontade e alguns não entenderam sobre aquilo que se tratava, mas falaram, disseram o seu pensamento, e foi aprovado na comissão direito de greve. (Pausa)

Ari Campista – Como se trata de uma emenda rejeitada, porém antecipadamente em votação, os que concordam com a decisão tomada pela mesa da comissão, rejeitando essa proposta, permaneçam como estão. Os que votam favoravelmente à proposta queiram por favor levantar o braço. (Pausa)

Mesa – Eles não entenderam.

Congressista – Precisa esclarecer o motivo da votação.

Ari Campista – Vou voltar a colocar o problema. (Pausa) Os que são pela rejeição da emenda apresentada devem permanecer como estão. Os que são favoráveis…

Congressista – Leia a emenda novamente.

Ari Campista – Os que são favoráveis a emenda apresentada e que já foi rejeitada pela comissão levantem o braço. Por favor levantem o braço os que são favoráveis a emenda.

Congressista – Tem que ler a emenda.

Ari Campista – Acabei de ler a emenda.

Congressista – Não ficou claro a emenda.

Ari Campista – Querem que leia novamente a emenda. Perfeito.

Congressista – Uma questão de ordem, companheiros.

Ari Campista – Vamos ler…

Congressista – Uma questão de ordem, por favor, se me permite.

Ari Campista – Pois, não, companheiro. (Pausa)

Congressista – (Questão de ordem) Agradeço a princípio a mesa de ter me concedido a questão de ordem, porque vejo necessário. Companheiros congressistas aqui presentes, trabalhadores de todo o Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Companheiros do Nordeste, do Rio Grande do Sul, aqui do Rio de Janeiro, sinto-me no dever de usar a palavra, levantando uma questão de ordem para que possamos prosseguir um trabalho mais honesto, mais decente, mais coerente. Não vim aqui para criticar nada. Vim aqui, senhor presidente do congresso, para tentar amenizar a situação. Não quero levantar o nome de pacificador e não quero aparecer, e agradeceria muito a imprensa se gentilmente pudesse evitar divulgar a minha pessoa e meu nome. Porque o meu objetivo é único como tantos quantos aqui estão, e a realização do congresso, a união e a unidade do trabalhador brasileiro.

Ari Campista – Agradeceríamos ao companheiro se fosse mais objetivo na sua questão de ordem.

Congressista – (Questão de ordem) Companheiro Ari Campista, na forma dividida que está este plenário, na forma dividida que está se conduzindo as votações. Não digo conduzido pela mesa, mas que estão divididos por questão de ideologia de cada um, não se chegará a uma votação consciente e real. Então eu sugeria, pediria aos meus companheiros que se unissem, que acabasse com essa divisão que está sendo feita, companheiros. (Aplausos) Que enquanto um fala de cá, os daqui que se misturem com os de lá. Porque não é possível nós continuarmos com uma votação aonde se lê as emendas, aonde se põe em votação, e todos dizem que não entenderam. Então, companheiros unam-se por um ideal único. Os daqui passem para lá, e os de lá passem para cá. Basta se unir. O trabalhador não pode ter essa divisão na hora da decisão. A decisão tem que ser unânime. Eu acho que não é esse o ideal, de nos dividirmos aqui no momento. Porque essa divisão, quando os de lá aplaudem, os de cá vaiam, os do outro lado ficam balançados. Vamos nos unir, companheiros, vamos tentar ficar juntos, vamos dar a mão. Nós somos todos trabalhadores. Por certo, todos aqui já foram levantados e foram criticados. Agora vamos tentar consertar o pouco que nos falta, e apresentarmos um trabalho decente e consciente com todos nós. Sem rixas, sem rivalidades de Norte, Nordeste, ou Sul ou Oeste. Isso não interessa ao trabalhador. Interessa a nós a nossa união, a nossa força. Vamos demonstrar para esse poder…

Ari Campista – Companheiro!

Congressista – (Questão de Ordem) Para essa mesa. Eu sei que não é uma questão de ordem, companheiro Ari, mas se fazendo necessário. Porque eu estou a ponto de ter um infarto, de ver a desunião do trabalhador. E que não nos levará a nada. E se continuar a desunião, grande parte eu tenho certeza que irão se retirar. E que não é esse o objetivo do congresso. Eu agradeço a mesa.

Ari Campista – A mesa agradece a intervenção do companheiro que levantou uma questão de ordem. E vou passar a atender ao pedido feito por um grupo de congressistas, no sentido de reler a proposta que está sendo submetida à aprovação da casa. A proposta é a seguinte: proponho que os aumentos passem a ser feitos, observando-se os seguintes critérios: 1) Calcular o índice dado pelo governo, quanto aumenta na folha de pagamento da empresa. 2) Dividir o valor a ser amentado em partes iguais pelo número de empregados que tenha a empresa. O companheiro relator da comissão alegou que deixava de acolher e rejeitada a proposta que é uma emenda aditiva. Porque se aplicada diminuiria o valor aquisitivo dos empregados que tivessem salários um pouco maiores. De forma que agora eu vou consultar ao egrégio plenário se aceita ou rejeita a emenda aditiva. Estou em votação, não posso mais permitir a palavra. Lamento fazê-lo. (Pausa)

Mesa – Pela ordem.

Congressista – Peço a palavra, pela ordem para defender.

Ari Campista – Companheiros, nós já estamos em votação.

Congressista – O assunto é muito importante. Peço pela ordem da palavra.

Ari Campista – A sustentação foi feita pelo orador que apresentou a proposta e os argumentos contrários foram aqui trazidos pelo relator da matéria. Entendo que a fase de discussão está encerrada. Vamos a fase de votação, assim se procede sindicalmente. Os que estiverem a favor dessa emenda queiram se conservar como estão. Os que estiverem contra a emenda queiram por favor levantar o braço. (Pausa) Companheiros, está visível que os que estão contra a emenda levantaram o braço. Emenda rejeitada pelo plenário. (Aplausos) Vamos pôr em aprovação o relatório e a proposição da comissão número um. Pedimos atenção para a votação.

Relator – Tem uma rejeitada.

Mesa – Do divórcio?

Relator – Não, essa questão do divórcio, eu rejeitei baseado que os fundos são criados para beneficiar a família. Porque aqui nós iríamos estimular o divórcio e aí os dois…

Ari Campista – O relator da comissão me lembra que ainda há uma proposta que foi rejeitada por ele. E a proposta é a seguinte: apresentada pelo sindicato de Goiânia, pedimos a atenção da casa. Pedimos silêncio por favor. (Pausa) Que é isso aqui, hein!?

Relator – Saque.

Ari Campista – Saque emendar a proposição trinta e três. Saque 50% do montante da conta do PIS para a despesa do divórcio. O relator da comissão rejeita a proposta apresentada e defendida por um dos oradores, porque entende que o PIS foi montado e funciona em defesa da família. Entende, portanto que o dinheiro não deve ser utilizado para cobrir despesas de divórcio. A casa está bem esclarecida. (Aplausos) Então, vamos pôr em votação, eu peço atenção da casa. Os que estiverem contra a emenda que acaba de ser lida queiram levantar o braço. (Pausa) Por unanimidade praticamente, a casa decidiu contrariamente à emenda. (Aplausos). Vamos agora pôr em votação o relatório e as proposições apresentadas pela comissão número um. Pedimos atenção da casa. Pedimos que sejam evitados congressinhos paralelos. (Pausa) Companheiros, pedimos por favor que ocupem os seus lugares. (Pausa) Os que estiverem a favor da aprovação do relatório e das proposições da comissão número um, que tratou dos assuntos aqui debatidos e relatados, com a emenda já aprovada por esse egrégio plenário, queiram permanecer como estão. Os que estiverem contra a emenda, contra o relatório e as proposições, queiram por favor erguer o braço.

Congressista – Questão de ordem.

Ari Campista – Em votação não há questão de ordem, por favor. (Pausa) Aprovado pela grande unanimidade e número de congressistas presentes, proclamo aprovado. (Aplausos) A proposição feita pela comissão número um. E neste momento após essa declaração, relembrando aos companheiros que aqui deveremos entrar as duas e trinta para prosseguirmos os trabalhos do congresso, que possivelmente não terminará hoje, e sim amanhã conforme estava previsto. Companheiro, leia o regimento e veja a resposta. (Pausa)

Entrevistador – Habitação, educação e alimentação.

Congressista – Que já nasceu para a formação de um órgão que se proponha a dar educação para todo o trabalhador em cada fábrica, em cada cidade, em todos os lugares do Brasil, ter uma escola, ter um centro de estudos, ter escolas com cursos profissionalizantes. Que o trabalhador possa aprender e debater todos os seus problemas. Mais ou menos isso. Companheiros, muito obrigado.

Ari Campista – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar a tribuna e passa a palavra ao companheiro Sérgio Deoclécio Narcisio, de Santo André, São Paulo.

Sérgio Deoclécio Narcisio – Companheiros, me parece que o forte da orientação no sentido de elaboração das teses é realmente de acentuar a divisão entre os trabalhadores, que se coloca aqui vontades para os sindicalizados, em detrimento dos não sindicalizados. Para mim isso é injusto. Se os trabalhadores a grande maioria não são sindicalizados, é devido a uma estrutura que não permite a participação dele dentro do seu sindicato, antidemocrática e cerceadora das reais manifestações. No geral foi colocado programas de bolsas de estudos. Meus companheiros! O filho não estuda não é por falta de bolsas. O filho do trabalhador não estuda devido a uma “forçante” privatização do ensino, que não o permite pagar os estudos para o seu filho. (Aplausos) Tenho uma observação a fazer com relação as teses apresentadas. Existe uma doença que se dá no coração, cujo primeiro sintoma é a queda das pontas dos dedos, quem concordar com esse tipo de tese está colocando e esparadrapo, ao invés de cuidar do coração. O nosso defeito é de estrutura, estrutura de ensino e não de conjuntura. A colocação de bolsas de estudo é consentir com essa estrutura alienante que não permite ao trabalhador a participação. Não permite o desenvolvimento da cultura dos seus filhos. Quem votar a favor dessas teses que foram apresentadas está consentindo com o crime que vem se fazendo nesse país, pela educação dos nossos filhos. Muito obrigado. (Aplausos)

Ari Campista – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar o microfone e chama a mesa o companheiro Pedro Rocha, de São José dos Campos.

Pedro Rocha – Companheiros, se hoje nós estamos aqui muito bem alimentados. Eu sou do Sindicato da Construção Civil de São José dos Campos, os nossos companheiros trabalhadores da construção civil estão recebendo as mínimas condições de alimentação. Nós estamos batalhando em São José dos Campos para ver se conseguimos alimentação para esses trabalhadores. Isso nós requeremos no dissídio coletivo no Estado de São Paulo, que é aquele de 1977. Mas em 1978, graças a Deus, nós conseguimos fazer com que o juiz votasse a nosso favor, e nós temos a clausula que consta no nosso dissídio coletivo que as empresas foram obrigadas a fornecer alimentação a trabalhadores, de acordo com a lei número seis mil trezentos e vinte e um. Companheiros, a indústria da construção civil, os empregadores como Norte, Nordeste, Minas Gerais, e em outros Estados, ou outros municípios oferecem mundos e fundos a esse trabalhador, e deixa-nos jogados aqui nos imundos alojamentos, fazendo altos descontos na alimentação do trabalhador. Por isso nós pedimos que sejam obrigatórios o fornecimento de alimentação a todos os trabalhadores de alojamento, e que não seja descontado, seja gratuito. Porque se o empregador vai em outros municípios ou outros estados, enganar os trabalhadores com conversa mesquinhas, ele tem que assumir o compromisso de dar alimentação a esses trabalhadores. Essa é a maior luta do nosso sindicato de que seja a luta de todos os líderes sindicais da construção civil. É isso mesmo. (Aplausos)

Ari Campista – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar a tribuna, e chama ao microfone o companheiro Danízio Alberto da Conceição, do Rio de Janeiro. (Pausa)

Danízio Alberto da Conceição – Companheiros, quando nós, a presença de um trabalhador falando aqui nesse momento, embora de maneira limitada, foi conquistado na luta dos companheiros. A exemplo dos que pensam que nós brigamos em favor dos nossos interesses. Na prática nós chegamos à conclusão que os nossos interesses, nós conquistamos na luta. Eu vou dar um exemplo, no Quarto Encontro dos Trabalhadores do Rio de Janeiro foi aprovado uma tese que eu prego, que foi uma relativa derrota para os trabalhadores de todo o Brasil. Embora a última palavra eu creio que ainda não tenha sido dita, que seria 2% descontado do salário de cada trabalhador, para construir um colégio em Brasília. Ora, companheiros, a nossa cultura, a cultura popular que é nossa, a cada dia que passa a nossa condição de miséria, ninguém melhor do que eu pode falar, que tem companheiros que hão de concordar comigo, mesmo que esteja atendendo interesses de pessoas que pertencem a outra classe. Mas, na sua consciência ele vai ver que há pessoas que moram em barracos, há pessoas que passam oito horas no fundo de uma fábrica, há pessoas puxando um saco de manhã à noite, para ganhar um salário de fome. E, agora, companheiros, esta tese que pretendem aprovar aqui faz parte de uma abertura que não foi feita e não foi consultado o trabalhador. Qual o trabalhador que teve condições de discutir essa abertura? E agora aqui esse que aqueles trabalhadores, como ele tem uma cultura limitada, não terá condições de discutir. Qual de nós, companheiros que são verdadeiros trabalhadores que podem chegar aqui e levantar pelo menos um ponto para tese. O problema de divisão da nossa classe não existe no sindicato, existe sim, toda uma classe trabalhadora que tem que se organizar dentro das fábricas para defender os seus interesses. Houve uma frase de um companheiro aqui, que eu não me lembro muito bem qual é o nome, que disse: “É melhor negociar com as máquinas paradas”, e nós temos experiência disso. Companheiros prestem atenção, não aceitem provocação daqueles que não pertencem a nossa classe, nós somos trabalhadores, não importa que eu seja do Rio de Janeiro, porque a coisa é geral. (Aplausos)

Congressista – Muito bem!

Congressista – Muito bem, companheiro!

Ari Campista – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de usar o microfone, e chama a seguir o companheiro Augusto Lopes, de São Paulo. (Pausa)

Augusto Lopes – Companheiros da mesa, desculpem, eu estava me consultando ali, a respeito do valor proposto pela comissão para ser descontado dos salários…

Ari Campista – É muito fraco o negócio…

Augusto Lopes – De todo o Brasil, nós trabalhadores, mas…

Ari Campista – (Comentando na mesa) Bom, mas nós temos que apresentar, porque senão eles apresentam um documento querendo dar curso para nós.

Augusto Lopes – Do que nunca estamos necessitando…

Ari Campista – (Comentando na mesa) Nós temos que usar a cabeça, soltar um outro documento assinado por muita gente apresentando.

Augusto Lopes – E a união, companheiros! Nós conseguimos através da discussão. Eu posso divergir do ponto de vista de outros companheiros, e apresento os meus também. E com isso eu nego a esse meu companheiro o direito de ele falar, por exemplo. Alguns companheiros aqui concordam com o fornecimento da alimentação pelas empresas. Eu particularmente acho que isso é mais um benefício indireto. E nós temos tantos benefícios indiretos aí, que não estão beneficiando na verdade o trabalhador. Alimentação do trabalhador é um problema que será resolvido através de melhores salários. No dia em que o trabalhador tiver um salário condigno, esse não necessitará de esmolas por parte do patrão. Ele vai se alimentar. (Aplausos) Companheiros, pode ser que transitoriamente sirva, pode ser que sirva um fornecimento gratuito da alimentação, porém que isso não represente uma solução de caráter permanente. Que a solução definitiva é o poder aquisitivo restaurado, controlado. Outra coisa, companheiros, que deve preocupar a todos nós é a educação sindical. Qual é o órgão no Brasil que faz esse tipo de coisa?  É uma organização que existe em São Paulo mantida por entidades estrangeiras. Será que o que se discute, será que a orientação que vem de lá é aquela que melhor atende aos nossos interesses? (Pausa) Não seria o caso de nós mesmos possuirmos a nossa escola? Já está na hora, companheiros, mesmo que isso represente uma pequena parcela de sacrifício. Porque aqui foi aprovado na comissão 0,8% sobre o salário mínimo. Todo trabalhador na época do dissídio coletivo, menos de 1% sobre o valor do salário mínimo por ocasião do dissídio coletivo, ou seja, uma vez por ano. Me parece que a proposta original era diferente, era de 2% nas teses. E aqui a comissão aprovou 0,8%. Eu concordo, companheiros, sinceramente eu concordo que nós precisamos ter a nossa escola de educação sindical. Antes que nós tenhamos, que isso pode ser a longo prazo, não sabemos quando. Eu proponho aqui uma emendam enquanto não instalarem esses cursos, nossos estágios devem ser programados a curto prazo. Cursos e seminários em bases municipais, intermunicipais e estaduais, para a preparação de novas lideranças, conquistas. Novos encontros de caráter nacional como esse. Para nós não voltarmos daqui a quatro anos despreparados. Nós veremos, companheiros, preparados desde a base, desde a fábrica, desde o local de trabalho, com os assuntos todos discutidos, desde lá. E tirando daquele meio os nossos delegados. Isso não quer dizer que nós vamos chegar ao encontro nacional com plena liberdade, e iremos discutir desde já o regimento deste encontro nacional. Teremos tempo mais que suficiente. Esta é a proposta que eu faço. Sinceramente acho que devemos criar esse centro de estudos, o Primeiro e Segundo graus nos estados, e o Terceiro em Brasília. Agora, vocês poderão pensar, quem fiscaliza isso? Compete a nós fiscalizarmos, não só a aplicação das verbas, como também o processo que se dá na administração do curso. Desde que nós estejamos vigilantes, esses cursos vão atender as necessidades reais dos trabalhadores brasileiros. Obrigado. (Aplausos)

Ari Campista – A mesa agradece a contribuição do companheiro que acaba de deixar o microfone e chama a mesa o companheiro Jorge da Silva Moreira Filho, de Niterói. (Pausa)

Jorge da Silva Moreira Filho – Boa tarde, companheiros! Quando o motivo que levou aqui no momento é a respeito de ensino dentro das escolas com orientação da CNTI. Eu acho que nós devemos atentar pelo seguinte, o ensino pode virar uma doutrina. A doutrina é a pior coisa que existe. O ensino deve vir de baixo, nós devemos sentir como nós estamos sentindo aqui. Que eu só tenho um ano de mandato. Analisarmos e o ano que vem eu sair com uma tarimba. Agora, orientação é doutrina. Eu acho que é necessário esse tipo de ensino, como orientação sindical nunca deve partir nem de estrangeiros, nem de nacional. Ela deve partir de dentro de nós, e tomarmos conta de nós mesmos. E nós devemos vetar todos os tipos de ensino que nos seja. Mais tarde, pode não ser pela própria CNTI, mas pode ser por um futuro sindicato, ou por certo grupo. Fazermos do ensino uma doutrina política. Eu não quero. Não gostar da doutrina sindical, que o movimento sindical seja levado às escolas, porque pode servir como instrumento de doutrina. É só isso. (Aplausos)

Ari Campista – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar o microfone. Companheiro Augusto Lopes, a sua credencial ainda se encontra na mesa, queira procura-la. Chama ao microfone o companheiro João Carlos Santos, de Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro. (Pausa) (Aplausos)

João Carlos Santos – Antes eu queria uma questão de ordem. É que eu estou vendo que dentro das teses apresentadas pela comissão número três, existem teses que para mim seriam conflitantes, e acredito que seriam para muitos de nós companheiros. Nesse sentido, eu queria fazer um termo de questão de ordem à mesa, que encaminhasse para o plenário, que nós ao invés de votar em bloco as teses da comissão três, votassem uma por uma.

