Dica de leitura: Kes

por Memória Sindical. 02 maio 2012 . 13:06

Quanto mais perto da extremidade inferior da desigualdade social, mais o lado opressor do trabalho se impõe, infiltrando-se em todos os setores da vida. O filme Kes retrata, mais do que tudo, esta sentença.

FONTE: Carolina Maria Ruy

kes-1

Kes,
Inglaterra, 1969
Ken Loach
Com David Bradley

Em Kes parece que, a despeito de qualquer talento especial, a extração de minérios é a única alternativa no bairro onde vivem mineiros ingleses. E o menino Billy (David Bradley) sente, através da brutalidade do seu irmão mais velho, as agruras do trabalho na mineração, desde a vida escolar, na passagem da infância para a adolescência.

Billy é um garoto tímido, contemplativo e sensível. Ele não encontra acolhimento no mundo instituído ao seu redor: em sua família, em sua escola e no ambiente de trabalho que o aguarda como um diabo cobrando uma alma.

Seu talento, sua atenção, sua persistência, sua habilidade são despendidos na criação e no treinamento de um filhote de falcão, chamado Kes. Treinar um falcão é tarefa rara, ressalta-se. Mas o garoto se dedica a isso, conquista confiança do animal e é bem sucedido. Um ofício raro, uma arte!

Naquele contexto, entretanto, não há espaço para a beleza da natureza selvagem de Kes e de Billy. Neste ponto vale lembrar a poesia de Fernando Pessoa e ficar por aqui:

” O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta”

Trecho de Tabacaria

A pequena ave Kes, no filme que leva seu nome, é a força da liberdade e da natureza. Sua história mostra a dor de uma infância desperdiçada, dos sonhos perdidos e do encarceramento subterrâneo.

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