Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette)

por Memória Sindical. 02 maio 2012 . 12:28

Um dos mais marcantes expoentes do cinema neorealista italiano, o filme Ladrões de Bicicleta se passa logo após o final da Segunda Guerra Mundial. De Sica expõe o drama do desemprego no pós-guerra, em uma Itália, derrotada e em profunda crise econômica. Não há trabalho e o povo está imerso na pobreza.

FONTE: Carolina Maria Ruy

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Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette)
Qui, 27 de Agosto de 2009
1948, Itália Vittorio De Sica

Logo na primeira cena, um contingente de desempregados se amontoa ao redor de um funcionário público que chama nomes para preencher vagas disponíveis. As vagas exigiam algum grau de qualificação que aqueles proletários não possuíam. Aparece aí a indústria metalúrgica em ascensão, demandando técnicos como torneiro mecânico. Antonio Ricci, o protagonista, um italiano também sem emprego, consegue uma vaga de colador de cartazes, mas para isso precisa de uma bicicleta. Este emprego também está relacionado a uma área ascendente: a indústria de entretenimento.

A bicicleta que ele possui está empenhada e Maria, sua mulher, decide trocá-la no penhor, pelos lençóis do enxoval do casal. Com a bicicleta em mãos, eles encontram um passe para a inclusão social. Diante de situações de carência extrema o trabalhador dispõe até de objetos de valor sentimental, como o próprio enxoval, abrindo mão de suas histórias de vida. Em todo momento o mundo do trabalho se afirma. Antonio Ricci ao sair, pela manhã, é acompanhado pelo filho Bruno, uma criança que aparenta ter cerca de oito anos. O pequeno Bruno trabalha como engraxate de rua.

No exercício de sua função o protagonista tem a sua bicicleta roubada. Imerso na dor e na angústia pela perda do instrumento de trabalho, ele tenta, encontrá-la com a ajuda do filho. É um pesadelo para Ricci procurar pelos pedaços de sua bicicleta pelo centro de Roma. O mundo social é indiferente ao seu sofrimento. Após nada conseguir ele caminha com o filho até as proximidades do Estádio nacional e tenta furtar uma bicicleta. Ricci é um homem decente que é levado pelas circunstâncias a cometer um ato insano. A tentativa de furto é sua situação-limite. Este ato desesperado e solitário fracassa. Ao detê-lo, a polícia se apieda devido à presença do pequeno Bruno. O caso é deixado de lado, não vale a pena prende-lo. A tragédia moral se abate sobre ele. Quase perdera o filho que em vários momentos corre o risco de ser assediado, atropelado. E finalmente, Ricci perde também a si próprio: seu trabalho, sua moral e seus valores.

Ladrões de Bicicleta expõe a indiferença da sociedade para com a vida do homem comum. O drama pessoal de Antonio Ricci é de cunho social. Exige a ação política e social que transcende o cotidiano de indivíduos. O filme mostra que os “depossuídos” agindo sozinhos não conseguem se incluir na vida social. Sozinho o operário se difunde como mais um na multidão.

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