Invictus

por Memória Sindical. 02 maio 2012 . 11:50

Nelson Rolihlahla Mandela foi o principal líder do movimento contra o apartheid, implementado em 1948. Guerreiro da luta pela igualdade e pela liberdade, Mandela teve sua vida brilhantemente retratada no filme “Invictus”.

Por Carolina Maria Ruy

invictus

Invictus
2009, EUA
Clint Eastwood
Com Morgan Freeman Matt Damon

Durante quase todo o século XX a sociedade sul-africana ficou marcada pela segregação racial, segundo a qual os negros não podiam freqüentar os mesmos lugares ou andar nos mesmos ônibus e vagões de trem que os brancos. Também não podiam ocupar altas patentes das forças armadas, destinadas aos brancos.
Além disso, os negros sul-africanos eram oficialmente proibidos de pertencer às seleções nacionais de qualquer modalidade esportiva. Por isso a África do Sul foi banida do COI (Comitê Olímpico Internacional), e da FIFA, por João Havelange, em 1974. Fato grave visto que o esporte é cultuado pelos sul-africanos, sendo as modalidades mais praticadas naquele país: o Rugby, o críquete, o futebol e o boxe.
Associado à dominação branca – racista e repressora – o Rugby, durante o apartheid, era praticado pelos brancos e os negros se restringiam apenas à poucas ligas. Desta forma a International Rugby Board (IRB), representada, sobretudo pelos “Springboks”, tornou-se referência esportiva durante a política de segregação interna.
Pulando agora para a política. Mandela foi preso na vigência do apartheid, em agosto de 1962, e condenado a 5 anos. Mas sua pena foi estendida, em 1967 à prisão perpétua. Sua história comoveu o mundo e o clamor “Libertem Nelson Mandela” ecoou aos quatro ventos. Mesmo assim seu cárcere durou nada menos que 27 anos. Ele só foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, quando o Frederik Willem de Klerk ocupava a presidência de seu país.
Foi uma data grandiosa, representada com muito simbolismo na primeira cena do filme Invictus. A cena mostra a comitiva que festeja a libertação de Nelson Mandela passando entre dois campos: de um lado crianças negras jogam futebol e, do outro lado, um time adulto de brancos treina rugby.
Mesmo com o fim do apartheid o país já havia assimilado a cultura da segregação. Negros e brancos estavam acostumados a viver separados. Era uma dura realidade com a qual Mandela teria de lidar, primeiro como integrante do Congresso Nacional Africano (CNA) e, a partir de maio de 1994, como presidente da África do Sul.
Sua missao era comandar a tão sonhada transição para uma sociedade unificada. Mas sua luta, desta vez, tinha horizontes mais definidos. As perspectivas eram concretas.
O filme mostra como Mandela usou o Rugby, que era um esporte, até então, de brancos, para semear a integração em seu país. Ele percebeu que, ainda que fossem remotas, havia a possibilidade de os Springboks participarem da Copa do Mundo de Rugby, de e fazerem um bom trabalho.
Desta forma a Copa do Mundo de Rugby de 1995, realizada na África do Sul, entre 25 de maio e 24 de junho, foi um marco para a história daquele país.

invictus-1

O anseio de Mandela era o de despertar nos negros um sentimento de identificação com o time dos Springboks, fortemente marcado pelo perfil racista, na época do apartheid. Ele queria transformar aquele símbolo de segregação em símbolo de união, e viu na Copa realizada em território nacional a oportunidade de unir brancos e negros por um objetivo comum: o Rugby.
Mandela se empenhou pessoalmente em resgatar o valor do esporte enquanto símbolo de uma pátria de negros e de brancos. Ele também se empenhou pessoalmente em motivar a seleção de Rugby que disputaria o torneio. O time trazia ainda uma novidade. Convocado às pressas para substituir um companheiro lesionado, o negro Chester Williams integrou a seleção que tornava-se, desta forma, multirracial.
Todo esforço valeu a pena e o que parecia improvável aconteceu: a vitória na Copa elevou a auto-estima do povo, trazendo novos tempos para a África do Sul. Sentimento que foi traduzido pelo então capitão da seleção, François Pienaar, ao receber o troféu das mãos de Nelson Mandela: “Hoje não são apenas os 60 mil aqui do estádio a comemorar o título, mas sim os 43 milhões de sul-africanos!”.
Até hoje um abismo separa brancos e negros sul-africanos. Mas Mandela foi genial com sua estratégia de transformar o rugby, sem descaracterizá-lo, também num esporte para os negros.
Esse é o foco do filme de Clint Eastwood. Ele mostra como o esporte vai muito além de suas quadras e gramados. Eastwood, através de uma parte da historia de Mandela, mostra como o esporte mobiliza corações e mentes, e é capaz de ser um poderoso instrumento político.


Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do CMS.

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