O adeus ao sindicalista comerciário Rubens Romano

21 abr 2022 . 16:14

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo informou com pesar na manhã desta quinta-feira, 21 de abril, a notícia do falecimento de Rubens Romano, 91 anos.

O sr. Romano, foi presidente do Sindicato dos Comerciários; foi fundador e secretário de finanças e secretário Internacional da Força Sindical e, posteriormente, do SINDIAPI ( Sindicato dos Aposentados pensionistas e Idosos da UGT).

O falecimento do Sr. Rubens Romano, que ocorreu hoje por volta das 3h.

Registramos aqui um breve depoimento do sindicalista metalúrgico de Osasco, José Ibrahin (que faleceu em maio de 2013), sobre um episódio em que ele, o metalúrgico Luiz Antônio de Medeiros e Rubens Romano foram recebidos pelo Papa João Paulo II em fevereiro de 1991. O depoimento está no livro Força Sindical 20 anos de lutas, Editora Geração, 2011:

Antes da fundação da Central, o Medeiros queria muito ter uma entrevista com o papa. Como eu era secretário Internacional, era uma tarefa minha. E aí o Romano (10) e eu nos viramos. O Romano também estava doido para conhecer o papa.

Um pouco antes da fundação, fiz uma agenda voltada à Europa para divulgar e convidar o pessoal para a criação a Força Sindical. Pelos canais que eu tinha na Itália, pedi a agenda com o papa. Foi difícil. Ficamos mais de dez dias rodando a Europa e esperando para ver se ia ou não ter agenda com o papa. Eu não estava nem mais acreditando, mas o Medeiros, todo dia, no café da manhã, nos procurava, em qualquer país que a gente estivesse, e perguntava sobre a visita ao papa. Até que me ligaram da Itália dizendo que acertaram a conversa. Fomos para a Itália. Quando cheguei em Roma, na véspera da visita, lembrei que não tinha um terno adequado e comentei com o Romano. Eu tinha na mala gravata, blazer, mas não um conjunto completo, um terno, digno de ser recebido pelo papa. Ele falou: “Não tem problema. Vamos a uma loja e você compra o terno”. E eu: “Aliás, não é só um problema… eu tenho dois. Também não tenho dinheiro para comprar um terno”. Aí o Romano disse o seguinte: “Quer saber? Vamos lá que eu meto um cartão e te pago um terno”. Aí eu comprei o terno.

No encontro com o papa, o chefe de cerimônia disse que esperássemos a hora da hóstia, uma tradição para essas audiências. O Romano, o Medeiros e eu ficamos esperando. Quando nos chamaram, o Romano foi o primeiro. Eu fui atrás, e o Medeiros me puxou pela gola do paletó e disse que comunista não comia hóstia. Virei para ele e falei: “Mas a do papa eu vou comer. Essa eu não perco”. Aí eu fui, e o Medeiros ficou lá — não foi comer a hóstia.
A audiência com o papa foi muito boa. Durou cerca de quinze minutos. Explicamos a ele o que era a Força Sindical. Tinha tradução — o papa tem um tradutor. Pedimos a compreensão e a bênção dele, já que o Brasil é um país cristão. O papa abençoou a Central e desejou boa sorte na defesa dos trabalhadores. Foi bom. Saímos e tiramos aquela foto histórica — o Romano, o Medeiros e eu junto ao papa”.

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