21 de julho 1983: Greve Geral

por Memória Sindical. 24 abr 2017 . 14:06

No início da década de 1980, as profundas mudanças que ocorriam no Brasil refletiam um contexto internacional marcado pela eleição do presidente norte-americano Ronald Reagan (1981) que, de mãos dadas com a primeira ministra britânica, Margareth Tatcher, orquestrou uma política econômica internacional calcada no estado mínimo e na austeridade fiscal.

Pressionada pelos encargos da dívida externa, a economia brasileira entrou em colapso fazendo o governo recorrer aos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI), que impôs severas condições para efetuar a transação.

Subordinado ao FMI, o governo teve que mudar as regras para a política salarial, ajustando os vencimentos abaixo da inflação, e para os gastos do governo, minimizando os investimentos na área social.

A elevação do desemprego e do custo de vida foram consequências imediatas. E a imposição de uma série de decretos pioraria ainda mais a vida dos trabalhadores.

O primeiro deles foi o decreto-lei nº 2.012 – de 25 de janeiro de 1983, sobre a política salarial. O segundo, de 30 de maio de 1983, decreto 2025, que eliminava benefícios e direitos dos empregados das estatais e do funcionalismo público, levou os trabalhadores a aprovarem, no dia 16 de junho, o estado de greve.

Treze dias depois, o presidente Figueiredo assinou um novo decreto, o 2036, que retirou do funcionalismo direitos como: abono de férias, promoções, auxílios alimentação e transporte, salário adicional anual e a participação nos lucros.

Manifestações contra as medidas do governo se espalhavam pelo país. Mas, mesmo assim, o famigerado decreto 2045 foi anunciado em 14 de julho de 1983. O 2045 arrochou ainda mais os salários e atingiu os aluguéis e o Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Seguiu-se daí uma grande mobilização entre os trabalhadores, que se prepararam para a greve.

Uma semana depois da decretação do 2045, dia 21 de julho de 1983, uma quinta feira, cerca de três milhões de trabalhadores de diversas categorias e Estados paralisaram suas atividades na maior greve geral ocorrida durante o regime militar.

Aquele dia amanheceu como um feriado. Entre os grevistas, a adesão de 255 motoristas e cobradores de ônibus reforçou o clima de paralisação que dominava a cidade de São Paulo. E a cavalaria da Polícia Militar, que tomou o centro da cidade, promoveu uma intensa repressão, com mais de 800 prisões.

Apesar disso, os trabalhadores conseguiram derrubar os decretos 2036 e 2045 e todo esse processo de lutas contra os decretos levou a um expressivo aumento da participação dos trabalhadores nas assembleias sindicais.

 

Comentários



ÚLTIMAS DE

Documentos Históricos

Depoimento de Melquíades Araújo

Artigos e Entrevistas

  Melquíades Araújo é Presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação no Estado de São Paulo – Fetiasp, e 1º vice-presidente da Força...

VER MATÉRIA

Entrevista com Luiz Antônio de Medeiros

Artigos e Entrevistas

Luiz Antônio de Medeiros é metalúrgico, fundador e presidente da Força Sindical de 1991 até 1999. Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo....

VER MATÉRIA

Entrevista com Nilton Souza da Silva (Neco)

Artigos e Entrevistas

Nilton Souza da Silva (Neco) Comerciário, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre, (Sindec), secretário de Relações Internacionais da Força Sindical e...

VER MATÉRIA

A verdade sobre Manoel Fiel Filho

Artigos e Entrevistas

Manoel Fiel Filho No dia 24 de junho de 2015, o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou à Justiça Federal sete ex-agentes da...

VER MATÉRIA

Música e Trabalho

PLAYLIST SPOTIFY MEMÓRIA SINDICAL