Ari Campista – Companheiros! O regimento é expresso a respeito, ao dizer: “Cumpre ao plenário aprovar ou rejeitar em bloco as proposições referentes a cada item do temário, ressalvado os destaques decorrentes das emendas supressivas ou modificadas imediatamente após a exposição do relato. Abertos os trabalhos o presidente do plenário considerará a mesa diretória da comissão, cujas proposições vão ser apreciadas, concedendo a palavra para fazer leitura da proposição que é uma única pauta”. Da forma que em virtude desse regimento ter sido aprovado pela maioria do plenário, a mesa não tem autoridade para modifica-lo. Mas, nesse sentido da discordância que eu apresentei, é em termos de que os companheiros apresentaram na tese de que aquele trabalhador que tivesse quatro filhos, tivesse direito dois filhos somente a bolsa de estudos. Isso para mim é uma aberração, a partir do princípio que cabe ao Estado a educação. A responsabilidade sobre educação e alimentação do trabalhador brasileiro é tarefa da nossa constituição, está dentro da constituição. (Aplausos) Então, nós exigirmos que somente se dê bolsa de estudo para dois trabalhadores, é um absurdo. A educação é tarefa do Estado. Sobre a questão de alimentação, também levanto outro ponto. Creio que é lógico que os trabalhadores estão defendendo a tese de que as empresas sejam obrigadas dentro de determinado número, que eu não peguei o certo, a conceder alimentação. Vejo também que não basta só isso. Seria no sentido de encaminhar emenda, porque o trabalhador sai de casa para o seu trabalho, realmente sendo assegurado com a alimentação. Não basta, sindicato sabe que a pessoa incerteza a incerteza de um almoço que não sabe se os seus filhos vão ter. Então, também nesse sentido encaminho essa emenda. Vendo também que nós estudamos um pouco mais do que muitos trabalhadores aí, não querendo separar. Nós sabemos que o cérebro de uma criança se atrofia por ausência de satisfações básicas dessas necessidades, tais como alimentação. Então, a tese a se apresentar, seria ter sempre, garantir a todo filho de trabalhador a alimentação condigna, para que seu cérebro não nasça atrofiado, ele não consiga chegar aqui e defender, como muitos estão defendendo teses combativas, a alimentação em termos de cérebro. Então se nós sabemos disso temos que garantir que nossos filhos tenham uma alimentação, para que ao crescer eles consigam avançar em termos de estudo, em termos de aprimoramento. Vejo que o tema que é mais defendido, inclusive pelos órgãos ministeriais, é de que o trabalhador avançaria, ou cresceria e termos salariais se tivesse uma preparação melhor. Eu acho que a educação não deve ser confundida com salários. É lógico que o nosso aprimoramento dará nas nossas técnicas, nos nossos trabalhos diários. Irá repetir é lógico que sempre no nosso salário. Mas fazer disso uma ponte, não cabe. É só isso que eu tinha a dizer. (Aplausos)

Ari Campista – A mesa agradece a presença ao microfone do companheiro que acaba de falar, e chama o companheiro Gilson Luiz de Menezes, de São Bernardo do Campo, São Paulo. (Pausa)

Gilson Luiz de Menezes – Companheiros, trabalhadores de meu Brasil grande e potente. Porque eu entendo o trabalhador como um todo, de Norte a Sul, Leste a Oeste. Porque representando São Paulo sou testemunha que a maioria dos dirigentes sindicais de São Paulo são do Nordeste, e por isso nenhum deles quer dividir essa classe que é explorada pela mordomia que só sabe explorar a classe trabalhadora. Não concordo que se desconte nada do trabalhador. Já se desconta 8% da classe trabalhadora e nós vemos filas e filas do INPS. Gente jogada na calçada, esperando uma consulta médica. De modo que eu não aceito, em hipótese alguma de que se desconte nada de quem já não ganha nada. Não aprovem, eu pediria para que vocês não aprovassem a tese de se descontar coisa do trabalhador. É o momento de nós protestarmos também a esse congresso, que foi um de turismo. Aliás foi procurado uma cidade maravilhosa para que viesse o povo brasileiro gastar o dinheiro do trabalhador em turismo. Sendo expressivos os problemas da classe sofrida, explorada pela mordomia, isso deve ser acabado. Precisamos lutar pela independência sindical a que inflige ao trabalhador. Sem deixarmos infiltrações de partidos em nosso meio para explorar ainda mais a nossa classe trabalhadora. Devemos sim uni-los sobre esses dados e coisas que estão aí. Mas sem deixar que ninguém use o trabalhador como trampolim para mais uma vez ainda ser explorado. Era só o que eu tinha a falar. (Aplausos)

Ari Campista – A mesa agradece a presença do companheiro que acaba de deixar o microfone, e chama o companheiro Enílson Simões de Moura, de São Bernardo do Campo, São Paulo. (Pausa)

Enílson Simões de Moura – Companheiros, eu trabalhava em uma indústria em São Bernardo do Campo, na Volkswagen do Brasil, e lá todos os dias eu vi sair companheiros meus mutilados de dentro da fábrica. Eu já vi morrer lá dentro das fábricas diversos camaradas que comigo trabalhavam. Estou colocando isso aqui para ilustrar um dado objetivo que eu vou levantar aqui e agora. A empresa que eu trabalhei foi beneficiada nesse congresso, porque ela é ao mesmo tempo dona de uma das maiores empresas agrícolas que tem nesse país, para quem se reivindicou os salários do governo. Como se isso não bastasse, companheiros. Como se todas as denúncias que já levantamos não bastassem. Eu gostaria que houvesse alguém secretariando aqui na mesa, que anotasse isso, para ficar nas páginas da história, em que se falasse da vergonha do movimento operário brasileiro. Eu gostaria de fazer uma pergunta a mesa. Quem pagará os 0,2% que se propõe aqui? De quem será descontado? E como? (Pausa)

Ari Campista – Me parece que o companheiro está fazendo indagação sobre uma proposição feita pela comissão que está sendo nesse momento debatido. O congresso poderá acolhe-la ou rejeita-la, antes disso a mesa não pode pronunciar a esse respeito. (Aplausos)

Enílson Simões de Moura – Eu gostaria de lembrar…

Congressista – Uma questão de ordem. Eu acho que o companheiro está pedindo apenas uma explicação.

Ari Campista – Bom, então a pergunta não foi bem endereçada.

Enílson Simões de Moura – Eu queria apenas um esclarecimento. Porque não é a mesa que pode prestar esse esclarecimento, é só o relator.

Ari Campista – Perfeito. O relator quando usar a palavra explicará. (Pausa)

Enílson Simões de Moura – Eu pediria que marcasse o meu tempo agora, que descontasse esse período, e que o relator viesse aqui dar essa explicação que eu pedi.

Ari Campista – O companheiro Luiz Inácio Lula da Silva está pedindo uma questão de ordem.

Congressista – O relator vai responder agora?

Ari Campista – Eu consulto o relator se ele está em condições de explicar nesse momento a consulta que foi feita a comissão?

Enílson Simões de Moura – Eu pediria que marcasse o meu tempo.

Ari Campista – Está perfeito.

Relator da Comissão – Companheiros, esse aqui é o item número um, da subcomissão 3B. Diz o seguinte: “Na celebração anual dos acordos pelas federações e sindicatos conste uma clausula de 0,2% do salário mínimo regional de cada trabalhador, para a instalação do fundo educacional. Vai ser descontado 0,2% do salário mínimo de cada trabalhador para fazer esse fundo educacional.

Ari Campista – Consulto o companheiro que está no microfone se está satisfeito?

Enílson Simões de Moura – Está esclarecido. Então eu gostaria de confirmar de beneficiou aqui algumas empresas e se tirou mais ainda do trabalhador. Se descontou mais ainda do magro salário dos trabalhadores. E gostaria de lembrar ainda, existe mais de quarenta mil de trabalhadores que serão descontados. É muito dinheiro, pessoal. Onde será que vai ser aplicado todo esse dinheiro? (Aplausos) Como será aplicado todo esse dinheiro?

Congressista – Aí.

Enílson Simões de Moura – Nós já estamos vendo que muito dinheiro está sendo gasto. (Pausa)

… meu nome é Carlos Alberto Alves, sou vice-presidente do Sindicato das Indústrias Urbanas de Santos, São Vicente, Cubatão e Guarujá.

Entrevistador – Quantos associados tem?

Carlos Alberto Alves – Dois mil associados. Representamos a categoria de água e energia elétrica. O nosso grupo é bem homogêneo e é composto por três empresas: SABESP, LIGHT e CESP.

Entrevistador –  E essa greve que ocorreu no ABC e em São Paulo, elas tiveram alguma repercussão na sua base?

Carlos Alberto Alves – Ah! Bastante. Porque nós vimos nisso uma abertura, para outras categorias. Eu acho que isso foi sensacional do ponto de vista que conseguiu pôr por terra a lei 4330. Eu acho que essa abertura foi sensacional, todos os sindicatos. Só sentia não poder assumir e colaborar naquilo que também lhe cabia. Mas eu acredito que devagar nós vamos chegar lá.

Entrevistador – E o que representou, os trabalhadores de lá comentaram, como é que foi? Chegou através da imprensa?

Carlos Alberto Alves – É, nós tivemos um problema que foi o seguinte, na época que deflagraram as greves no ABC, nós estávamos com o nosso contrato coletivo de trabalho terminando. Então nós tínhamos uma renovação, e essa foi dia Primeiro de Maio. Então do ponto de vista econômico, com a greve estava surgindo, porque a vigência do contrato de vocês deve ser novembro, outubro, por aí…

Entrevistador – Abril.

Carlos Alberto Alves – Abril. Mas o nosso como era em maio, nós recebemos aquele reajuste que o governo deu, e estamos tentando junto as empresas um aumento daqui a seis meses, quer dizer, para novembro. Nós estamos trabalhando nas bases, já estamos tendo contato com as empresas, e a primeira impressão que nos deu foi favorável, as próprias empresas são favoráveis a um reajuste semestral e não anual.

Entrevistador – E os trabalhadores eles estão mais unidos, como é?

Carlos Alberto Alves – Há uma consciência. Os trabalhadores naturalmente leem jornais, acompanham televisão, viram que as greves do ABC todas elas foram vitoriosas. Assim, de uma maneira ou de outra sacudiu aquele pessoal que estava acomodado. Então logicamente que o trabalhador da nossa base também sentiu o problema e informou-se e estamos lá articulando para ver se conseguimos uma melhoria salarial também, não um reajuste, mas sim um aumento de salarial.

Entrevistador – Agora, quanto a lei de greve, se diz que ela foi derrubada pelos próprios trabalhadores, hoje ela não existe. Você acha que seria melhor para o trabalhador ficar sem nenhuma lei de greve, ou que viesse uma lei alternativa? O que você acha?

Carlos Alberto Alves – Bom, se viesse uma lei alternativa que viesse ao encontro dos interesses dos sindicatos e dos trabalhadores, logicamente que nós aceitaríamos, mas essa que aí está nós somos contra, totalmente contra, porque ela não nos dá o direito de greve.

Entrevistador – E como é que seria uma lei que satisfizesse?

Carlos Alberto Alves – Bom, aí seria meio difícil explicar uma que nos satisfizesse, porque nós também não podemos pôr fogo na fogueira. Nós temos que sentar e discutir e dialogar, e só em último caso quando a empresa se negar, aí sim poderíamos propor uma parada, mas fora disso teria que haver um diálogo com a empresa. E as do nosso grupo até agora todas elas têm sido coerentes com ações, com o nosso objetivo e com as suas ofertas. Têm cumprido regularmente, apesar que achamos que devemos ter algumas categorias dentro da empresa que não estão satisfeitas totalmente.

Entrevistador – Agora, a última coisa. Se fala na adoção no Brasil do contrato coletivo de trabalho, que é feito em outros países, eu não sei, existe muitas dúvidas do funcionamento desse? O que seria para vocês o contrato coletivo de trabalho?

Carlos Alberto Alves – Olha, nessa parte nós temos bastante experiência, porque talvez tenha sido uma das poucas categorias nesse Brasil que conseguiu fazer um contrato coletivo com a empresa. Isso foi em Primeiro de Janeiro de 1970. Nós do sindicato das indústrias urbanas, fizemos um contrato coletivo com a ex-SBS (Saneamento da Baixada Santista), atualmente SABESP. Esse contrato coletivo teve a duração de dois anos. Foi de Primeiro de Janeiro de 1970 à Trinta e Um de Dezembro de 1972. Todas as reivindicações naquela época forma aceitas pela companhia. Hoje em dia elas fazem parte de direitos adquiridos.

Entrevistador – Que coisa boa!

Carlos Alberto Alves – Sendo que o contrato deixou de ser renovado, mas todas as vantagens estão no nosso direito adquirido.

Entrevistador – Eu não sabia disso. Como é que foi a transação desse contrato coletivo?

Carlos Alberto Alves – Bom, nós tivemos que ceder em muitos pontos. A companhia naturalmente também fez o pedido da parte dela. Em muitas coisas nós cedemos para ganhar em outras. Por exemplo, nós conseguimos o adicional por tempo de serviço, quer dizer que a nossa categoria por cada cinco anos de trabalho, tem 5% de adicional. Agora, na época quando nós fomos fazer o acordo, nós queríamos que a empresa já considerasse todos aqueles que trabalhassem na empresa e que já tivessem mais de cinco anos, ela pagasse os 5%. Ela não concordou. Ela começou a partir de Primeiro de Janeiro de 1970, nós aceitamos, porque logicamente ou era aquilo, ou nada. Então nós já estávamos em 1978 e a maioria já recebe adicional por tempo de serviço.

Entrevistador – E como é que foi? Eu gostaria de saber sobre o contrato coletivo em si.

Carlos Alberto Alves – Bom, nós tivemos muitas reuniões com a empresa. Sindicato empresa. Então o sindicato fazia uma exigência, a companhia verificava e fazia a contraproposta. Nós nos reuníamos e víamos se aceitávamos ou não. Inclusive na época nós conseguimos algumas vantagens talvez inéditas em algumas categorias. Por exemplo, na nossa categoria ao nos aposentarmos recebemos dez salários de gratificação. Dez salários básicos.

Entrevistador – Quer dizer, estava na reivindicação?

Carlos Alberto Alves – Estava lá no contrato coletivo. Conseguimos além dos dez salários básicos, conseguimos adicional, coisa que a categoria dos trabalhadores quase nunca tem. Conseguimos a promoção horizontal. Foi feita uma escala de promoção de dois em dois anos todo funcionário era promovido. A escala variava de um a três pontos os chefes davam uma nota de avaliação no semestre. Então a soma dos quatro semestres baseados numa tabelinha. Ou você ganhava um ou dois, ou três variações. Então você era promovido dentro da escala. Conseguimos, além disso, salário de gratificação, de férias equivalente a um salário. Então quando nós saíamos de férias, recebíamos dois salários, o do mês e o das férias. Posteriormente nós negociamos essa vantagem, ela foi incluída no salário na base de 8%.

Entrevistador – Que ótimo! Escuta, o que eu queria saber, talvez eu já até o seu sindicato. Vocês têm a cópia desse contrato coletivo?

Carlos Alberto Alves – Tem, nós temos. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Urbana de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão, tem, a sua sede na Rua Júlio de Mesquita, n. 84, em Santos. Telefone: 34.12.10.

Entrevistador – Ótimo, fala isso de novo.

Carlos Alberto Alves – Após a vigência do contrato coletivo, quer dizer após o término, em Trinta e Um de Dezembro de 1972, todos os novos empregados da empresa, ela já não está pagando o direito para aqueles que já trabalhavam na época do contrato coletivo adquiriram.

Entrevistador – Escutam e para demitir um daqueles caras, como era?

Carlos Alberto Alves – Ah! Foi bom você fazer essa pergunta, porque eu esqueci inclusive uma das cláusulas mais importantes do contrato coletivo de trabalho, que era a cláusula vinte e um. Para nós essa cláusula ficou famosíssima, porque é a que garantia o emprego do trabalhador na empresa. A empresa não poderia dispensá-lo de maneira nenhuma, a não ser naquelas bases contidas na CLT, são lógico roubo, briga ou embriaguez. Fora disso o serviço a empresa garantia ao empregado o seu emprego total.

Entrevistador – Mas que força vocês tinham para conseguir isso? Como é que é isso?

Carlos Alberto Alves – Porque na época nós tínhamos na empresa um dirigente de mente bem aberta, e eles apesar de serem os dirigentes, eles eram também beneficiados, e são até hoje.

Entrevistador – Que coisa!

Carlos Alberto Alves – Na avaliação semestral exigia uma média mínima para nota. Então, quando o empregado conseguia nota abaixo da mínima ele não podia ser mandado embora da empresa, porque uma das cláusulas do contrato coletivo dizia se o empregado não conseguisse durante os quatro semestres ele seria dispensado, mas antes de ser seria ouvido o setor social. Porque naquele contrato coletivo de trabalho nós criamos departamento social na empresa. Esse antes da empresa tomar qualquer deliberação contra o empregado, ele passar pelo departamento social. Porque às vezes ele poderia estar tendo um problema familiar, ele podia estar com uma baixa nota por problemas econômicos, problemas familiares, por causa de doença. Então, o setor social especificamente ele atuava nesse sentido, de ouvir o operário, trabalhador em si, e tirar todas as dúvidas. Se o setor social achasse que a nota baixa dele era devido a um problema, a companhia não dispensava.

Entrevistador – Que beleza!

Carlos Alberto Alves – Inclusive não existe mais departamento social na empresa.

Entrevistador – E era composto de que, esse departamento social?

Carlos Alberto Alves – De assistentes sociais, contratados pela empresa. Mas inclusive, o contrato coletivo de trabalho além de criar esse setor, criou o setor de segurança e higiene. Hoje existe o setor de segurança e higiene na companhia por causa desse contrato coletivo de trabalho.

Entrevistador – Ah! Mas eu tenho que ter esse contrato coletivo. Assim não está dando. Fala o telefone.

