A Dama de Ferro

por Memória Sindical. 05 ago 2012 . 14:39

Em A Dama de Ferro, tanto a história quanto a política ficam em segundo plano. O filme revela o reacionarismo de Margaret Thatcher, mas se limita à doença e à solidão da ex-premiê britânica, que comandou o país com “mão de ferro”.

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Por Carolina Maria Ruy

A Dama de Ferro (The Iron Lady)
Reino Unido, França , 2011
Phyllida Lloyd

Com Meryl Streep, Jim Broadbent, Olivia Colman, Anthony Head.

Filha de operário, Margaret Thatcher, desde a juventude, alimentou a ideia de resgatar a glória do império britânico.

Em 1959 foi eleita parlamentar no Reino Unido pela região de Finchley. Dezesseis anos depois foi eleita líder do Partido Conservador, sendo a primeira mulher a liderar um dos principais partidos do Reino Unido.
Thatcher elaborou um programa rigoroso para reverter a crise da economia britânica mediante a implementação de um programa de estado mínimo e privatizações. O programa recebeu o apoio da opinião popular e fez dela pioneira do genero a ocupar o cargo de primeira-ministra do Reino Unido.

1979 foi o ano em que Thatcher ascendeu ao poder máximo britânico, instituindo um ferrenho acirramento do neoliberalismo. A Guerra Fria estava em seu 34ª ano, e se desdobraria nos 20 anos seguintes. Na ordem mundial bipolar socialismo versus capitalismo, Thatcher se posicionaria como um cânone do lado capitalista, inovando nas medidas de diminuir o poder e os serviços públicos e de incentivar a iniciativa privada.

Suas políticas eram baseadas nas ideias dos economistas conservadores Friedrich Hayek (1899/1992) que dizia que “uma economia deve evoluir espontaneamente, por meio do livre mercado”, e Milton Friedman (1912/2006), um dos mais influentes teóricos do liberalismo econômico, conselheiro do ditador chileno de Augusto Pinochet.

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Thatcher reduziu os serviços sociais e praticamente aboliu o salário mínimo.

Sua popularidade caiu durante a recessão econômica iniciada com a Crise do petróleo de 1979; no entanto, uma rápida recuperação econômica, além da vitória britânica na Guerra das Malvinas, fizeram ressurgir o apoio necessário para sua reeleição em 1983. Em 1987 Thatcher foi reeleita para um terceiro mandato, mas sua impopular visão crítica à criação da União Europeia lhe fez perder apoio em seu partido, renunciando aos cargos de primeira-ministra e líder do partido em 1990.

Esta controversa lider política ficou famosa por suas medidas austeras e sua postura rígida. Tais caracteristcias fizeram com que ficasse conhecida como “Dama de Ferro”.

Ao saber da tentativa de retomada das Ilhas Malvinas (02/04 a 15/06/1982) pela ditadura do general Leopoldo Gualtieri, chamou a junta militar argentina de gangue fascista (vale ressaltar que isso de deve à sanguinária ditadura militar que ocorria na Argentina naquele momento) e usou vinte e oito mil soldados e dezenas de navios e fragatas para derrotar as forças argentinas, com saldo de milhares de mortos. Em 1984 enfrentou graves conflitos sociais, em especial a greve dos mineiros, que reprimiu com dureza. Mas esta greve, que foi um dos divisores de água de seu governo, bem retratada em filmes como Billy Elliot, não é explicada.

Em 1992, a Dama de Ferro deixou a Câmara dos Comuns, ganhando lugar na Câmara dos Lordes como Baronesa Thatcher de Kesteven. Por volta de 2000, surgiram os primeiros sinais do mal de Alzheimer e, em 2002, foi aconselhada por seus médicos a não mais falar em público.

Segundo os críticos da política de Margaret Thatcher, os sucessos de sua política econômica foram obtidos graças ao pagamento de pesados custos sociais pela maioria da população britânica. Embora lhe seja atribuído o mérito de ter reativado a economia britânica, Thatcher também é considerada responsável pela duplicação da taxa de pobreza no país.

Como sua decadência física exibida no filme, a ex-premiê britânica protagonizou a decadência da ordem bipolar, que cairia um ano depois do fim de seu mandato. Mais do que isso, sua decadência é símbolo dos malefícios do acirramento do liberalismo econômico que ela tanto defendeu. Thatcher faz parte de um passado que a maior parte da população mundial quer esquecer.


Carolina Maria Ruy é jornalista e coordenadora de projetos do Centro de Memória Sindical.

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