Fahrenheit 9/11

por Memória Sindical. 02 maio 2012 . 11:45

Após o atentado de 11 de setembro de 2001, às torres gêmeas, em Nova Iorque (EUA), Michael Moore busca entender o motivo de o país ter se tornado alvo de terroristas e relaciona o fato ao comando das duas gerações da família Bush.

FONTE: Carolina Maria Ruy

fahrenheit

Fahrenheit 9/11
EUA, 2004
Michael Moore

Fahrenheit 9/11 faz referência ao livro Fahrenheit 451 (233°C, que representa a temperatura em que arde o papel), escrito em 1953 por Ray Bradbury.
Com isso ele simboliza a relação explosiva entre a família Bush e pessoas próximas a ela, com membros de eminentes famílias da Arábia Saudíta (incluindo a família de Bin Laden).
É sabido que Osama lutou pelos EUA, durante a guerra fria, para extirpar comunistas do Afeganistão. O ostensivo exército estadunidense foi, então, para ele, “escola” de guerra, de guerrilha e, principalmente, do terrorismo.
Desta forma, Osama não passaria de um sub produto do terror promovido pelos EUA.
Mas, quais seriam, enfim, as causas dos atentados de 11 de setembro, que levou à posterior invasão do Iraque. Quais são os reais vínculos entre as famílias do presidente George W. Bush e a de Osama bin Laden? São questões instigantes, para as quais provavelmente nunca teremos respostas claras.
Mas que Michael Moore soube levantar com inteligência em um documentário revelador.
Um dos nós da questão, talvez o principal, é busca dos EUA por energia fóssil (petróleo). Abundante no Afeganistão e no Iraque, o petróleo, e não a paz mundial, teria movido o exército de Bush a invadir tais países respectivamente em 2001 e em 2003.
Moore é incisivo em ressaltar que ao contrário do que o governo americano alega, suas ações militares passam longe do interesse “humanitário” de disseminar a paz e a liberdade no mundo. O documentário defende que a guerra com o Afeganistão não teria como principal objetivo capturar os líderes da Al Qaeda e, sim, favorecer a construção de um oleoduto, e que o Iraque não era, no momento da invasão, uma ameaça real para os Estados Unidos, senão uma fonte potencial de benefícios para as empresas norte-americanas.
Com sua costumeira ironia Moore mostra um George W. Bush ridículo, cínico, descomprometido com questões sociais ou com qualquer causa humanitária. Para ilustrar este descaso, o filme mostra o momento em que o ex-presidente americano é informado de que o país está prestes a ser atacado. Bush não sobressalta. Ele permanece lendo um livro infantil a um grupo de crianças.
Como contraponto o filme mostra o impasse e a realidade desoladora dos jovens “voluntários” que participaram na guerra do Iraque, persuadidos e recrutados por métodos curiosos, para não dizer “suspeitos” usados pelas instituições militares dos EUA.
Este é mais um filme com o qual Michael Moore monta o lado B da história dos EUA. Tecendo, com linha de aço, o que há por trás de contos de fadas que assistimos pela TV.

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