Carlos Alberto Alves – Olha, o telefone da minha residência é 42.882. Moro na Avenida Ana Costa, 499, apartamento 63. O telefone do meu serviço é 7703. Eu trabalho na SABESP, em Praia Grande. Quando da confecção do contrato coletivo de trabalho, inicialmente todos os artigos, todos os parágrafos foram discutidos em assembleias. Foram aprovados um por um, foram aceitas as sugestões de todos os trabalhadores. Todo mundo teve livre ideia. Teve livre pensamento para opinar o que sentia, o que desejava, o que queria. Logicamente que depois no encontro com a empresa, muito daquilo que os trabalhadores tinham pedido a empresa não aceitou, mas foi sempre feito, usado o bom senso. E foi dado uma coisa e cortado outra, cedeu-se numa parte, ganhou-se noutra. Quer dizer, no final o contrato coletivo agradou a todos, tanto as empresas, como os empregados.

Entrevistador – Nossa, eu imagino!

Homem – Como é que está, companheiro?

Entrevistador – Como é teu nome?

José Moraes de Araújo – José Moraes de Araújo, presidente do Sindicato de Fiação e Tecelagem de São Cristóvão, Sergipe.

Entrevistador – Escuta, Seu José, vocês lá em Sergipe ficaram sabendo das greves que aconteceram em São Paulo no mês de maio?

José Moraes de Araújo – Não. Nós não ficamos sabendo assim direito, escutava-se assim, o modelo, com sistema diferente.

Entrevistador – Vocês escutaram?

José Moraes de Araújo – Escutaram, como assim?

Entrevistador – Pela televisão, não chegou?

José Moraes de Araújo – Pela televisão nós sempre vemos, mas…

Entrevistador – Então, quer dizer que não chegou quase nada lá?

José Moraes de Araújo – Chega, sim, mas às vezes nós nesse momento não estamos observando.

Entrevistador – E os trabalhadores do sindicato ficaram sabendo da greve, ou não?

José Moraes de Araújo – Não, eles se preocuparam mais em trabalhar. Nós que observamos para transmitir.

Entrevistador – É. Mas eles não comentaram nada?

José Moraes de Araújo – Não.

Entrevistador – E como é que estão os trabalhadores lá?

José Moraes de Araújo – Ah! Estão todos normais. Sergipe é o Estado banhado por Nosso Senhor dos Passos.

Entrevistador – Eles não estão tendo muita…

José Moraes de Araújo – Não. O sindicato de lá vive sempre ao lado deles, vivendo todas as dificuldades que eles se encontram.

Entrevistador – E tem muitas dificuldades lá?

José Moraes de Araújo – Não tem dificuldades, porque nós vivemos de perto. Eu mesmo vivo dentro das firmas, observando que eles estão sentindo.

Entrevistador – E o que eles estão sentindo agora?

José Moraes de Araújo – Não, agora eles estão normais. Eles estão satisfeitos em saber que nós os estão representando aqui no congresso, na CNTI.

Entrevistador – E o salário, lá, como é que está?

José Moraes de Araújo – O salário lá é mil cento e onze. É o salário mínimo.

Entrevistador – E dá para viver bem?

José Moraes de Araújo – Mais ou menos. Porque tem hora extra, uma produção é calculadamente, tiramos mil e trezentos, mil e quinhentos cruzeiros. Lá nós não pagamos transportes, não pagamos nada de nossa própria casa, vai mesmo a pé para o serviço.

Entrevistador n. 1 – Companheiro, por gentileza, só para perguntar. Faz a pergunta para ele.

Entrevistador – Faz você.

Entrevistador n. 1 – No caso, um trabalhador que tenha vamos supor três filhos…

Homem – Mané, eu vou embora, querido.

Entrevistador n. 1 – Que moram vamos supor numa casa de três cômodos…

Homem – Você vai à reunião à noite?

Entrevistador n. 1 – Ele paga quanto de aluguel?

Entrevistador – Dos metalúrgicos?

José Moraes de Araújo – Bom, pela parte do aluguel…

Homem – Hoje tem uma gandaia boa.

Entrevistador – Está legal.

Entrevistador – Três cômodos de aluguel na cidade? Na cidade, em bairro onde mora trabalhador.

José Moraes de Araújo – Onde eu resido em São Cristóvão, na capital…

Entrevistador – É um bairro do trabalhador?

José Moraes de Araújo – Histórico nacional, o aluguel de casa é razoável.

Entrevistador – Quanto por mês?

José Moraes de Araújo – Calculadamente uma casa de três cômodos são duzentos, trezentos cruzeiros. O maior preço, quando aparece uma de quinhentos cruzados é um absurdo.

Entrevistador – Uma mansão?

José Moraes de Araújo – Nós vivemos de salário pequeno, mas vivemos normal, graças a Deus.

Entrevistador – Dá para viver bem?

José Moraes de Araújo – Mais ou menos.

Entrevistador – Eu tenho um caso, também. Vocês têm facilidade de plantar?

José Moraes de Araújo – Exato.

Entrevistador – E quantos caras tem no seu sindicato, quantos associados tem?

José Moraes de Araújo – Quantos associados? São trezentos e quarenta e nove.

Entrevistador – Qual o total da categoria?

José Moraes de Araújo – Dos empregados?

Entrevistador – Dos empregados em geral.

José Moraes de Araújo – Em geral?

Entrevistador – Todas as empresas?

José Moraes de Araújo – É. Lá nós temos uma firma, empresa industrial em São Cristóvão.

Entrevistador – É.

José Moraes de Araújo – A São Gonçalo foi fechada em 1968, era do grupo Ermínio de Moraes.

Entrevistador – Fechou, e mandou o pessoal embora?

José Moraes de Araújo – Comprou a São Gonçalo, mas indenizou todos os trabalhadores. Fechou nessa altura porque ele não precisava dela, comprou por retrato, morreu e não a conheceu pessoalmente.

Entrevistador – Os trabalhadores que foram mandados embora estão fazendo o que?

José Moraes de Araújo – Muitos estão aposentados e outros são empregados em Aracaju. Muitos estão aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília.

Entrevistador – Fechou a firma e eles vieram para São Paulo?

José Moraes de Araújo – E outros estão em Aracaju mesmo, lá tem condições de comportar.

Entrevistador – Quantos trabalhadores tinham na firma?

José Moraes de Araújo – Naquela época tinha oitocentos e setenta.

Entrevistador – Companheiro, agora como é que você vê? Vocês vieram na delegação de quantas pessoas?

José Moraes de Araújo – De Sergipe?

Entrevistador n. 1 – É.

José Moraes de Araújo – Ou só da minha cidade?

Entrevistador n. 1 – Sergipe.

José Moraes de Araújo – Sergipe em geral?

Entrevistador n. 1 – No total geral, isso.

José Moraes de Araújo – Foram setenta e duas pessoas.

Entrevistador n. 1 – Agora, companheiros, quantos sindicatos vieram?

José Moraes de Araújo – Vieram onze sindicatos e uma federação.

Entrevistador n. 1 – Onze sindicatos e uma federação. Agora, no caso de vocês, quantas pessoas estão participando atualmente?

José Moraes de Araújo – Todos que vieram.

Entrevistador n. 1 – Nas subcomissões?

José Moraes de Araújo – Nas subcomissões no momento eu não estou ao par.

Entrevistador n. 1 – Não se recorda?

José Moraes de Araújo – Não me recordo.

Entrevistador n. 1 – Mas quantos vieram? Vocês estão em quantos?

José Moraes de Araújo – Votantes, do meu sindicato, são dois. Quase todos esses que vieram são votantes.

Entrevistador n. 1 – De Sergipe?

José Moraes de Araújo – De Sergipe quase todos.

Entrevistador n. 1 – Como é que foram escolhidos? Quantos por cento mais ou menos?

José Moraes de Araújo – Inclusive nós, quando a três meses atrás recebemos um programa da CNTI, nós enviamos os nomes daqueles que iam ser enviados para o congresso. Quando nós chegamos aqui para receber o crachá, já encontramos com dois. Eu pensava que ia ser só um, mas encontrei dois.

Entrevistador n. 1 – Então a maioria do pessoal que vieram são votantes, estão participando?

José Moraes de Araújo – Estão participando.

Entrevistador n. 1 – E o pessoal que não está participando, como é que eles estão vendo a coisa? Assim de ficar de fora só ouvindo?

José Moraes de Araújo – Eu até o momento não tenho a que expressar, porque eu só saberei no final do movimento. Como é que vai, como não vai, qual é a solução tomada. Porque até agora…

Entrevistador n. 1 – E no caso do senhor?

José Moraes de Araújo – Eu mesmo até agora não estou entendendo nada.

Entrevistador n. 1 – Não está entendendo nada? Você acha que deveria, se fosse todo mundo participar, pelo menos em número proporcional como no caso a delegação de vocês, talvez isso chegasse a uma resolução melhor da coisa. Você não acha?

José Moraes de Araújo – Isso é necessário…

Entrevistador n. 1 – No seu ponto de vista, então, você acha que todos os companheiros deveriam participar?

José Moraes de Araújo – Eu acho que todo mundo, todos os congressistas que tiveram o direito de participar, eles deviam ter um direito que qualquer outra solução.

Entrevistador n. 1 – Correto. Então, no caso de vocês vieram em setenta, a maioria dos companheiros são votantes?

José Moraes de Araújo – Quase todos eles são votantes.

Entrevistador – Que sindicato você é?

Antônio Fernandes – Antônio Fernandes, do Sindicato da Indústria de Sapato, de Salvador, Bahia.

Entrevistador n. 1 – Você é de base?

Antônio Fernandes – Sou da base, não tenho cargo nenhum. Sou sindicalizado civil. Então, quando surgiu as primeiras greves em São Paulo, nós sentimos logo imediatamente a necessidade de nós já tomarmos uma posição, porque as greves eram independentes. Pela caracterização da greve, apesar que nós sabíamos que tinha um companheiro dentro do sindicato que poderia levar as bases um esclarecimento melhor, mas nós sabíamos que a greve fundamental foi aquela que foi decidida dentro da fábrica de imediato. Então aquela teve grande repercussão, pelo menos no meu caso. Recebi cartas do companheiro do Ceará, ligaram para o pessoal de campo que imediatamente também tiveram a alegria em receber essa notícia das primeiras manifestações espontâneas e livres dos trabalhadores, e ter uma vida livre dentro do sindicato. Aquilo que nós desejamos estão era o caso da liberdade sindical total, o desatrelamento do Estado, e seria. Eu, até muitas vezes já afirmei que enquanto nós os trabalhadores temos que ser livres, totalmente. O sindicato livre junto da federação, da confederação. E que nós sentimos é o contrário, quer dizer, incorporou-se ao Estado, então esse promove uma força negativa dentro da nossa iniciativa, e de luta. Por exemplo, o caso dos sindicatos que eles chamam de fraco, que não existe sindicato fraco nem forte, existe simplesmente a luta do trabalhador, que é a coisa mais brilhante que nós temos atualmente. Seria essa dinamização total de todo o Brasil. A união de todos nós que é a luta comum. Então nós não sabíamos que o sindicato de cidades pequenas em que o imposto sindical contribui imensamente para o afastamento dos companheiros na luta e para a liberdade sindical. Da seguinte maneira, ora se ele recebe essa taxa sindical, tem um pequeno companheiro lá no sindicato, vamos chamar de peleguinho. Então, esse cidadão, esse companheiro, por questão de consciência ou inconsciência, ele deixou, se acomodou a direção do sindicato. Que ao meu ver o sindicato devia ser até rotativo, ter uma presidência rotativa. De seis em seis meses em que as bases chegassem a fazer participação dessa dinamização. Seria da conscientização e da educação. Então, encastela-se um companheiro desse sem consciência dentro do sindicato. Como tem as verbas que vem através do estado oferecida ao sindicato, esse fica quase aguardando for forma. Então nós sabemos, por exemplo, um sindicato tem mil associados, mas naquela região tem trabalhando quatro mil companheiros, que estão sendo explorados da seguinte maneira, porque a contribuição do imposto sindical vem para o sindicato. O companheiro que está na direção não faz o mínimo esforço na base para a conscientização do trabalhador, porque ele sabe que para manter um pouco da burocracia ele conta com o imposto sindical. E aí se ele resolve ser desonesto ele tem com que se manter, faz uma retirada para ele e o resto que vá as favas. Então os trabalhadores dinâmicos que trabalham, que estão sendo explorados eu proporia o seguinte, quer dizer, no caso de um sindicato junto as bases, é olhando as fábricas que estavam com trabalhadores não sindicalizados. Isso ocorreu muito lá em Fortaleza. Nós fazemos esse trabalho é na base. Tem fábricas que chega para o companheiro e diz: “Não, essa nossa fábrica é pequena e não foi registrada”. Então ele contrata dez trabalhadores a mais no fundo da fábrica. Está registrada. Eles estão com carro na porta, estão comprando casas boas, essa coisa toda. E o pobre do trabalhador está sem receber nada. Então nós íamos em cima dessas fábricas, e mostrávamos a ilegalidade. Levávamos os companheiros para sindicalizar, conscientizá-los, promover reunião nas suas casas, na fábrica, onde fosse possível, e partir para uma conscientização maior e geral.

Entrevistador – E, como é que está lá hoje? Porque você deve ter sabido das greves através dos jornais, mas a base mesmo, o pessoal, o grosso, a massa, da Bahia, por exemplo, de Salvador, como é que eles chegam a saber dessas coisas? Eles estão no espírito de luta ou ainda estão muito imaturos no movimento?

Antônio Fernandes – Você sabe que a industrialização da Bahia, recentemente a partir de 1974, foi que ela teve uma maior dinamização com o polo petroquímico. Esse pessoal que está chegando, cá para mim, que houve uma arregimentação de quarenta mil companheiros atualmente para o polo petroquímico de Camaçarí. São pessoas vindas do campo. Agora geralmente são pessoas também que já foram sindicalizadas pelo campo, pelo sindicato dos camponeses. Eles já têm uma ideia do que é sindicato. E eu creio que os que não estão sindicalizados isso será imediatamente. E a insatisfação em vários setores, pela questão de salário, do custo de vida. Isso é evidente que eles têm. Estão sentindo na carne esse problema. Agora, quanto a organização, isso é o que eu lhe estou afirmando. Quer dizer, o pessoal vindo do sertão, o camponês ele vem despreparado de lá. Mas como houve sindicalização rural. Mas também não é assim mais como era antigamente. Ele já vem procurando se organizar. E eu creio ou mais hoje ou mais amanhã lá em Camaçari, na periferia de Salvador, em Aratu, surgirá a organização imediatamente dos trabalhadores em sindicatos livres.

Entrevistador – Escuta, e agora dos seus companheiros os mais chegados, nós percebemos que você é atuante, deve ter mais gente. Qual era o comentário sobre o que estava ocorrendo em São Paulo?

Antônio Fernandes – Um comentário que nós percebemos, é exatamente assentado no que nós vimos dos nossos companheiros pelegos. Que não faziam nenhuma manifestação. Então nós pensamos, também não concluímos. Também não tinha esse pensamento total que os companheiros do sindicato das grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, ou em Minas Gerais, estivessem em conivência. Mas também definimos que se houvesse alguma falta, e os companheiros das fábricas sentindo o peso da exploração, tivessem até passado por cima deles e feito a greve. Então nós pensamos muito nesse sentido, apesar de logo em seguida surgirem as manifestações dos sindicatos, dos seus líderes, como Lula, nós inclusive até discutir o problema. O jovem ao saber que ele estava participando e que tinha base, não estava com essa conversa de comando para cima, para baixo. E nós sabíamos que era um comando de baixo para cima.

Entrevistador – E vocês ficaram contentes, então?

Antônio Fernandes – Ficamos.

Entrevistador – O que isso representou na opinião de vocês?

Antônio Fernandes – Foi a primeira base para o CRT. A ponte em que nós vamos atingir os nossos objetivos imediatamente. Porque se os companheiros das grandes cidades, dos grandes sindicatos, das bases maiores, eles se dinamizaram através de propagandas. Eu não digo uma propaganda de cima para baixo, mas indo às bases nos ajudando. O sindicato imediatamente, a solidariedade, os grandes sindicatos serão de fato. Porque até eu não digo pelo grande sindicato, a com grande grupo de companheiros, os pequenos…

Entrevistador – Escuta, você conhece a lei de greve, a tal quarenta e três trinta? O que você acha dessa lei de greve hoje? Ela foi derrubada, segundo a maioria. Você acha que devia ter uma lei alternativa? Ou será melhor que não haja lei alguma?

Antônio Fernandes – Não, nós não podemos ter porra nenhuma. Eu sou contra qualquer tipo de lei, inclusive contra o Estado. Nós não podemos, o Estado é a pior coisa que tem para o trabalhador, porque ele é o inimigo número um da sociedade.

Entrevistador – Você acha então que as greves devem ser regidas sei lá, organizadas, não bem organizadas, mas permitidas, ou não? Fomentadas ou não pelos sindicatos?

Antônio Fernandes – Elas terão no meu fundamento, no meu pensamento, terão que partir dos companheiros das bases, e que tenha sindicato ou não.

Entrevistador – Agora, sobre o contrato coletivo. Está havendo lá na Bahia alguma reivindicação nesse sentido?

Antônio Fernandes – É a maneira direta. A negociação do trabalhador com o patrão. Houve uma manifestação recentemente, até quando o Lula esteve lá no Décimo Quarto Encontro, nós sentimos que o pessoal já está querendo ir direto na negociação. Isso é um fator evidente. Isso foi manifestado no pessoal dos metalúrgicos. Nós sentimos no pessoal do petróleo, e algumas fábricas, inclusive o pessoal do sisal. Uma companheira mesmo da fábrica, na Sizalana, manifestou o desejo de que o salário não fosse dado por cima como vem ocorrendo, e sim negociar diretamente com os diretores, com a empresa.

Entrevistador – Você trabalha em que empresa?

Antônio Fernandes – Eu trabalho numa pequena oficina de calçados. Porque em Salvador, a única fábrica que tinha foi fechada. Então, as pequenas fábricas, a maioria são clandestinas. Então eu com um companheiro, sem explorar, fizemos um apoio mútuo, trabalhamos de comum acordo entre nós dois. Ele é artesão, é como se fosse remendão, como no meu caso. Então nós nos associamos e abrimos um negócio, mas pelo trabalho, não de registrar firma, porque nem registro nós fizemos, para exatamente ficarmos fora do Estado, para não aparecer como pequeno comerciante, pequeno industrial. Nós ficamos trabalhando por nossa conta. Mas dessa maneira, quer dizer, o que nós produzimos dividimos entre nós.

Entrevistador – Ah! Então é de vocês mesmo?

Antônio Fernandes – É.

Entrevistador – Você fala o seu nome e o sindicato que você é?

João Cunha – João Cunha, Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói.

Entrevistador – Você?

Nabor da Silva – Nabor da Silva, Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói.

Entrevistador – E vocês são da base do sindicato, ou da diretoria?

João Cunha – Eu atualmente estou na diretoria.

Entrevistador – Você é?

João Cunha – Secretário do Departamento Jurídico.

