Dúbia modernidade dos governos brasileiros entre 1956 e 2010

por Memória Sindical. 13 maio 2019 . 11:47

Com o fim da Era Vargas o Brasil passou por mais meio século de oscilações no desenvolvimento econômico, social e político. Este processo foi concluído pelo governo de Luis Inácio Lula da Silva e em 2010.

A Era Vargas criou condições para uma modernidade industrial e urbana no Brasil, preparando o terreno para o arrojado Presidente Juscelino Kubitschek. Entre 1956 e 1961 JK fez o País crescer apostando na indústria automobilística e de bens de consumo e em grandes construções como a nova capital federal: Brasília. A esta altura as organizações partidárias e sociais (sobretudo sindicais e estudantis) já tinham tomado corpo e o povo brasileiro, agora mais urbano que rural, já atingia um grau considerável de politização. Esta complexidade veio à tona nas eleições de 1961, que elegeu, separadamente, Jânio Quadros, da UDN, e João Goulart, do PTB. Jânio renunciou em agosto de 1961, meses após ser eleito, deixando a Presidência para Jango, um socialista aos olhos dos conservadores. As Forças Armadas se mobilizaram para vetar sua posse. Mas a campanha pela legalidade, iniciada pelo governador gaúcho Leonel Brizola, com forte adesão popular, fez com que Goulart assumisse a Presidência do Brasil em janeiro de 1963.

Ditadura militar

Arrastada até 31 de março de 1964 a crise entre o Exército e o Governo culminou no golpe militar e em longos anos de repressão e retrocesso político. Se no início da década de 1960 os ventos das reformas de base e da grande efervescência cultural tomavam conta do Brasil, o golpe de 1964 reverteu a situação e enquadrou o País na ordem reacionária dos presidentes Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazú Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.

Os militares abusaram de decretos e atos institucionais e criaram em 1967 a 6ª Constituição do País, com o mesmo perfil autoritário do Estado Novo. A censura e a violência arbitrária do governo começaram a incomodar, sobretudo, depois do Ato Institucional número 5, de 1968, que suspendeu garantias individuais e ampliou os poderes do Executivo. No fim da década de 1970 o desgaste da ditadura frente à opinião pública intensificou a luta pela redemocratização. A abertura se deu com a convocação da Assembléia Nacional Constituinte em 1985 e com a retomada das eleições diretas para Presidência da República.

Tancredo Neves venceu a primeira eleição, ainda indireta, de um civil para a Presidência do Brasil, mas faleceu antes da posse. Em seu lugar assumiu o vice José Sarney. Seu governo foi marcado por planos econômicos, como o Plano Cruzado, e pela Constituição de 1988, símbolo da volta à democracia.

Novos tempos, novos problemas

Em 1989 a primeira campanha presidencial sob eleição direta depois de mais de duas décadas levantou o debate sobre os rumos do País. Vinte e duas candidaturas foram lançadas com figuras históricas, como Leonel Brizola e Paulo Maluf, e novos quadros como o sindicalista Luis Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello. Projetos progressistas puderam se opor abertamente ao modelo econômico dominante. Mas, como já estávamos na era da dominação midiática, o empresariado, receoso de um governo popular, contou com grandes emissoras de TV, especialmente a TV Globo, para eleger Fernando Collor. Com Collor o Brasil entrou de cabeça no neoliberalismo, promovendo um descontrole fiscal que corroeu seu governo, interrompido, afinal, por uma campanha popular pedindo seu impeachment.

A inflação era o grande imbróglio dos novos tempos. Fernando Henrique Cardoso, Ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, equacionou este problema criando o Plano Real de estabilização da moeda. Foi seu passaporte para a Presidência da República em 1995 e para sua reeleição (possibilitada por uma nova medida constitucional) em 1999. O Brasil parecia entrar nos eixos.

Entrando nos eixos

FHC elevou o nível do debate social e abriu, em 2003, o caminho do Palácio do Planalto para um legítimo representante do movimento social.

Com uma trajetória que vai dos Metalúrgicos do ABC para a Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, empenhou-se em incorporar à vida social nada menos que 30 milhões de pessoas. Em um gesto crucial para o exercício da democracia seu governo consolidou o diálogo com o movimento social.

Um dos resultados deste diálogo foi, por exemplo, o aumento real do salário mínimo em 74%, negociado com as centrais sindicais ao longo dos oito anos de governo. Outros resultados foram a geração de 14 milhões de empregos formais e o controle da inflação, baixando-a para uma média 5,7% de acordo com o IPCA.

Tais conquistas proporcionaram a Lula o inédito índice de cerca de 80% de aprovação popular e a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff do PT, em outubro de 2010, a primeira mulher eleita Presidente do Brasil.

Depois de 80 anos da Revolução de 1930, que impulsionou o crescimento do Brasil, o fim do segundo governo de Lula, que, como Getúlio Vargas, introduziu massas populares à cidadania e ao mercado interno, concluiu um longo ciclo na história do Brasil.

 

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