Entrevistador – O que aconteceu em São Paulo no mês de maio, repercutiu aqui no Rio de Janeiro, principalmente na base de vocês?

João Cunha – Pela base eu pouco posso falar, porque eu estou desligado. Nós estamos no sindicato e pouco posso falar na base sobre a repercussão das greves. Porém, para mim é um momento histórico de luta dos trabalhadores, porque só com a greve o trabalhador pode conseguir alguma coisa. Sem ela é aquele diálogo famoso que existe, que não traz nada para o trabalhador. De forma que para mim foi muito importante, foi um passo importante na vida do trabalhador, as greves surgirem em São Paulo, e que já teve uma repercussão muito ampla em todo o país. Agora, com a dos médicos residentes e ultimamente com a dos telefônicos em São Paulo. De forma que eu tenho a dizer como trabalhador é que a greve é um carma, e é a única maneira do trabalhador trazer para si alguns frutos que ele bem merece.

Entrevistador – Mas houve alguma mudança? Eu não sei como é que chegou aqui no Rio de Janeiro, a TV censurada. Talvez se não tivesse sido censurada chegasse de uma outra maneira. Mas, a categoria em assembleia, como é que é, vem sendo citado isso, ou não?

João Cunha – Não, infelizmente, não. Isso aí é um trabalho a longo prazo. Que as bases mesmo é que têm que produzir, se organizando, discutindo os problemas e partindo para um futuro próximo, que eu acredito, os trabalhadores realizarem os seus movimentos em todos os setores, em todos os lugares, a fim de conquistarem os seus direitos.

Entrevistador – Houve comentários? Alguém chegou para você e falou alguma coisa?

João Cunha – Muito espaçadamente o trabalhador comenta esses fatos. Porque ele vive muito o dia-a-dia do seu trabalho. E desde que ele não tenha assim uma expansão maior. Porque o sindicalismo ainda é atrelado ao Estado. Então ele não tem aquela maior expansão de produzir os efeitos que existem num Estado e se produzirem em outros. De forma que nós estamos lutando para conscientizar o trabalhador para ver se eles tomam posições também inerentes as greves que houveram em São Paulo. E esperamos num futuro próximo que os trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro também conquistarem melhorias para si.

Entrevistador – Se não tivesse havido censura no rádio e na TV, como é que você acha que ia ser aceito?

João Cunha – Bom, de fato a televisão pelo menos, é um veículo de informação muito ampla e muito rápida. A maioria dos trabalhadores estão ligados nos programas de televisão, e realmente toda e qualquer informação principalmente em relação a greve de reivindicações, eles tomam conhecimento e passaram a discutir, mas se houve algum boicote isso realmente trouxe uma desinformação ao trabalhador.

Entrevistador – Escuta, agora você. Você é da diretoria ou você é da base do sindicato?

Nabor da Silva – Não, base.

Entrevistador – Você então, como base. Houve ou não? Porque nós estamos meio por fora do que ocorreu nos outros Estados. Às vezes nem chegou a informação. Em Sergipe, por exemplo, ninguém está sabendo de nada. Como é que foi aqui, houve repercussão?

Nabor da Silva – Houve repercussão, sim.

Entrevistador – Que tipo?

Nabor da Silva – A turma debateu dentro da fábrica, dentro dos estaleiros. No jornal saiu, no Jornal do Brasil saiu e na hora do almoço nós falamos sobre a greve. Qualquer movimento que haja aí no Brasil nós estamos acompanhando dentro da fábrica. E estamos procurando fazer o mesmo, a reivindicar de qualquer maneira, aumento, pressionando os sindicatos. Nós estamos procurando movimentar aqui no Rio, também. Nós falamos para os companheiros o problema da greve, que quando eles vão comprar mantimentos ele não entrega. Por exemplo, se nós compramos quinze contos, se nós levamos dez, ele não entrega. Então, nós dizemos que greve é isso, eles querem pagar para nós dois mil, nós queremos quatro. Então nós vamos explicando aos companheiros. E esse movimento aí de São Paulo foi muito bom. Em reunião dentro das assembleias nós falamos isso, em reunião do sindicato nós falamos de seguir o exemplo dos companheiros de lá. Então aqui no Rio nós estamos acompanhando atentamente isso.

Entrevistador – Você acha que representou algum trunfo, algum otimismo se conseguindo fazer greve, apesar da lei de greve o pessoal está esperançoso?

Nabor da Silva – Isso melhorou muito. Essa greve foi um início. Todo o Brasil começar a se movimentar, pelo que os companheiros fizeram lá, passando por cima das leis, de tudo. Foi um avanço muito grande, que nós também temos que fazer, nós não podemos ficar esperando aqui os direitos

Dirigentes sindicais começaram a dizer que era lei, que não podiam fazer nada, que se conquistava só o índice, que não tinha jeito, que o índice era lei estabelecido, e nós vimos que os companheiros de São Paulo arrebentaram com isso, e nós aqui temos que fazer o mesmo. E inclusive passar por cima desses caras do sindicato que querem se dar, dizendo que não, que não tem jeito. Aí nós temos que levar adiante isso que começou fazendo greve, movimentando isso aí. Então aqui nós estamos acompanhando o movimento e achamos que é o caminho certo. Nós não podemos nos conformar com esse índice que vai trazer a fome e a miséria para o operário. Então nós estamos aqui procurando movimentar, dentro dos estaleiros, dentro das empresas.

Entrevistador – Escuta, o que vocês acham, como é que ficou a lei de greve? Ela caiu? Ela ainda existe? Se ela caiu é necessária uma lei alternativa, ou é melhor que não haja lei? O que você acha depois disso tudo?

João Cunha – O problema é o seguinte: lei quem faz é quem tem força de fazer. Se o trabalhador tiver mais força que o governo para reprimir uma lei que ele impõe ao trabalhador não fazer greve, certo. Porque eu também, como trabalhador, já tive oportunidade de fazer uma greve em 1966, de quinze dias. E já existia lei anti-greve. Que não é lei de greve, é lei anti-greve, a 4330, que as reprimia. E nós fizemos e saímos vitoriosos, porque nós tivemos condições de fazer. Os trabalhadores estavam unidos e conscientes de seus deveres. Eles fazem greve com qualquer lei que reprima.

Entrevistador – Bom, então seria aquela “A greve só é ilegal quando não der certo”?

João Cunha – Perfeito. É aquela forma de revolução. Qualquer é legal quando vitoriosa. Se não é ilegal. (Risos) Certo.

Entrevistador – E vocês?

Nabor da Silva – Sobre a greve?

Entrevistador – A lei de greve, essa 4330. Você acha que ela foi derrubada? Se sim, você acha necessária outra lei, ou é melhor que ela continue assim?

Nabor da Silva – Se eles quiserem botar lei de greve dando liberdade ao operário para fazer, pode botar sem lei, com lei, levar em frente a luta. Não pode ficar esperando a lei deles, se eles quiserem botar a lei, bota, mas nós temos que levar em frente a nossa luta, não podemos ficar esperando esse negócio de lei.

Entrevistador – Como é o seu nome?

Pedro Luiz da Silva – Pedro Luiz da Silva.

Entrevistador – Você é de que sindicato?

Pedro Luiz da Silva – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Alagoas.

Entrevistador – Você é o que no sindicato?

Pedro Luiz da Silva – Presidente.

Entrevistador – E como é que é, já indo direto ao assunto, as greves ocorridas em São Paulo chegaram até vocês?

Pedro Luiz da Silva – Chegaram até Alagoas, até Maceió, pelo menos para mim, pelo menos para o nosso sindicato foi bem recebido. Eu acho que é um começo da luta que é necessária no Brasil inteiro. Eu acho que todos os trabalhadores devem lutar e lutar mesmo com unhas e dentes para forçar, no sentido de conseguir algo de melhor.

Entrevistador – E como é que ela chegou até vocês? Por jornais, por cartas?

Pedro Luiz da Silva – Pelo jornal e pelo rádio.

Entrevistador – Pelo rádio?

Pedro Luiz da Silva – É.

Entrevistador – Além da presidência, da diretoria do sindicato, para as bases como é que isso chegou até eles?

Pedro Luiz da Silva – Não chegou facilmente. Porque o nosso sindicato ainda é fraco, não temos um jornal assim, é preciso que a diretoria, os mais autênticos, se desloquem, procurem sempre entrar em contato com a bases para esclarecer, para conscientizar no sentido que eles sempre estejam se preparando para a luta, que deve ser nossa mesma.

Entrevistador – Exatamente. Agora, como é que está lá essas greves de São Paulo? Mudaram alguma coisa, representa alguma mudança, ou que você acha?

Pedro Luiz da Silva – Eu acho que representa alguma mudança. Por enquanto não mudou nada, mas já é um grande passo. Porque de acordo com o que vem acontecendo, o surgimento do líder Lula, conhecido como está em Alagoas, isso eu acho que é um motivo maior para que os outros sindicatos também queiram mostrar o seu valor, a encorajar um pouco mais o companheiro Lula para que a luta continue.

Entrevistador – A categoria de vocês como é que está hoje? Porque parece que lá para cima a repressão é um pouco maior?

Pedro Luiz da Silva – É maior. Bom, lá a repressão eu acho que não é maior, é igual em todo o território nacional. E a situação dos trabalhadores de Alagoas acho que é pior do que em outros estados, porque lá pelo menos o salário é baixíssimo.

Entrevistador – Quanto?

Pedro Luiz da Silva – O salário lá é de mil cento e onze cruzeiros. O custo de vida em Alagoas que é o mais alto. A nossa empresa de eletricidade, a que libera, onde tem o maior número de associados do sindicato, ela paga um salário de até três mil cruzeiros, um salário básico. E o resto varia entre sete mil cruzeiros, também tem salários de até quarenta.

Entrevistador – É?

Pedro Luiz da Silva – São os donos da razão. (Risos)

Entrevistador – E a participação dos trabalhadores? Como é que está lá agora?

Pedro Luiz da Silva – A participação em que sentido?

Entrevistador – No sindicato, nas lutas da categoria?

Pedro Luiz da Silva – Até agora pouca. Porque o sindicalismo em Alagoas, a CUT está sempre controlando pelos antigos líderes, e esses são acomodados, eles não concordam com o movimento novo. Eu que surgi, estou entrando agora no sindicato, eu já entrei pensando em me unir com aqueles que pretendem mudar. Então aqui no congresso tem muitos alagoanos. Mas eu acho que unido com a turma só se encontra o Sindicato das Indústrias Urbanas no Estado de Alagoas, que é o nosso sindicato.

Entrevistador – Então a participação não está ainda intensa. Isso talvez pelo próprio trabalho de base, que não tem sido feito?

Pedro Luiz da Silva – Não tem sido feito. Pelo menos não vem sendo feito. É o que eu pretendo fazer no nosso sindicato, elevar a conscientização a todos os associados, inclusive a outros sindicatos. O Sindicato dos Metalúrgicos que vai ser reformado na sua diretoria, vai haver eleições agora em agosto, eu acho que se der uma orientação. Aquele que entrar já pensa melhor, pensando em reformas, que eu acho que é muito necessário.

Entrevistador – Escuta, o seu sindicato tem quantos associados?

Pedro Luiz da Silva – Tem mil e poucos associados.

Entrevistador – E a categoria como um todo, quantos são?

Pedro Luiz da Silva – Lá são dois mil e quinhentos.

Entrevistador – Ah, então é bom o índice de sindicalização.

Pedro Luiz da Silva – Ainda não são, todos não são sindicalizados. Agora nós vamos começar uma campanha de sindicalização nos setores, uma empresa de água e esgoto que não pertence ao mesmo sindicato, na empresa, e a Chese, que é a empresa, ela também tem um pequeno número de funcionários, mas deve ser sindicalizado pelo nosso sindicato.

Entrevistador – E o nome do senhor?

Manoel Ribeiro – Manoel Ribeiro.

Entrevistador – O senhor é de que sindicato?

Manoel Ribeiro – FTN, Fiação e Tecelagem Norte e Nordeste.

Entrevistador – É federação?

Manoel Ribeiro – Sim.

Entrevistador – E de que sindicato o senhor é?

Manoel Ribeiro – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem de São Lourenço da Mata.

Entrevistador – Nossa. E quantos associados tem?

Manoel Ribeiro – Nós temos em média quatorze mil associados.

Entrevistador – Nossa.

Manoel Ribeiro – Mas a categoria gira em torno de vinte e tantos mil.

Entrevistador – Nossa, tem bastante. Vamos sair do sol porque acho que o senhor…

Manoel Ribeiro – Não, não tem problema.

Entrevistador – E sobre as greves que aconteceram em São Paulo no mês de maio, chegou até vocês?

Manoel Ribeiro – Nós ouvimos falar, acompanhamos pelos jornais.

Entrevistador – E os trabalhadores em geral, como é que eles se…

Manoel Ribeiro – Não eles, o que sentimos é que realmente há suas razões, mesmo a greve sendo ilegal, porque todo mundo sabe que foi ilegal.

Entrevistador – É.

Manoel Ribeiro – De acordo com a lei, mas que há as suas razões, do trabalhador reivindicar mais, de querer mais alguma coisa daquilo que precisa para o nosso sustento.

Entrevistador – O senhor acha que então é justo?

Manoel Ribeiro – É justo. Eles têm o seu ponto de vista, certo?

Entrevistador – E lá o que acham os trabalhadores? Porque o senhor é um cara mais bem informado.

Manoel Ribeiro – Não, imagina!

Entrevistador – Agora, os trabalhadores de base?

Manoel Ribeiro – Não. Os trabalhadores de base, você sabe, de todos não negam, todos acham que está certo. Agora, como a coisa é ilegal, ninguém propôs fazer também. Primeiro porque o salário do povo de São Paulo tem mais condições para isso do que os demais Estados, principalmente do norte e nordeste. E nós não arriscamos porque realmente há determinadas coisas fora da lei. Não porque eu tenha medo da greve, porque eu sou favorável a greve. Mas quando ela é feita dentro da lei, dentro da ordem. Aí eu sou favorável, não há dúvida. Porque eu fui o presidente do sindicato. Quando estava lá, depois da revolução, o primeiro a decretar a greve foi o meu. Não chegamos a realizar a greve porque havia muitos empecilhos. Não era das autoridades, não, porque as ameaças não interessavam. Era que nós sentíamos que o próprio trabalhador não tinha condições de fazer, ele ia furar. Então para nós fazermos greves era contra eles. Poderíamos espantá-los e nós não queríamos isso, entendeu?

Entrevistador – Escuta, como é que estão as condições lá? O que eles comentaram?

Manoel Ribeiro – Não comentaram nada. Comentaram que estavam certos, eles têm razão, eles ganharam mais.

Entrevistador – Mas lá é mais difícil, então?

Manoel Ribeiro – Não. Lá não é mais difícil. Porque se chegar a hora de parar, também se para. Agora, nós, dirigentes, só levaremos a cabo a greve quando tiver condições e for realmente legal. Nós lutaremos pelo direito de greve. Isso nós sempre lutamos para que se estabeleça o direito de greve.

Entrevistador – O senhor então é contra a lei 4330?

Manoel Ribeiro – Naturalmente. Porque eu acho que a arma do trabalhador é a greve. Agora, dentro da lei, que ela seja específica, seja dentro da ordem, sem ferir os dispositivos legais que devem ser dados a lei de greve ao trabalhador. Agora, infelizmente nós tivemos uma época em que a greve virou baderna. Sou contra isso.

Entrevistador – Agora, se mudar a lei, aí o senhor…

Manoel Ribeiro – Ah! Apoiaria a greve, a luta dos trabalhadores. Porque deve se lutar. O que eu condeno é a baderna.

Entrevistador – E o que o senhor achou dessas paralizações? Que eles fizeram sem bagunça, parados em frente a…

Manoel Ribeiro – Não. Porque ali não foi greve, eles apenas paralisaram o serviço.

Entrevistador – O senhor acha que assim pode?

Manoel Ribeiro – Assim é mais fácil fazer do que uma greve. Porque você sabe que a greve precisa apartar todo mundo das fábricas, e vigiar para que eles não furem. E lá não paralisou, apenas parou o trabalho, em vista de uma reivindicação.

Entrevistador – Você acha ela ilegal?

Manoel Ribeiro – Não, ela é completamente ilegal. Não há meio jurídico que ampare a greve. Atualmente, como foi feito você sabe disso. Agora, não serei contra a greve de maneira nenhuma.

Entrevistador – E como é que seria essa luta por um direito de greve?

Manoel Ribeiro – É o que nós estamos fazendo. Nós estamos pedindo agora no congresso o direito de greve, em diversos memorandos. Foi pedido ao governo que estabeleça o direito de greve. Espero que chegue, que em breve seja dado. Aquilo que nós tínhamos antigamente.

Entrevistador – O senhor acha que melhoraria a situação do trabalhador?

Manoel Ribeiro – Talvez, não se faça greve…

Entrevistador – Mas, só de ter esse direito…

Manoel Ribeiro – Nós temos uma arma na mão para dizer assim: “Nós vamos fazer”. Embora nós não façamos a greve, entendeu? Eu acho justo o direito de greve.

Entrevistador – O senhor acha que como está a greve é ilegal, ela foi declarada ilegal em São Paulo, mesmo assim, foi feita.

Manoel Ribeiro – É ilegal mesmo e vitoriosa.

Entrevistador – Mesmo assim ela foi feita. Como é que ficou essa lei de greve depois disso?

Manoel Ribeiro – Bem, a lei de greve permanece como está. Até hoje está proibida. Agora também não houve também nenhuma represália contra nenhum grevista em São Paulo, que eu tenha conhecimento, não.

Entrevistador – Houve. O senhor acha que isso mudou alguma coisa?

Manoel Ribeiro – Não, é uma advertência.

Entrevistador – Agora, quanto é que ganha mais ou menos um trabalhador de lá?

Manoel Ribeiro – O salário de lá em média tem gente que ganha o salário mínimo. Tem gente que ganha até quatro.

Entrevistador – E quais são as condições do trabalhador de lá da área do senhor, como é que estão?

Manoel Ribeiro – Não é muito boa, também não é ruim. Porque infelizmente no Brasil hoje todo o trabalhador está passando dificuldade. No Estado de Pernambuco, no Estado de Alagoas. Aqui em São Paulo também está em dificuldade. O que precisa ser feito é que o poder aquisitivo do trabalhador aumente, dê mais condições para ele ganhar dinheiro para viver. Vocês sabem, nem precisa falar nisso, porque o próprio governo reconhece que o custo de vida é assustadoramente alto. O que se ganha, ele consome tudo, não dá nem para metade da despesa.

Entrevistador – O senhor acha que tem que melhorar? Lá então está igual a todo o resto do país?

Manoel Ribeiro – Não, está igual em todo o Brasil. Nós não temos um lugar melhor que outro, eu acho que não. Todos os Estados são iguais. Às vezes dependendo de um mais dentro do sertão, aquele que talvez esteja pior. Porque o custo de vida, não é nem salário, é o custo de vida. E quanto mais longe se esconde no Brasil, mais difícil é para o trabalhador. Aqui em Pernambuco já é maior, às vezes no Piauí é outro, no Amazonas é ainda pior, e assim por diante. (Pausa)

Entrevistador – Como é o nome do senhor?

Domingues Trindade da Costa – Domingues Trindade da Costa.

Entrevistador – De que sindicato o senhor é?

Domingues Trindade da Costa – Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil.

Entrevistador – De onde?

Domingues Trindade da Costa – De São Luiz do Maranhão.

Entrevistador – O senhor é o que do sindicato?

Domingues Trindade da Costa – Sou representante do Sindicato junto ao Conselho da Federação.

Entrevistador – Ah, sim! Escuta, em São Luiz as greves que aconteceram em São Paulo e no ABC chegaram?

Domingues Trindade da Costa – Chegaram, nós tivemos notícias.

Entrevistador – E foram comentadas pelos trabalhadores?

Domingues Trindade da Costa – Não. Muito pouco.

Entrevistador – Qual a sua opinião sobre essas greves?

Domingues Trindade da Costa – Porque eu tenho uma opinião inteiramente diferente dos outros. Eu sou um pouco mais avançado. Acontece, porém, que eu recebi a notícia com muita satisfação. Porém a minha região é muito atrasada e os trabalhadores não concedem.

Entrevistador – Como é que os trabalhadores de lá pensam? É uma das coisas que eu gostaria de saber.

Domingues Trindade da Costa – Bom, eles pensam no sentido de melhorar a situação de maneira geral, e tem o sindicato como instrumento para isso. Porém não o fortalece.

Entrevistador – Quantos associados tem o sindicato de São Luiz?

Domingues Trindade da Costa – Nós temos três mil associados inscritos.

Entrevistador – Quer dizer, desde o início?

Domingues Trindade da Costa – E agora a quitação, quer dizer, pessoas que tem direito de toda a assistência do sindicato, deve chegar a 10%.

Entrevistador – E como é que são as condições, não só de trabalho, mas inclusive de luta pessoal, se eles estão dispostos? Eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho.

Domingues Trindade da Costa – Não, eles estão dispostos desde que haja um intercâmbio geral de todos os sindicatos do país, cheguem e reforcem.

Entrevistador – E, por que lá está…

Domingues Trindade da Costa – Levante o ânimo dos elementos.

Entrevistador – O ânimo lá está baixo?

Domingues Trindade da Costa – O ânimo está muito baixo.

Entrevistador – Por que isso?

Domingues Trindade da Costa – Porque nós moramos também numa região que o conteúdo, quer dizer, a situação econômica é muito baixa e consequentemente o conteúdo econômico também.

Entrevistador – Lógico. Quanto ganha um trabalhador, mais ou menos?

Domingues Trindade da Costa – Geralmente é o salário mínimo.

Entrevistador – E o aluguel lá é caro?

Domingues Trindade da Costa – Caro.

Entrevistador – Na opinião do senhor, talvez os trabalhadores nem tenham ficado sabendo da greve.

Domingues Trindade da Costa – Bom, só aqueles mais interessados.

Entrevistador – Então, não houve comentários?

Domingues Trindade da Costa – Não.

Entrevistador – Agora, para o senhor que entende mais disso, como é que ficou a lei de greve depois que essas foram feitas em São Paulo.

Domingues Trindade da Costa – Não, nós somos contra. Tem um grupo de elementos que nós achamos que a greve é a única arma da qual nós podemos fazer uso. E somos contra qualquer restrição contra greve.

Entrevistador – Contra. O senhor acha então que tem que fazer uma outra lei, que essa não dá mais?

Domingues Trindade da Costa – Acho que não. (Pausa)

Entrevistador – Como é o nome do senhor?

José Tomas de Aquino – José Tomas de Aquino.

Entrevistador – O senhor é de que sindicato?

José Tomas de Aquino – Da Construção Civil da cidade de Souza, na Paraíba.

Entrevistador – Vocês dois são de lá? Você é o que no sindicato?

José Tomas de Aquino – Eu sou delegado. Ele é delegado de Conselho representante do Sindicato na Federação.

Entrevistador – E o senhor?

Severino Ferreira de Brito – Também sou Presidente do Sindicato e Delegado na Federação.

Entrevistador – E o nome do senhor?

Severino Ferreira de Brito – Severino Ferreira de Brito.

Entrevistador – Escuta, quantos associados tem lá?

Severino Ferreira de Brito – Lá nós temos o número total de mil e quinhentos em dia mesmo. Tem aquela rotina e nós estamos com uns trezentos em dia. que nossa categoria é uma que na nossa zona de construção são mais de rebolada. Quero dizer que são por etapa, não tem empresa construtora permanente. Porque é uma cidade do interior à oitenta léguas ou a quatrocentos quilômetros da capital. Então ela é uma que deveria ter muita indústria. Por sinal nós estamos situados no Vale do Piranha e no Vale do Rio do Peixe, onde a quase um ano se instalou o projeto sertanejo, que já está em fase de funcionamento, em conjunto com o Polo Nordeste. E temos também o projeto de irrigação, da área irrigada de São Gonçalo na Paraíba, que produz feijão, arroz, tomate e que por falta de instalação de uma indústria, nós estamos mandando para Pernambuco, para Pesqueira. Atualmente nos falta arroz aqui no Sul, e nós mandamos para Minas Gerais, e agora faltou para nós. De modo que é uma cidade que atualmente com quase sessenta mil eleitores já inscritos, e é o maior rebanho bovino do Estado da Paraíba. É o terceiro colégio eleitoral, a terceira cidade de arrecadação do Estado. Temos cinco agências bancárias. (Pausa) E o que nós queremos é que o governo dispense mais dinheiro a incentivos fiscais para o norte e nordeste, principalmente na nossa zona. Quando nós vemos muita terra e cultura, que nós monopolizamos, industrializamos o que vem do campo.

Entrevistador – É verdade.

Severino Ferreira de Brito – O que falta são incentivos fiscais. É isolamento de produção, para que haja no comércio, na indústria.

Entrevistador – Para que nós possamos comprar comida mais barata também. Quer dizer, só o problema do salário não resolve. Se a senhora ganha cinco não dá, se passa a ganhar sete, também, porque ela quer passar melhor. O problema é produção, se todo mundo tem a quem vender. Então tem que baratear, certo? Agora, em relação a esse problema do mês de maio. Como é o nome da cidade que o senhor falou?

Severino Ferreira de Brito – Souza.

Entrevistador – É, em Souza vocês ficaram sabendo dessas greves que aconteceram?

Severino Ferreira de Brito – É, nós acompanhamos pelos jornais e pela televisão.

Entrevistador – E vocês, e os trabalhadores de base, eles chegaram a saber disso?

Severino Ferreira de Brito – Chegaram a saber. Porque nós temos a rede de televisão, entende? Todas as cidades do interior através de repetidores, e eles tomaram conhecimento das greves.

Entrevistador – Mas, é que a TV ficou censurada. Só informou dois dias. Depois ela foi censurada.

Severino Ferreira de Brito – Bem, mas aí a essa altura os jornais disseram alguma coisa.

Entrevistador – É, isso é verdade.

Severino Ferreira de Brito – E nós também, do Norte da Paraíba, jornal Norte é independente. Publicou todos os dias e no meu sindicato nós temos jornais todos os dias. Eu estava sempre dizendo para o pessoal e sempre acompanhando.

Entrevistador – E eles comentaram?

Severino Ferreira de Brito – Bem, o pessoal do Nordeste, o nosso pessoal não tem assim um sentimento. Eles ficam quase que trabalhando e o salário mínimo não funciona lá. É somente para efeito fiscal.

Entrevistador – Como não funciona?

Severino Ferreira de Brito – Digo, porque todos ganham mais que o salário mínimo.

Entrevistador – Ah, sei!

Severino Ferreira de Brito – Agora, eu considero um prejuízo, e já tenho debatido muito nas minhas assembleias com os empresários, que é um prejuízo grande para o empregado quando ele ganha, no caso do servente, anota na carteira mil centos e onze e ele ganha sessenta por dia, quando deveria ser mil e quinhentos para a base do benefício. É o mal, mas eles anotam na carteira esse valor, e ganham mais. Quer dizer, eles ganham bem. O pedreiro ganha os seus centos e cinquenta por dia, de modo que a nossa região, por sinal uma região rica. A nossa alimentação é uma beleza. Nós temos tudo por ali pertinho, preço razoável. Nós temos problema com a carne, que então chegou lá a quarenta cruzeiros o quilo, mas nossa carne era trinta cruzeiros. A galinha é mais barata, o ovo também, o peixe. Nós temos tudo, de modo que o nosso pessoal se alimenta bem.

Entrevistador – Quer dizer então que eles não se interessam pela greve?

Severino Ferreira de Brito – Não. Porque sinceramente a greve quando é feita nas bases da lei, que mesmo com o sistema atual ela é ilegal. Agora, desde que seja feita nas bases, como manda a lei, que seja feita a assembleia. Que o pessoal já esteja trabalhando, e que se faça. O empregador quando venha a saber já está para deflagrar. Quer dizer, que se faça trabalhando, que a delegacia homologue. Ou no caso posto, a delegacia, ou mesmo o Ministério já mandou um telegrama avisando que a fábrica tal dia vai parar. Mas as greves nunca trouxeram vantagens. Eu participei de uma greve como “calouro”, não como furão, em 1958, em Recife. Foi uma greve de quarenta e nove dias e não vi vantagens. Porque morreu muita gente. E ainda hoje tem pessoas aleijadas de briga, de atrito. De modo que sou contra as greves.

Entrevistador – E essas que foram feitas em São Paulo, sem piquetes, com todo mundo parado nas máquinas. O senhor acha que mesmo assim eles deviam fazer dentro da lei?

Severino Ferreira de Brito – Deviam fazer, eu não sei. Muito embora que o Ministro não usou de severidade. E mesmo porque o Tribunal Superior considerou ilegal. Não sei porque, não havia razões. E a despeito disso eu vi aqui na relação das empresas que negociaram o sistema de aumento, eu notei uma disparidade no assunto. Porque cada uma deu um tanto de dias parados, outras não deram nada. De modo que fica uma coisa assim toda atrapalhada. Não foi assim um acerto, quer dizer, fábrica tal terá tanto de aumento negociado. Então dado o diálogo ficará um teto tal e qual. Estou tentado analisar, não vi muita vantagem.

Entrevistador – O senhor acha então que essas greves que aconteceram não mudaram muito em relação aos trabalhadores em geral?

Severino Ferreira de Brito – Não, não mudou porque ela isolou-se em São Paulo. Alguns aqui do Rio de Janeiro, mas foi mais em São Paulo. Quer dizer, ela não atingiu o trabalhador em geral no Brasil. Atingiu um certo quadro, os sindicatos de São Paulo se consideraram os “Thustis”, a despeito da Alemanha. E do jeito que eles queriam. Nós, dos sindicatos pequenos do Norte e Nordeste, principalmente na nossa região, não teríamos direito a voto aqui. O que iria haver uma divisão completa, e nós ficaríamos alijados do processo de votação no plenário. De modo que eu não concordo. Vim autorizado pelo meu sindicato, por assembleia geral e apreciarei, como venho apreciando bem de perto o processo e levarei realmente o relatório dizendo que não concordo com as proporções aqui apresentadas. Porque nós queremos um sindicato puramente brasileiro, novo, e a despeito disso eu posso dizer que nós estamos com quatorze anos pelo menos de segurança, paz e tranquilidade. E para encerrar as minhas palavras, posso considerar que o país no mundo que está em paz é o Brasil, porque essa crise monetária, esse problema é mundial. O dólar já caiu quantas vezes esse ano? Você sabe?

Entrevistador – Aqui no Brasil ele caiu muito?

Severino Ferreira de Brito – É, pois então, quando cai…

Entrevistador – Vem cá, aqui ele não subiu.

Severino Ferreira de Brito – Subiu, mas caiu.

Entrevistador – Quem caiu foi o cruzeiro.

Severino Ferreira de Brito – Bem, é claro que tudo é baseado no dólar, de modo que eu não concordo com as greves.

Entrevistador – Obrigada, viu? (Pausa) Como é o nome do senhor?

Leonardo Timóteo dos Santos – Leonardo Timóteo dos Santos.

Entrevistador – O senhor é de que sindicato?

Leonardo Timóteo dos Santos – Sindicato dos Produtos Químicos de Preparação de Óleos Vegetais, Sabão e Vela.

Entrevistador – O senhor é o que no sindicato?

Leonardo Timóteo dos Santos – Eu sou relações públicas.

Entrevistador – O senhor é desligado da empresa, ou trabalha?

Leonardo Timóteo dos Santos – Trabalho.

Entrevistador – Em que empresa o senhor trabalha?

Leonardo Timóteo dos Santos – Irmãos S/A.

Entrevistador – Escuta, e quanto o senhor ganha?

Leonardo Timóteo dos Santos – Eu ganho uma média de três mil e seiscentos cruzeiros.

Entrevistador – Agora, falando disso, vocês chegaram a saber lá em Recife das greves que aconteceram em São Paulo?

Leonardo Timóteo dos Santos – Chegamos, através de rádio, televisão e jornais.

Entrevistador – E o que vocês acharam dessas greves?

Leonardo Timóteo dos Santos – Bom, segundo a constituição que diz que a greve a parte, há greves ilegais e há greves legais. Nós, pela distância, ficamos no suspense, se a greve era legal ou ilegal. Aliás, se fosse considerada ilegal, já sabia, todo mundo já tinha entrado em cana, ou o sindicato entrava em intervenção. Como houve greves ilegais em nosso sindicato, e nós quando o assumimos, foi sob intervenção. E graças a Deus até hoje, estamos com doze anos de mandato.

Entrevistador – E lá não tem muitos problemas? Trabalhadores não pensam em fazer greves?

Leonardo Timóteo dos Santos – Não, lá em Recife não se pensa em greves, não.

Entrevistador – E porquê?

Leonardo Timóteo dos Santos – Não há necessidade.

Entrevistador – O pessoal está bem?

Leonardo Timóteo dos Santos – É, olhe uma refeição, essa é para São Paulo, pelo menos lá na firma, uma refeição é só cinquenta centavos. E nós comemos à vontade. Temos direito ao milho, depois de São João. Nós temos direito a uma bolsa de Natal grande, uma média de quatro mil cruzeiros. Temos o convênio com a clínica, se precisar vai buscar em qualquer recanto do Recife. Isso é de sorte, que nós não temos insatisfação. Porque os nossos patrões nos tratam muito bem. Ele é amigo do trabalhador, quando ele é trabalhador. Porque existe o honesto e o desonesto. Às vezes quando ele está se sentindo mal na empresa, ele procura depreciar uma peça dela. Isso é errado. Se ele não se sente satisfeito, vai à gerência e peça as contas e vai embora. É esse o nosso sentido. E, dentro da fábrica eu sempre procuro coordenar os companheiros e vou levando nesse sentido. Eu levo aquilo na brincadeira e todos gostam de mim, de sorte que não há desunião, baderna. Quando nós precisamos fazemos um dissídio coletivo, e sendo aprovado, existe a política salarial. Ultimamente nós pedimos 60%. Foi para o Ministério do Trabalho, mas ficamos com 40%. Já foi alguma coisa. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas que faz o recenciamento do custo de vida, da inflação. Por exemplo, mesmo os comerciários tiveram direito a 42%. E depois de tudo na fábrica ainda temos uma pequena bonificação monetária no fim do ano. Que eu sou encarregado de turma, sou refinador de óleo. Refino qualquer óleo vegetal. E também analista. E um grande prazer que tenho em mandar essa mensagem para São Paulo.

Entrevistador – Quer dizer que está tudo bem?

Leonardo Timóteo dos Santos – Tudo bem.

Entrevistador – Não tem problema?

Leonardo Timóteo dos Santos – Não.

Entrevistador – O pessoal está bem de vida?

Leonardo Timóteo dos Santos – Bem de vida. O salário mínimo é de mil duzentos e seis e quarenta centavos, mas ninguém ganha esse valor.

Entrevistador – Quanto ganha mais ou menos o pessoal?

Leonardo Timóteo dos Santos – O que fica da parte do salário mínimo braçal que nós chamamos, dá para tirar dois mil e quinhentos, por aí.

Entrevistador – E dá para viver bem?

Leonardo Timóteo dos Santos – Dá para viver bem. Agora, uma coisinha é o curto de vida, está muito alterado. Quando nós chegamos agora em Recife, vamos encontrar carne verde por sessenta e cinco cruzeiros o quilo. Porque existe dois monopolistas, mas ele vai se arrebentar, ele vai cair, porque já existe uma programação através das autoridades para acabar com essa coisa. Esse ano mesmo.

Entrevistador – Quantos sócios tem o sindicato de vocês?

Leonardo Timóteo dos Santos – Nós temos uma base de cinco mil oitocentos e pouco.

Entrevistador – E eles participam do sindicato?

Leonardo Timóteo dos Santos – Participam.

Entrevistador – Assembleias?

Leonardo Timóteo dos Santos – Participam. Nós fazemos uma festinha, por sinal eu tenho uma flâmula ali e faria questão de dar. Queira ir até lá, tem um lápis e esse é que é o número do sindicato.

Entrevistador – Legal.

Leonardo Timóteo dos Santos – (Risos) Esse é o nosso sindicato, tenho a grata satisfação de levar a lembrança de Pernambuco.

Entrevistador – Então vocês fazem bastante festinhas?

Leonardo Timóteo dos Santos – Temos festinhas, damos bebidas, damos comida para as famílias dos associados. Bebem à vontade, comem. No fundo ficam todos satisfeitos.

Entrevistador – Como é o seu nome?

José Marques dos Santos – José Marques dos Santos.

Entrevistador – Você é de que sindicato?

José Marques dos Santos – Eu sou do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Madeira do Estado de Sergipe.

Entrevistador – De que cidade?

José Marques dos Santos – De Aracajú.

Entrevistador – De Aracajú. Você é da diretoria do sindicato, ou você é da base?

José Marques dos Santos – Não, eu não sou da atual diretoria.

Entrevistador – Você é trabalhador?

José Marques dos Santos – Trabalhador.

Entrevistador – Você trabalha em que empresa?

José Marques dos Santos – Na Casa de Móveis de Oliveira, em Aracajú.

Entrevistador – Quanto você ganha?

José Marques dos Santos – Eu ganho quatrocentos cruzeiros por semana. Mil e seiscentos por mês.

Entrevistador – Escuta, você, como trabalhador em Aracajú, você ficou sabendo das greves que aconteceram aqui em São Paulo?

José Marques dos Santos – Bem eu escuto muito falar em greves, agora assim detalhadamente, eu não sei.

Entrevistador – Vocês ficaram sabendo?

José Marques dos Santos – Não.

Entrevistador – Não chegou através da TV, nada disso?

José Marques dos Santos – Bem, isso chega lá, mas eu não fui muito bem informado sobre isso, não.

Entrevistador – Ninguém comenta então?

José Marques dos Santos – Não, eu não ouvi.

Entrevistador – E o teu nome?

Geraldo Marques dos Santos – Geraldo Marques dos Santos.

Entrevistador – Você é do mesmo sindicato?

Geraldo Marques dos Santos – Também, mesmo sindicato.

Entrevistador – Você é da diretoria, ou não?

Geraldo Marques dos Santos – Sou da diretoria.

Entrevistador – Você é o que no sindicato?

Geraldo Marques dos Santos – Sou membro do Conselho Fiscal.

Entrevistador – E você ficou sabendo?

Geraldo Marques dos Santos – Não, também não. Apesar de assistir muito televisão, escutar rádio. Mas não fiquei bem atualizado sobre as greves, não.

Entrevistador – Você não ficou, mas mesmo sem ficar sabendo, o que você acha de uma greve?

Geraldo Marques dos Santos – Sempre que existe uma greve existe razão e motivo de que exista. E quanto a isso, será feito tudo dentro de um regime criado pela comissão que venha a fazer.

Entrevistador – Então você acha que ela pode ser justa?

Geraldo Marques dos Santos – Lógico, por certo que sim.

Entrevistador – E você?

José Marques dos Santos – A greve também é uma coisa muito necessária no meio trabalhista, no Brasil. Porque se o trabalhador não tem direito a greve, eu acho que não tem a mais nada.

Entrevistador – Porquê?

José Marques dos Santos – Porque tudo fica sendo sempre, como se diz ali em baixo, sempre, não tem voz, não tem nada. Não pode reivindicar nada, não é isso? Então ele fica só ali fazendo o que os homens, os grandes querem a vida todinha. Isso não pode, a greve é necessária num país como esse aqui.

Entrevistador – E vocês, o que vocês acham da lei de greve, quer dizer, vocês conhecem a lei de greve?

José Marques dos Santos – Bem, a lei de greve eu não conheço assim a fundo. Mas eu ouço falar sobre. Então eu acho que seria uma coisa merecida, precisa ter lei de greve num país como o Brasil, num país muito desenvolvido, que o trabalhador ganhe pelo menos o que comer, já é alguma coisa, mas aqui não se ganha nem isso.

Entrevistador – Como é que está em Aracajú a situação do trabalhador?

José Marques dos Santos – A situação do Nordeste não é ruim, só tem uma coisa, que tudo lá talvez seja mais caro que no Sul e se ganha menos. O problema é todo esse.

Entrevistador – Você acha que tinha que melhorar?

José Marques dos Santos – É claro que tem que melhorar isso.

Entrevistador – E como é que poderia melhorar, na sua opinião?

José Marques dos Santos – Olha, melhorar é um negócio muito difícil. Porque num congresso desse aqui onde deveria ser reivindicado todos os problemas do trabalhador, do Norte, do Sul, de todos. Mas o próprio trabalhador do Norte votou contra si. Porque uma coisa me pediram que é fácil, o elemento pedir que todo mundo votasse nesse negócio, não só uma porcentagem. Então todo mundo votou contra si. Hoje mesmo quando aquele rapaz reivindicou o dividendo do aumento do salário da empresa, dividir igual para todo mundo, ninguém quis. Parece que todo mundo aí ganha mais de cinquenta mil cruzeiros.

Entrevistador – Eu também acho. Olha, estou com você. (Pausa) Como é que é teu nome?

José Serieto da Silva – José Serieto da Silva.

Entrevistador – Você é de que sindicato?

José Serieto da Silva – Sindicato dos Trabalhadores do Açúcar.

Entrevistador – E de que cidade?

José Serieto da Silva – De Pernambuco.

Entrevistador – Mas a cidade de Pernambuco?

José Serieto da Silva – Recife.

Entrevistador – E você é da diretoria?

José Serieto da Silva – Sou delegado.

Entrevistador – Você é trabalhador?

José Serieto da Silva – Delegado do sindicato.

Entrevistador – E você trabalha em que empresa?

José Serieto da Silva – Usina Salgado.

Entrevistador – Quanto você ganha nessa usina?

José Serieto da Silva – Mil trezentos e vinte por mês.

Entrevistador – E você acha que está bom o seu salário?

José Serieto da Silva – No momento em que está atravessando essa alta do custo de vida, não dá.

Entrevistador – Escuta, e vocês lá ficaram sabendo das coisas que aconteceram em São Paulo a partir do mês de maio?

José Serieto da Silva – Nós temos um processo que nós iremos ingressar na Justiça acerca daquela contabilidade do departamento de salário, que de 1973 para cá nós tivemos um prejuízo de 32,8%, e aquela parte nós iremos ingressar. Não como ingressou o Rio Grande do Sul, mas como ingressou São Paulo. Nós iremos levar diretamente ao Tribunal Federal e se a Justiça do Trabalho não der condições da classe patronal nos pagar, nós iremos tomar algumas medidas, assim como São Paulo tomou.

Entrevistador – E da greve, você ficou sabendo?

José Serieto da Silva – Justamente é essa parte, que se o Tribunal Federal não der o caso ganho em 32%, aí nós iremos partir para outra medida. Porque a causa é nossa. Nós entramos com o dissídio coletivo de 60%, mas o departamento de salário só deu 38%, e nós iremos homologar no próximo mês no tribunal. Mas o desembargador diz que não pode conceder 38%. Quer dizer que nós estamos com prejuízo, porque sabemos que de 1978 para cá nós tivemos o custo de vida muito elevado, principalmente a carne bovina. Mas o Ministro do Comércio liberou ao preço que o retalhador quisesse. Acarretou um prejuízo para o Nordeste.

Entrevistador – E você sabe porque vocês perderam de 1973 para cá o salário?

José Serieto da Silva – A cerca da contabilidade do departamento de salário.

Entrevistador – Escuta, esse negócio deve ter sido mais ou menos uns trezentos mil trabalhadores que pararam?

José Serieto da Silva – Bom, se na nossa área, no nosso sindicato existir uma solução do Tribunal Federal, nós não partiremos para greve. Porque no momento os industriários estão passivos conosco. Nós participamos com o sindicato da indústria. Porque agora por causa dos 38%, ele reuniu-se conosco e pagou logo. Todos os trabalhadores de Pernambuco das zonas açucareiras estão recebendo. Agora, eu venho sentindo muito é sobre a causa do trabalhador rural, porque são os menos favorecidos no nosso país.

Entrevistador – Então o senhor acha que lá não vai ter necessidade de fazer como São Paulo?

José Serieto da Silva – Não.

Entrevistador – Você acha que dá para conseguir, é diferente?

José Serieto da Silva – É muito diferente. Porque nós temos condições de conciliar um com o outro.

Entrevistador – Obrigado. (Pausa) Como é o nome do senhor?

Francisco Nunes de Moura – Francisco Nunes de Moura.

Entrevistador – De que sindicato?

Francisco Nunes de Moura – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de Maranguá.

Entrevistador – Ceará?

Francisco Nunes de Moura – É, Ceará.

Entrevistador – Então, quer dizer, as greves de São Paulo, de São Bernardo, Santo André, não chegaram até vocês?

Francisco Nunes de Moura – Não, não foi divulgado pela imprensa. Não sei porque não foi divulgado. Nós não tomamos nenhum conhecimento. Então quando eu pego um jornal desse aqui que me deram um bocado, mostrando a greve. Eu não estava sabendo de nada.

Entrevistador – E quem leva as notícias daqui para lá?

Francisco Nunes de Moura – É, levam alguma notícia, mas ele mesmo não publica nada.

Entrevistador – E a TV também não deu?

Francisco Nunes de Moura – O sindicato no Ceará, ninguém tem condições de mandar uma nota para dizer alguma coisa. A imprensa cobra muito dinheiro, ninguém pode pagar. Então é muito difícil quando se fala em defesa do trabalhador. É abafado, ninguém tem condições de divulgar.

Entrevistador – No Ceará não dá para fazer isso?

Francisco Nunes de Moura – Não, não dá para fazer.

Entrevistador – Porque lá existe essa diferença?

Francisco Nunes de Moura – Bom, acho que é por causa do atraso, partindo logo dos patrões, que não existe um esclarecimento. Aqui você vê que os próprios patrões, tem até alguns que concordam com a greve. Porque existe empresas que fazem concorrência. E umas empresas prejudicam as outras, as grandes prejudicam as pequenas. Então eles têm aqueles problemas também. No Estado do Ceará, como as empresas são todas pequenas, não tem condições. Não existe a oferta da mão-de-obra, não existe nada disso. Se você for falar em greve no Ceará, vai preso na hora. A polícia pega e te prende logo.

Entrevistador – Está assim?

Francisco Nunes de Moura – É.

Entrevistador – A repressão lá é mais violenta?

Francisco Nunes de Moura – É muito mais. Então os sindicatos do interior são os que sofrem mais, especialmente os dos trabalhadores rurais. Esses são um número muito grande. Todo o município tem que ter o sindicato rural, porque 70% dos trabalhadores do Ceará são do campo. Então aquela maioria, tem que ter mesmo no município, com ajuda do FUNRURAL. Os sindicatos dos trabalhadores rurais, não sei nos outros Estados, mas no Ceará são os sindicatos que prestam só assistência, não tem nada. O que eles dão é o que o governo, aliás através do FUNRURAL. Não tem uma base, não tem preparo.

Homem – Eles atuam como uma mera assistência.

Francisco Nunes de Moura – É assistência, não tem preparo. Então o trabalhador rural no seu município, como é mais adiantado, está dentro da área metropolitana. Nós somos mais elevados, porque fica perto da capital. Mas tem sindicato do interior mesmo, do Crato, Juazeiro. Esses ninguém nem fala.

Entrevistador – O senhor acha então que lá ninguém ficou sabendo?

Francisco Nunes de Moura – Não.

Entrevistador – E o senhor, como ficou sabendo, através desses jornais aqui que estão sendo distribuídos? Qual é a sua opinião sobre o que aconteceu em São Paulo, esse mês?

Francisco Nunes de Moura – Ninguém pode dar assim uma opinião, porque ninguém sabe os motivos da greve. Então eu não gosto de dar opinião quando eu não sei o motivo. Se eu soubesse porque houve a greve aí sim. Acontece o seguinte, nós que estamos dentro da área metropolitana, nós não temos jornais que circulam nacionalmente. Só temos em Fortaleza. Então não posso sair de uma distância de vinte e oito quilômetros para comprar um jornal. É claro que eu não tomei conhecimento. E esses jornais só são vendidos na capital do Estado. Todo o resto não toma conhecimento. Se tomar é através dos empresários, que são quem pode comprar um jornal, que tem seus escritórios na capital. Esses não vão passar para o trabalhador, dizer que está fazendo greve.

Entrevistador – E sem ser essa greve de São Bernardo. Como é que o senhor vê a greve dos trabalhadores?

Francisco Nunes de Moura – Bom, eu vejo a greve, dependendo da situação de cada empresa. Porque tem empresa, pelo menos lá no nosso Estado que se o trabalhador fizer uma greve, ele vai achar bom, porque as dificuldades deles são iguais as nossas. As nossas empresas a maioria são quase de artesanais. Estão começando agora. Os homens que têm dinheiro ou condições de fazer empréstimos através da SUDENE, é que estão procurando transformar a nossa matéria-prima e produtos industrializados. Porque antes, o nosso algodão vinha todo para São Paulo, porque nós não tínhamos indústrias que pudessem transformar. Então eles também têm as mesmas dificuldades. Então fazer uma greve no município do Estado do Ceará é difícil. Não tem condições.

Entrevistador – Agora, não é no caso de fazer a greve. Como instrumento o que o senhor considera a greve? Tem muita gente que acha ilegal.

Francisco Nunes de Moura – Bom, quando as empresas têm condições de pagar um justo salário aos seus empregados e não paga, a greve é legal. Eu acho legal, porque isso está na lei de Cristo, o próprio Jesus Cristo já dizia: “Pague salário justo aos seus empregados”. Se todos nós cumpríssemos a lei de Cristo, que eu acho que é a mais humana que existe, não existiria contradições entre as categorias. Porque eu não considero, vamos dizer, uma empresa não vive sem o trabalhador e nem ele vive sem ela, nós sabemos disso. Mas nós achamos que deve haver um diálogo entre as partes. Nós sabemos que aqui no Sul existe as multinacionais, que eu não sei em o que é, são grandes empresas que estão explorando aqui a nossa nação, que têm condições de pagar um bom salário aos seus empregados e não pagam.

Entrevistador – Escuta, lá como é que está a situação, quantos associados tem o seu sindicato?

Francisco Nunes de Moura – Bom, o meu sindicato foi criado em 1968 com noventa e sete associados, que era o número de operários que tinha na categoria.

Entrevistador E hoje?

Francisco Nunes de Moura – E hoje nós estamos com mil associados, são todos da categoria, porque as empresas vão aumentando e nós estamos acompanhando esse aumento da empresa também, e conscientizando o trabalhador e o próprio empregador.

Entrevistador – E é uma empresa só que é filiada?

Francisco Nunes de Moura – São duas.

Entrevistador – Quais são essas empresas?

Francisco Nunes de Moura – Uma é do Grupo Collaris, que faz parte do grupo da família do Chico Anísio, que tem uma boa compreensão, e é um grupo do município, não tem nada com nacional, nem multinacional. É um pessoal que tem uma compreensão, que conversa conosco, e nós vamos levando de acordo com a possibilidade do nosso município. Porque é uma empresa municipal, muito diferente do estadual ou multinacional, como ele diz aí. Quer dizer, que nós lutamos com a nossa mão-de-obra, com a nossa matéria prima e fazemos exportação.

Entrevistador – E a outra, qual é?

Francisco Nunes de Moura – A outra é do grupo Macedo, que é um grupo nacional, mas que é capital cearense.

Entrevistador – E a situação desses trabalhadores dessas empresas como é que está?

Francisco Nunes de Moura – Porque o trabalhador quando ele vem procurar o emprego, você chega numa empresa tem a placa “Precisa-se”, aí vem a relação, lá se fizer isso, ninguém encontra um, porque não existe uma mão-de-obra especializada. Então a empresa está precisando, essa empresa do Grupo Collaris, ela começou com cinquenta operários hoje ela está com setecentos. Mas o que ela faz? Ela chama o operário, escreve, o que você sabe fazer? Nada. então você vai começar de salário mínimo, vai aprender. Depois que ele aprendeu, aí ela vai promovendo de acordo com a sua capacidade de trabalho. Quer dizer, o trabalhador mais inteligente, que aprende mais rápido, esse ele paga salário mínimo mais uma produção.

Entrevistador – E quanto ganha mais ou menos?

Francisco Nunes de Moura – Parte do salário mínimo, depois de um ano. Se ele for um operário bom, que não tenha falta, ele passa a dar mais 10% acima do salário.

Entrevistador – Escuta, e porque o senhor acha que existe essa diferença entre o Ceará? Por exemplo, a sua cidade não chega jornal e as outras cidades do Brasil, que num país só há tanta diferença assim?

Francisco Nunes de Moura – Depende da região, muito. Porque o Ceará tem duas regiões, a região Norte do Estado, que essa é mais precária; e tem a Sul, já é mais elevada, que é o vale do Jaguaribe, que são mais ou menos umas quinze cidades, de quinze a vinte cidades que o pessoal é mais elevado.

Entrevistador – E o que falta para que a sua cidade fique mais elevada?

Francisco Nunes de Moura – Bom, aí depende muito de capital. Porque se nós temos matéria-prima e não existe um incentivo por parte do governo, vamos dizer que tem 70% da nossa população do meio rural, daí ultrapassa a produção. Aconteceu no ano passado, o governo incentivou o plantio de algodão, é claro que todo mundo plantou. O governo dava prêmio a quem plantasse mais. Mas aí quando veio a produção, cadê? Não tinha mercado, e se não tinha, não tinha planejamento. Nós não temos indústria capacitada para transformar agora que está aparecendo por lá. Tem uns projetos na SUDENE para transformar essa matéria-prima. Então vem a dificuldade, o que você vai fazer? Pega uma produção e não tem mercado.

Entrevistador – O senhor foi lá em cima e impressionou todo mundo, e eu queria saber como é que é num lugar com tão poucas condições de se informar já que não chega…

Francisco Nunes de Moura – Certo. (Pausa) Nós estávamos falando do trabalhador contido, tolhido. Então essa repressão toda a partir do advento da greve, do movimento lá de São Paulo, do ABC, me parece que todos os trabalhadores do Rio de Janeiro, mas todos os trabalhadores começaram a antever a possibilidade desse tipo de negociação sobre pressão. E a única maneira que o trabalhador tem evidentemente, elementarmente todos sabem conquistar alguma coisa sobre pressão, e a única forma de pressão é a greve. Então nossa área, como somos de serviços públicos, há muita gente que entende que não se deve fazer. Mas nós temos certeza que é possível, e já foi feito. E não há outra fórmula de se conseguir tirar alguma vantagem das negociações a não ser dessa maneira, sobre pressão. Então a partir desse movimento começou todo o sindicalismo a ter novo alento, acompanhar um real interesse de perto toda essa movimentação, e parece que daí vem surgindo toda essa liderança mais autêntica, mais aberta. E esse grito de abertura sindical, de liberdade para que se possa realmente tirar o trabalhador desse marasmo, desse freio que ele vem sofrendo desde 1964.

Entrevistador – Está ok, muito obrigado.

(…) – Ao dinamismo, a autenticidade e a caracterização por suas bases dos valorosos companheiros do ABC Paulista, do Rio de Janeiro e de outras tantas regiões que são os verdadeiros representantes dos trabalhadores. (Aplausos) Faço agora, companheiros, o registro que desejo fazer em relação ao assunto aqui discutido, peço que o companheiro anote no relatório por gentileza, no que se refere a legislação de falência, quando discute-se o dissídio individual na Justiça do Trabalho. Pede a comissão que os depósitos, que o dinheiro arrecadado pela massa falida seja depositado na Caixa Federal ou outro estabelecimento de crédito que renda juros. Ora, companheiros, a lei de falência, que eu aqui não tenho o texto legal, diz que todo o dinheiro que for sendo arrecadado pela massa falida seja imediatamente distribuído proporcionalmente aos trabalhadores através do crédito de privilegiados. Então não vejo porque fazer depósito daquilo que já é do trabalhador. Peço, portanto, que seja suprimida essa parte do relatório da comissão. Era esse o nosso posicionamento. (Aplausos)

Entrevistador – Bom, inicialmente seu nome, a categoria que é, o sindicato que está filiado.

Basílio Soares Souto – Meu nome é Basílio Soares Souto, eu sou assessor jurídico do Sindicato da Construção Civil de Uruguaiana, mas fui inscrito aqui como membro do sindicato.

Entrevistador – Está correto. Então o que nós estamos querendo saber é: como que a informação das greves no ABC chegou até o Rio Grande do Sul, Uruguaiana, especificamente. E que tipo de reação existiu entre os trabalhadores lá? Você fazendo uma análise.

Basílio Soares Souto – Inicialmente, nós devíamos fazer uma análise do sindicalismo no Rio Grande do Sul. Eu estou numa cidade distante da capital, mas há muito tenho acompanhado o sindicalismo, entende?

Entrevistador – Desde quando mais ou menos você acompanha o sindicalismo?

Basílio Soares Souto – Dez anos.

Entrevistador – Sempre em Uruguaiana, ou lá em Porto Alegre?

Basílio Soares Souto – Não, eu tenho viajado.

Entrevistador – Em Porto Alegre, também chegou a trabalhar no sindicato?

Basílio Soares Souto – Sim. Bom, então nós temos que fazer uma análise que após 1964, o sindicalismo no Rio Grande do Sul passou a ser dominado pelos pelegos. Com exceção da Federação dos Bancários, as demais federações são dominadas por pelegos, por gente que não interessa fazer o sindicalismo até as bases. Então negocia com os patrões, mas negociações que eles certamente têm as suas vantagens. E através de interesses completamente distanciados de suas bases. Eu acho que a pessoa que está me entrevistando, o nosso companheiro aqui quer saber se nós do Rio Grande do Sul divulgamos um documento nos manifestando sobre liberdade sindical, anistiam uma série de coisas dessas reivindicações mais autênticas, mais dinâmicas, que o sindicalismo e o trabalhador desejam atualmente.

Entrevistador – Você tem uma cópia desse documento para arranjar ou não?

Basílio Soares Souto – Não tenho, mas foi divulgado por aí. Bom, a única federação que assinou foi a dos Bancários. As demais simplesmente se negaram a assinar esse documento, quer dizer, estão eles estão completamente distanciados das necessidades de base. Daí porque então para responder diretamente à pergunta, seria dizer que a greve no meio da classe operária ela surtiu os efeitos. Mas acontece que nós dirigentes sindicais, aqueles que estão comandando, que dirigem, que vão a cabresto, como nós gaúchos dizemos, eles têm interesse em barrar, em não dar divulgação. Então eu acho que de uma forma geral os trabalhadores, principalmente os metalúrgicos, e os bancários do Rio Grande do Sul, eletricitários, receberam com muito bons olhos. Eu pessoalmente que sou bancário, sou dirigente, que a greve no ABCD Paulista é um novo marco no sindicalismo brasileiro, e esse que está fazendo muito bem, liderado pelo Lula. É aquilo que o trabalhador quer, e tenho a esperança que dentro de poucos anos ele deve se libertar do jugo do capitalismo e dos pelegos.

Entrevistador – Certo. Então mais especificamente, você tem conhecimento de algum movimento que surgiu a partir do que aconteceu no ABCD, lá no Rio de Janeiro, ou seja, algum manifesto, abaixo-assinado reivindicando aumento do salário, ou coisa do tipo? Você teria alguma informação sobre isso?

Basílio Soares Souto – Precisamente não. É que em Porto Alegre existe um movimento dos metalúrgicos da oposição a atual direção que já fizeram uma chapa em anos anteriores e perderam. Mas existe um trabalho de base muito bom, e eu suponho que esse movimento, que esse grupo teria condições de conduzir uma greve, mas praticamente eu não tenho conhecimento do que tenha ocorrido.

Entrevistador – Então o senhor não tem conhecimento desse tipo de coisa? Agora, mudando um pouco de assunto, uma das reivindicações que os sindicatos fazem hoje é sobre o contrato coletivo de trabalho. Como que isso se encaixaria dentro do estágio atual de reivindicação do Rio Grande do Sul, como entraria isso?

Basílio Soares Souto – Como?

Entrevistador – Como que você vê, se tem condições ou não? E o que você entende por contrato coletivo de trabalho?

Basílio Soares Souto – Não, eu entendo contrato coletivo de trabalho como existe hoje, na prática ele não tem muita influência, porque o que nós queremos, e está sendo debatido nesse congresso, é que o trabalhador tenha condições de discutir e decidir diretamente com a classe patronal. Porque pela legislação atual nos impede, porque o governo é intermediário, você sabe muito bem disso. Então dentro da estrutura sindical vigente, contrato coletivo de trabalho é uma farsa, porque nós temos que fazer um contrato que sempre tenha em vista…

Entrevistador – Mediação da delegacia.

Basílio Soares Souto – Mediação da Delegacia, do Ministério do Trabalho. O governo, em última análise é que dá o índice salarial. Se nós conseguimos alguma coisa além disso, mas são mínimas, e que eles até, às vezes, aceitam para poder manter a farsa. Quer dizer, o verdadeiro contrato coletivo de trabalho, nós só teríamos se tivesse plena liberdade de negociar diretamente com o patrão.

Entrevistador – E você vê hoje condições para fazer esse tipo de contrato coletivo de fato, o real, como vem acontecendo. Ainda hoje nos jornais divulgaram um acerto que foi feito em São Bernardo, com uma das empresas, que eu não lembro o nome. No Rio Grande do Sul existe essa condição de se fazer o contrato diretamente trabalhador e patrão?

Basílio Soares Souto – Eu acho que ainda não. Talvez no início do trabalho, porque nós sabemos que isso foi feito em São Paulo, no ABCD. Quer dizer, é resultado de um trabalho eficiente de dirigentes sindicais dinâmicos e autênticos, e no Rio Grande do Sul nós ainda não temos isso. Os que têm são muito incipientes. Mas acredito que com esse respaldo que está dando São Paulo, eu acho que com um certo tempo isso será possível.

Entrevistador – Está OK, obrigado. (Pausa) Bom, inicialmente eu quero saber o seu nome, e o sindicato que você pertence, e o seu cargo.

Nadir Antônio Pinheiro – O meu nome é Nadir Antônio Pinheiro, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim.

Entrevistador – Certo. Então, quando é que foi fundado o sindicato?

Nadir Antônio Pinheiro – Nosso sindicato foi fundado no dia 29 de setembro de 1977.

Entrevistador – Como é que foi o processo de eleição da diretoria?

Nadir Antônio Pinheiro – Não, o processo de eleição foi simples, foi uma chapa apenas, nós não tivemos oposições, pela primeira vez.

Entrevistador – A principal fábrica é a FIAT, que foi fundada agora. Então eu pergunto: quantos trabalhadores tem a FIAT? E qual a base territorial do sindicato?

Nadir Antônio Pinheiro – A base territorial do sindicato é só Betim, nós esperamos ter condições de expandi-lo mais um pouco. Mas no momento está difícil. E a quantidade de operários que tem dentro da fábrica deve estar por volta de oito mil funcionários. E dentro de toda a base de Betim aproximadamente uns quatorze mil.

Entrevistador – E desses por um sindicato novo, quantos são sindicalizados?

Nadir Antônio Pinheiro – Nós temos mil e oitocentos.

Entrevistador – E está existindo alguma campanha de sindicalização? Como é que está sendo o processo do pessoal se sindicalizar?

Nadir Antônio Pinheiro – Não, o processo em algumas partes está um pouco difícil, devido às dificuldades que as firmas geralmente propõem para nós trabalharmos, por ser um sindicato novo está havendo bastante. Mas por outro lado nós estamos procurando vencer através dos próprios companheiros da categoria e vencer sobre o estado, e estamos conseguindo.

Entrevistador – Quantos votos vocês conseguiram nessa primeira eleição?

Nadir Antônio Pinheiro – Na eleição dentro do sindicato?

Entrevistador – É. Para vocês se elegerem.

Nadir Antônio Pinheiro – Nós conseguimos dos votos dos sócios que já eram e tinham condições de votar, nós conseguimos votos.

Entrevistador – Então dá uns mil e oitocentos? Quando é que foi que vocês tomaram posse?

Nadir Antônio Pinheiro – Nós tomamos posse dia 30 de setembro de 1977.

Entrevistador – 1977. Agora vamos entrar mais especificamente no motivo que eu estou querendo fazer a entrevista. É o seguinte, você deve estar por dentro da paralisação que aconteceu no ABCD em São Paulo, e continua acontecendo. Então eu queria saber o que isso significou para o trabalhador metalúrgico também de Betim?

Nadir Antônio Pinheiro – Em Betim apesar de não ter havido manifestação por parte de nenhum dos metalúrgicos, no nosso pensamento achamos bastante justo e ajudou bastante devido essa greve que houve. Essa paralisação que houve aqui vai se facilitar bastante os nossos trabalhos de lá também.

Entrevistador – Então na sua opinião o movimento do ABC chegou a modificar um pouco o que passa pela cabeça do trabalhador de Betim, Minas Gerais?

Nadir Antônio Pinheiro – Modificou bastante.

Entrevistador – Você teria algum fato concreto que servisse de mostra para essa modificação?

Nadir Antônio Pinheiro – Não, um fato concreto que servisse de mostra eu não tenho assim completo para apresentar, mas baseando-se apenas no tipo da pessoa falar conosco, no tipo de conversa que ele tem a respeito disso, dá para nós notarmos que modificou bastante.

Entrevistador – Qual a data-base de reajuste salarial?

Nadir Antônio Pinheiro – É 1º de outubro.

Entrevistador – Bom, 1º de outubro ainda tem três meses. Então eu pergunto o seguinte, desde o último reajuste até agora, vocês não tiveram nenhuma antecipação? Não existiu nenhum abaixo-assinado pedindo aumento ou qualquer coisa desse tipo?

Nadir Antônio Pinheiro – Não, nós não fizemos nenhum abaixo-assinado para pedir aumento, surgiram antecipações de várias firmas.

Entrevistador – Na FIAT?

Nadir Antônio Pinheiro – Certo. Na FIAT foi dado apenas 18%, me parece que…

Entrevistador – De antecipação ou de reajuste?

Nadir Antônio Pinheiro – Não, de antecipação.

Entrevistador – Vai ser descontado?

Nadir Antônio Pinheiro – Vai, vai ser descontado. Mas nós estamos tentando negociar para que isso não aconteça. E me parece que foi a firma que deu menos.

Entrevistador – A FIAT?

Italgino Miguel Ferreira – Nós percebemos 11% a partir de 1º de abril, e 7% a partir de 1º de julho.

Entrevistador – Da FIAT?

Italgino Miguel Ferreira – Da FIAT, eu sou da FIAT. E de maneira que isso foi entrando em contrato, saiu circulares nos quadros, comunicando os dias do trabalho do sindicato. E esses 18%, quer dizer, em total seria descontado a partir do dissídio que era dia 1º de outubro. E o nosso interesse. Inclusive eu, como colaborador do sindicato, fui também convocado para ser o vice-presidente, mas devido a distância que moro, não podendo participar de todas as reuniões, achei melhor ficar em colaboração. Então sou um colaborador do sindicato, sempre levando sócios.

Entrevistador – Correto. Então só para finalizar. Vocês têm algum projeto em fazer algum pedido para aumento além do oficial, ou algum movimento em mente, alguma coisa nesse sentido?

Nadir Antônio Pinheiro – Movimento ainda não temos nenhum, mas projetos já temos sim.

Entrevistador – E qual seria? Vocês pretendem por exemplo fazer algum abaixo-assinado?

Nadir Antônio Pinheiro – Nós vamos estuda-lo primeiro para ver que condições nós podemos aplica-lo.

Entrevistador – Você teria alguma coisa a acrescentar nisso? Não vai sair em jornal?

Italgino Miguel Ferreira – Pergunte, por favor, pergunte.

Entrevistador – Não, eu queria saber sobrea aquilo lá, que você estava me contando, aquele que tem uma assistência social…

Italgino Miguel Ferreira – Ah, sim! Quanto a assistência social da FIAT é um sistema que beneficia nossa família, porém depende de um reembolso nosso de complementação do serviço médico. Ela tem um posto que funciona no centro, dificulta, porque os agrupamentos de funcionários são distantes e esse serviço é só para a família, o funcionário não tem direito. Agora, todo o direito depende que ele reembolse, quer dizer, num único consultório que atende. Através do sindicato nós já temos o serviço médico que não depende de dinheiro nenhum, mas devido a muitos associados ainda não serem esclarecidos, o sindicato acha até difícil usá-lo. Então aqueles que participam e colaboram também nos endereços. Agora o sistema de benefício da FIAT, para sairmos da seção, exigem uma autorização interna, é uma série de burocracia que nós temos que obedecer. Em cada galpão existe uma pessoa credenciada, e todas as orientações. Agora o benefício quando é encaminhado pelo serviço médico, é atendido direito. Não sendo, tem que passar pelo presidente da aposentadoria, e o benefício todo é um regime muito seguro, o qual muitas vezes não temos informação concreta. Não funciona como um serviço social ao povo, mas sim aquilo que dá oferece a coisas restritas. Estas propostas para daqui a dois anos, funcione em melhores condições.

Entrevistador – Certo. Inclusive eu acredito que em Minas Gerais vocês vão ter pela frente um patrão altamente escolado em sindicalismo, porque a FIAT na Itália, que é a matriz dessa fábrica, tem um sindicalismo, uma das coisas mais fortes que é Giovani não sei o que, que é o dono mundial da FIAT.

Italgino Miguel Ferreira – Sim.

Entrevistador – Quando ele vai ter um acerto com trabalhador ele senta na mesa e o cara do sindicato senta na frente dele, e o bate-boca é direto. Quer dizer, vocês vão ter, eu não sei se vocês tomam conhecimento desse tipo de luta na Itália, o próprio metalúrgico italiano.

Nadir Antônio Pinheiro – Certo.

Entrevistador – Vocês tomam conhecimento disso, ou não?

Nadir Antônio Pinheiro – Nós tomamos sim.

Entrevistador – Que tipo de informações revistas ou jornais ou coisas desse tipo?

Nadir Antônio Pinheiro – Inclusive eu já recebi várias comunicações diretamente da Itália, devido a fábrica estar localizada dentro de Betim. Então o sindicato sempre tem várias comunicações que eles mandam para nós contando como é o regulamento do sindicato dentro da Itália.

Entrevistador – Ah, é? Quer dizer, é o pessoal da Itália que mandam para vocês?

Nadir Antônio Pinheiro – Da Itália que mandam.

Entrevistador – Do sindicato da Itália?

Nadir Antônio Pinheiro – É, do sindicato da Itália.

Entrevistador – E quando tem reajustes quais as maneiras de luta e tudo o mais, eles mandam?

Nadir Antônio Pinheiro – Eles sempre mandam para nós.

Entrevistador – E o que você tem a dizer do movimento sindical italiano dentro desse conhecimento que você tem?

Nadir Antônio Pinheiro – Bom, dentro do conhecimento que eu tenho, se nós conseguíssemos fazer algumas coisas, nem todas as coisas de lá, na minha opinião estão certas, muitas coisas precisavam ser mudadas e outras que são certas que precisam ser aplicadas aqui.

Entrevistador – Está correto. Obrigado. (Pausa) Tatas do sindicato de Betim, a fundação e quando vocês tomaram posse?

Tatas – Foi publicada essa data, eu publiquei a data de fundação que nós tomamos posse. A carta sindical foi feita no dia 29 de setembro de 1976, e a diretoria foi empossada dia 30 de setembro de 1977.

Entrevistador – Ah! Correto. (Pausa) Então inicialmente o seu nome, cargo e sindicato que você pertence.

Manuel Cabral Magalhães – Manuel Cabral Magalhães, presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo.

Entrevistador – Está ok. Existiu a paralisação nesse primeiro semestre no ABC, em São Paulo. Então foi um movimento que está sendo considerado um marco de reestruturação no sindicalismo do Brasil. Então eu queria saber como chegou aqui no Rio de Janeiro, aos trabalhadores essa notícia, e qual foi a repercussão dela aqui entre os trabalhadores?

Manuel Cabral Magalhães – Foi uma das melhores notícias que os trabalhadores do Rio de Janeiro podiam ter, no momento ninguém esperava um acontecimento desse. Sentimos a necessidade de acontecer, mas aqui no Rio de Janeiro ninguém ainda estava preparado para isso, e eu acho que o acontecimento no ABC não só favoreceu o sindicalismo local, do Estado de São Paulo, como favoreceu todos os trabalhadores do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Inclusive aqui na minha área a repercussão foi tão boa que nós entramos na luta e nós aqui também.

Entrevistador – Sem que para isso não tenha feito nada, não existiu nenhum movimento a partir daqui que permitiu esse.

Manuel Cabral Magalhães – Não, existiu o movimento, não tinha dúvida que aquela conscientização que os trabalhadores do ABC tiveram e o equilíbrio nós imediatamente transmitimos aos nossos que só poderia ter alguma coisa, algum aumento, algumas melhorias se tivessem aquele nível de conscientização e automaticamente eles aceitaram. Tivemos pequenas paralizações e ganhamos aumento.

Entrevistador – Você que é um cara ligado à sua base, eu queria que você me contasse que tipo de comentários que o pessoal fez em relação a greve, no nível de bate-papo?

Manuel Cabral Magalhães – Ó! No nível de bate-papo o que eles falam é o de melhor. Inclusive despertou. Eu acho que nenhum trabalhador no Brasil poderia dizer o contrário, mostrou ao Brasil, ao mundo o alto nível de conscientização em que já se encontra o trabalhador brasileiro. Embora sabendo que muitos não queriam que isso acontecesse, não queriam da forma que aconteceu, mas nós trabalhadores vibramos.

Entrevistador – Como é que esse negócio de não queriam que acontecesse da forma como aconteceu? Eu não entendi.

Manuel Cabral Magalhães – Porque nós notamos isso que está acontecendo nesse congresso de vocês.

Entrevistador – Essa divisão, isso que você está dizendo?

Manuel Cabral Magalhães – Essa divisão, de que é lógico, nós estamos notando aqui no Rio de Janeiro, nesse congresso dos industriários, que existe uma divisão inconsequente, inconsciente. Mas no fundo nós sabemos que eles são a minoria, infelizmente a massa, a força industriaria brasileira está no Sul, e eles irão ganhar com essa força. Mas nós sabemos também que eles precisam ainda desenvolver um pouco mais, mas também aceitamos o porquê que eles não fazem isso.

Entrevistador – Outra coisa. A sua categoria soma mais ou menos quantas pessoas?

Manuel Cabral Magalhães – No Estado do Rio de Janeiro nossa categoria soma quarenta mil integrantes.

Entrevistador – E desses, quantos são associados ao sindicato?

Manuel Cabral Magalhães – Seis mil.

Entrevistador – Seis mil, uma proporção de uns 25%.

Manuel Cabral Magalhães – É.

Entrevistador – Qual a data-base da sua categoria?

Manuel Cabral Magalhães – A nossa categoria é dividida em três grupos. Em dois grupos praticamente dizendo, mas em tipo de dissídio são em três, a partir de 1979 será em quatro.

Entrevistador – Quatro datas?

Manuel Cabral Magalhães – É, serão quatro dissídios a partir de 1979. No momento a área atacadista é a que compõe as empresas multinacionais do petróleo são: a Esso, Shell, Atlantic, Mobiloil, a Catrol e a Petrobrás também distribuidora. As áreas varejistas são as empresas de gás liquefeito e os postos de gasolina que são a partir de 24 de abril. E temos também a áreas de mineração, nas empresas de mineração. Normalmente no meu estado nós não temos mineração, nós temos escritórios, que a data-base também é a partir de 1º de janeiro.

Entrevistador – Então, diante do que aconteceu no ABC, existiu alguma alteração nisso, ou seja, saiu algum reajuste? E especificamente em cada uma dessas quatro?

Manuel Cabral Magalhães – Bom, todo ano nós pedimos aumento.

Entrevistador – Fora da data?

Manuel Cabral Magalhães – Fora da data-base. Desde 1964 nunca tivemos esse aumento, a não ser aquele ano, não me lembro bem em que o governo deu 10% de adiantamento para toda a classe trabalhadora. Fora disso nós nunca ganhamos mais nada. E esse ano nós acompanhamos o desenvolvimento do sindicalismo, do trabalhador brasileiro. Não posso falar sindicalismo porque o sindicato não tem nenhuma condição de movimentar o trabalhador para nada. Se existe alguma coisa é porque é de base. Bom, os trabalhadores da nossa categoria sentiram o trabalho de base que foi desenvolvido no ABC, e eles vieram ao sindicato e reivindicaram os mesmos direitos que houve lá. Nós dissemos a eles que não havia condições, porque o sindicato não tem nenhuma condição de pedir aumento, é feito no dissídio. Poderia fazer democraticamente enviando documentos, mas se a resposta fosse negativa, os trabalhadores de base que teriam, porque o sindicato não tinha condições dentro da política sindical e fazer mais nada. E pedimos por documentos e as empresas responderam que iam dialogar, e fomos ao diálogo, e no decorrer os trabalhadores iriam aos seus chefes. Fizemos movimentos sem a participação do sindicato, porque a estrutura sindical não permite que façam nada. Foram os próprios trabalhadores que sentiram essa necessidade, e nós entramos num diálogo. Todos os setores que pedirem aos dirigentes sindicais fossem as bases, que os sindicatos interferissem, nós fomos e conseguimos um aumento.

Entrevistador – Está legal. (Pausa) Muito tem se falado sobre o contrato coletivo de trabalho, eu acredito que o que deve existir mesmo, é dúvida na cabeça de todo mundo, tanto de dirigentes sindicais, como também da própria base da maioria das categorias. Então eu perguntaria para você: o que você entende como contrato coletivo de trabalho, e que avanço significa para os trabalhadores hoje?

Humberto Gonçalves – Na nossa categoria nós temos o contrato coletivo de trabalho, por incrível que pareça, há muitos anos. Só que a renovação desse tem sido apenas pequeníssimos aumentos, porque a estrutura sindical não permite que nós consigamos melhoria. É feito o diálogo numa mesa, com todo o conforto, com tudo, mas as conquistas são mínimas possíveis, o que normalmente os empresários das multinacionais alegam, é que não há condições de dar melhores condições. Mas na área atacadista nós temos contrato coletivo de trabalho bienal.

Entrevistador – E como é que se dá esse contrato coletivo de trabalho?

Humberto Gonçalves – Bom, nesse contrato nós temos salário família, quinquênios.

Entrevistador – O que é esse quinquênio?

(___) – Adicional por tempo de serviço, dentro de uma faixa nós temos o adicional de tempo de serviço. (Pausa)

Entrevistador – Fala seu nome e o seu cargo aqui no sindicato.

Humberto Gonçalves – Humberto Segredo Gonçalves, secretário do sindicato.

Entrevistador – Você estava contando agora a pouco sobre o dissídio, do quinquênio coletivo?

Humberto Gonçalves – É, sobre a nossa convenção coletiva de trabalho, convenção essa que nós temos desde 1963. É uma das conquistas que nós já temos desde essa época. Com referência as férias, chama trinta dias, que agora se tornou para todos os trabalhadores a partir do ano passado. Nós já temos essa conquista desde 1963, portanto há quinze anos que nós já temos trinta dias de férias. Nós temos também o adicional por tempo de serviço, que começou a partir do quinto ano na empresa. Com o decorrer do tempo, desde o primeiro ano de serviço, que é 10%, dois anos de serviço, 20%, três e quatro anos, 45%, de cinco a nove anos na empresa, 60%, de dez a quatorze anos, 70%, de quinze a dezenove anos, 85%, e para os trabalhadores que têm mais de vinte anos, já é um adicional de 95%. Quer dizer, quando ele sai de férias, além de receber o salário, ainda recebe o correspondente. No caso de vinte anos, a 95%. Há possibilidade de ele gozar as férias.

Entrevistador – E isso aí funciona desde quando?

Humberto Gonçalves – Funciona desde 1963.

Entrevistador – São os mesmos itens.

Humberto Gonçalves – Com o decorrer de dois em dois anos é discutido o contrato coletivo, nós vamos obtendo maiores vantagens. Nesse caso do adicional de férias, começou com cinco anos e hoje já desde o primeiro ano já tem direito. Com referência as horas extras nós temos as duas primeiras horas são pagas na base de 35%, e após a quarta hora, 100%. O nosso salário família também é de cem cruzeiros por filho ou filha até dezoito anos de idade incompletos, e filhos válidos em qualquer idade que estejam recebendo tal benefício do INPS.

Entrevistador – Na área atacadista?

Humberto Gonçalves – Isso é na área atacadista.

Entrevistador – Esse contrato coletivo foi feito com o sindicato patronal?

Humberto Gonçalves – Com o sindicato patronal. Esse aqui é o último, esse que eu estou dizendo agora, é o que terminará agora no próximo dia 31 de dezembro de 1978.

Entrevistador – E esse é para qual configurino atacadista?

Humberto Gonçalves – Atacadista, é para os empregados distribuidoras de gasolina, Shell, Esso, Atlantic, Petrobrás, Ipiranga e outros.

Entrevistador – Aqui no Rio de Janeiro existe algum outro sindicato que tenha contrato assim, outra categoria?

Humberto Gonçalves – Olha eu, é possível que já tenha, mas eu acredito que o nosso sindicato tenha sido pioneiro.

Entrevistador – Desde 1963?

Humberto Gonçalves – Desde 1963 que nós temos essa convenção coletiva de trabalho. Ela é renovada bienalmente. Eu tenho a impressão que é pelo que me consta, eu acho que é pioneira.

Entrevistador – Então agora para o Reinaldo, eu tenho uma pergunta. Você já está no meio, já pratica o contrato coletivo de trabalho. Você podia fazer uma comparação com esse outro, essa contratação individual que existe? Tem um contrato aqui que São Paulo não tem o contrato financeiro, um sistema do governo.

Humberto Gonçalves – Nós também temos na área varejista que compõe as empresas de gás liquefeito uma convenção coletiva de trabalho desde uma época que a gasolina. Só que a do gás liquefeito foi conquistada na Justiça, que os trabalhadores do gás acharam que tinham os mesmos direitos da área atacadista. Mas existe uma diferença que em todo o Brasil é praticamente quase idêntica à da área atacadista, mas da área varejista, que é a do gás, esse ano nós tivemos uma vitória muito grande. Primeiramente no salário. Porque o salário família era dado, estipulado um salário fixo, e a partir desse ano, de março de 1978, ele é aumentado do salário referência. Hoje o empregado da área de gás liquefeito recebe um salário de aproximadamente cento e vinte cruzeiros. E dessa luta do Rio de Janeiro foi expandido para todo o Brasil. Também temos os adicionais de férias relacionada a tempo de serviço, e que esse ano tivemos mais de uma faixa. Os empregados de quatro anos e onze meses tem 20%, essa foi a nova faixa.

Entrevistador – Isso é por tempo de férias?

Humberto Gonçalves – De férias. Na época das férias os empregados têm mais esse adicional, de quatro anos e onze meses, 20%. Essa foi a faixa que no diálogo direto conseguimos. Os outros itens não aumentaram sempre na renovação, continuaram os mesmos. Foram empregados de cinco anos até nove e onze meses. Recebem 45% dos seus salários nas férias, de dez anos completos até quatorze anos e onze meses, 55%. Empregados de quinze anos de serviço na empresa acima de quinze anos, 75%. Agora, o nosso Estado a área de gás liquefeito é o único que recebe as horas idêntico a área atacadista. As duas primeiras horas recebem 30%, as duas seguintes, 75% e o restante é 100%. E temos também o encerramento dos trabalhos aos sábados as doze horas.

Entrevistador – Quantas horas?

Humberto Gonçalves – Nas áreas operacionais.

Entrevistador – Quantas horas semanais são?

Humberto Gonçalves – Na área operacional o trabalho se encerra as doze horas.

Entrevistador – Isso somando a semana.

Humberto Gonçalves – Normalmente se trabalha, se a área operacional precisa do trabalhador mais cedo, aos sábados, ele trabalha só quatro horas. Na área burocrática não existe expediente.

Entrevistador – É praticamente isso aí. Bom, voltando aquela pergunta. Aqui no Rio de Janeiro já existe a experiência do contrato coletivo de trabalho, desde 1963. Então eu queria que você fizesse uma comparação, as vantagens que significam para o trabalhador ter essa contratação coletiva contra o que hoje é a contratação individual.

Humberto Gonçalves – Não é só no Rio de Janeiro que tem esses direitos. É estendido a toda área atacadista do Brasil. E na área varejista também. Só que no Rio de Janeiro a área varejista é o único Estado que tem as vantagens nas horas extras idênticas a área atacadista. O restante do Brasil é de acordo com a CLT. Eu acho muito válido, embora essa renovação não tenha tido muito êxito nas vantagens. Mas eu acredito que a partir de 1964, com a nova mentalidade sindical e com a nova conscientização dos trabalhadores e também do próprio empresário, que existe um diálogo direto, eu acredito que nós teremos melhores vitórias dessa convenção. Não é na convenção que eu acredito que são pouquíssimos trabalhadores no Brasil que tem uma como a nossa. Eu acho que é pioneira. Mas em virtude dos nossos aumentos terem sido muito pequenos, em que área também de gasolina tem uma porção de problemas muito sérios, que nós temos cobertura, e tem na estrutura de preço o próprio público paga essas vantagens. Eu acho que nós deveríamos ter uma convenção muito mais elevada.

Entrevistador – Então, mais especificamente, é mais fácil de negociar assim, tendo o contrato coletivo ou não? A existência disso seria melhor para o trabalhador? Para ser mais incisivo.

Humberto Gonçalves – Eu acho que isso foi surgido de um diálogo direto. Eu acho que quando coloca o Ministério do Trabalho nas negociações, só vem atrapalhar que isso é feito dentro do diálogo direto desde 1963. E continuamos até hoje. Porque hoje a minha categoria nunca recebemos vantagens nenhuma do Ministério do Trabalho. Repito e repito muito firme, tudo o que ele interferir é demorado, complicado e nada vem de efeito. Tudo que essa categoria conseguiu, tanto na área varejista, como na atacadista, foi dentro de um diálogo direto.

Entrevistador – Está ok, muito obrigado. (Pausa) Bom, inicialmente seu nome e sindicato.

Jacó Bitar – Jacó Bitar, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Destilação e Refinação de Petróleo, de Campinas e Paulínia.

Entrevistador – Presidente?

Jacó Bitar – Presidente.

Entrevistador – Bom, então a pergunta que eu faço é a seguinte: o que significa para os petroleiros de Campinas e Paulínia o movimento grevista do ABC?

Jacó Bitar – Bem, o movimento grevista significou mais uma fase do movimento trabalhista dentro do país. E tendo em vista que ocorreram esses movimentos exatamente onde houve dirigentes sindicais, não diria autênticos, mas pelo menos honestos, e com a grande proposta de fazer com que a base houvesse uma participação e transmissão. Então, o que trouxe para nós esse movimento grevista foi a situação que os sindicatos realmente devem convergir para a base. Deve se democratizar e eliminar os vícios que essa estrutura sindical toda nos trouxe, desde que ela surgiu, desde 1939. E também porque não dizer os vícios que nós temos de um sistema ditatorial de quatorze anos. Traz uns vícios nos dirigentes que devem ser eliminados e devem fazer com que a base participe e não crie nenhum obstáculo. Acho também que deve ser criado uma fórmula para que haja participação dos trabalhadores não associados do sindicato. Porque se hoje nós analisarmos no mundo inteiro, o trabalhador é desorganizado. Ele se organiza em sindicato numa minoria. No caso do Brasil, vamos dizer que não chega a 20%, e um dos países mais otimistas em termos de organização é a Itália, em torno de 50%. Nós temos países desenvolvidos que também chega a 28%. Então acho que temos que descobrir fórmula de participação de todos os trabalhadores, não só daqueles organizados em sindicatos. Temos que montar um esquema em que o trabalhador em si já seja um participante. Não a obrigatoriedade de sindicalização, mas que o sindicato se democratize. Os sindicatos não criem obstáculos de participação de base. Como eu disse, os vícios que a estrutura sindical nos traz. Muitos dirigentes autênticos, honestos, os carregam nas costas.  E muitas vezes bloqueiam a participação da base. Eu acho que esse movimento grevista poderá, como já aconteceu em alguns sindicatos, ter essa influência, para que realmente esses dirigentes democratizem os sindicatos.

Entrevistador – Correto. Agora, a pergunta que eu faria é a seguinte: você, como um dirigente sindical, tem um contato permanente com as bases. Eu queria que você me dissesse que tipo de reação existiu entre os trabalhadores da sua categoria? E hoje o que passa na cabeça deles em relação a esse movimento?

Jacó Bitar – Bom, não tenho a menor dúvida que a influência é de uma movimentação obreira, de uma movimentação do trabalhador demonstrar a outras categorias que ele tem uma força desconhecida. E podemos perceber que se você der oportunidade as bases de manifestação, de pronunciamento, como nós tivemos nas nossas assembleias, já se discute abertamente isso. Já se discute a sua posição dentro de uma sociedade, já se entende como classe social produtora e como classe social com força para reivindicar os seus direitos. Inclusive podemos dizer que a nossa base, os trabalhadores do petróleo, estão sentindo pelo menos diria, é na base de Cubatão, na de Campinas, hoje já há uma movimentação, uma participação. Já se discute a greve como uma única arma de reivindicação do trabalhador.

Entrevistador – Concretamente, qual a data-base do dissídio e se existe algum movimento assim, algum abaixo-assinado reivindicando aumento salarial, ou se a empresa tomou alguma iniciativa, diante dos acontecimentos dar um aumento, ou coisa desse tipo? O que aconteceu na sua região?

Jacó Bitar – Sim, nós fizemos uma assembleia. Primeiramente, a data do dissídio é 1º de setembro. A movimentação que houve, foi que foi feito uma assembleia, e após isso um encontro onde decidimos solicitar um aumento de 50%, e mais quinhentos cruzeiros para o trabalhador, porque nós achamos também que a distribuição de renda atingiu em grande parte o assalariado entre si. Infelizmente entre si, achamos que os trabalhadores com menos remuneração têm que ter um aumento superior àqueles que têm maiores. Mas em termos de campanha salarial nós também transformamos uma antecipação salarial depois que esse movimento grevista de 18% para 20%, através de um abaixo-assinado feito pela própria base, simplesmente exigindo que o sindicato fizesse esse trabalho. Mas a exigência foi da base. Tivemos uma manifestação também da nossa base em recusa a qualquer tipo de hora extra que não fosse decidido esse aumento de 20%.

Entrevistador – Só uma coisa. É aumento ou antecipação a ser descontado?

Jacó Bitar – Aumento, com retroativo, a partir de 1º de maio passado.

Entrevistador – Não desconta do dissídio?

Jacó Bitar – Sem descontar no dissídio coletivo. Isso aí poderíamos invocar até no aspecto da defasagem da manipulação dos dados de 1973. Em termos de luta ainda não foi reivindicado isso. Não foi dito que esse 20% seria, mas evidentemente que se vier a ser discutido nesses termos.

Entrevistador – Correto. Então agora vamos passar para outro tema. De contrato coletivo, o que você entende por isso e qual a sua viabilidade hoje?

Jacó Bitar – Bem, eu acredito que a viabilidade hoje, não abre uma perspectiva muito grande para o contrato coletivo, haja visto que os sindicatos e o sindicalismo estiveram silenciados durante esses quatorze anos. O momento é se fazer propostas não acabadas, propostas com debates nas bases. E com debates em todas as categorias profissionais. Não isoladamente. É procurar realmente juntar os sindicatos e todos os trabalhadores. Não sei qual seria a fórmula. Quando se fala em frente ampla do trabalhador, eu diria poderíamos começar por baixo, como já acontece atualmente algumas regiões, alguns debates. Há maior intercâmbio de experiências e poderíamos surgir até com um jornal sindical de grupos de sindicatos que pudessem realmente fazer um trabalho em benefício de todos os trabalhadores. Essa frente poderia ser iniciada com um jornal intersindical. Agora, contrato coletivo de trabalho. O Brasil tem um sindicalismo fraco em várias regiões, e nós temos que ter um contrato coletivo de trabalho, sim. Mas nunca abandonar a hipótese dos direitos mínimos do trabalhador. Porque, como eu disse, a classe trabalhadora é uma classe desorganizada ainda. E cumpre ao Estado uma finalidade primordial. Não que nós peçamos proteção, mas um Estado realmente democrático, não permite que uma classe supere a outra. Então tem que criar instrumentos que protejam uma classe desorganizada no processo de desenvolvimento.

Entrevistador – Então, uma coisa mais didática. O que você entende por contrato coletivo de trabalho?

Jacó Bitar – Contrato coletivo de trabalho seria feito na base de todos os trabalhadores terem a oportunidade através do seu órgão de classe. Firmar condições mínimas para aquela categoria. Agora, os instrumentos que nós pudéssemos ter atualmente para se fazer cumprir o contrato coletivo de trabalho é que me foge realmente. Exatamente por não haver um estudo aprofundado a respeito disso. Como eu disse no princípio, no momento é para se debater as situações. E que não vemos fórmulas de aplicação. Podemos dizer, hoje na Petrobrás existe um contrato coletivo de trabalho, porque ela tem normas que regulamentam a situação em todo o país, dentro das da própria empresa. Sem a participação evidentemente dos órgãos de classe, mas que não deixa de ser. Eu perguntaria: mas de que forma nós podemos fazer a empresa cumprir esse contrato de trabalho, e não alterar. Se a Justiça do Trabalho nada mais é do que normas disciplinadoras, um tipo de estatuto do próprio trabalhador dentro da empresa. Mas conseguindo através de contratos com o seu próprio sindicato, que é o seu órgão de classe. Isso é o que eu entendo por contrato de trabalho. Agora, a fórmula de aplicação, o que nós temos que buscar, porque não adianta nada fazer sendo que a empresa não terá condições de cumprir e sendo que as reivindicações são feitas individualmente. Como pode um trabalhador sem estabilidade no emprego fazer prevalecer de um direito na Justiça do Trabalho se ele não tem isso? Então o contrato coletivo de trabalho está vinculado, antes de mais nada, no momento diria estabilidade do trabalhador no emprego. E numa época futura da consciência do próprio.

Entrevistador – Está ok. Obrigado, Jacó.

 

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