O Clube dos Cinco (The Breakfast Club)

por Memória Sindical. 03 maio 2012 . 11:25

1985, EUA John Hughes Com Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Judd Nelson, Molly Ringwald, Ally Sheedy.

FONTE: Carolina Maria Ruy

oclube

O fator “escola” passou de relance no filme Little Miss Sunshine, através da contrariedade do adolescente Dwayne. Já os fatores “regras sociais” e “interação entre colegas” foi o mote central do filme El Método. Os dois filmes, cada um com seu estilo, são perspicazes, tem um timing perfeito e são conduzidos por roteiros inteligentes e bem amarrados.

Timing, inteligência, escola e regras sociais: tais questões trouxeram à luz um terceiro filme, O Clube dos Cinco, ou, em tradução literal, O Clube do Café da Manhã.

É uma simples e singela história produzida bem no meio da década de 1980.

É bom deixar claro que estamos falando de uma obra com estilo acentuadamente juvenil. Por isso, uma reflexão sobre as relações de trabalho, a partir dela, devem considerar os símbolos que ela apresenta. E, como em qualquer outra peça artística/cultural, deve ser contemplada sem preconceitos.

Para muitas pessoas que hoje estão na casa dos 30 e poucos anos este filme foi um marco. Mesmo com pouca ação, sem apelos estéticos ou sensoriais, o filme foi bem sucedido entre o público ao qual se destina. E captar os adolescentes pela intensidade dos diálogos é um grande mérito.

A história toda se passa em um sábado frio, em que cinco adolescentes passam o dia na escola de “castigo” para pagarem por suas contravenções. Cada um representa um grupo social distinto. No início eles se estranham. Com o tempo a monotonia invade a fala e ela é entrecortada por visitas do diretor que entra para dar as regras. Eles não podem se levantar de onde estão e devem entregar no fim do dia uma redação com mil palavras dizendo o que pensam sobre si mesmos. O diretor faz às vezes do chefe carrasco, autoritário, inflexível, com uma necessidade constante de auto-afirmação sobre os “subordinados”.

As adversidades fazem com que os cinco, pouco a pouco, convirjam, criando um grupo capaz de lidar com aquela situação de tédio e repressão.

Assim a patricinha, a dark, o esportista, o rebelde e o CDF, contam suas histórias, seus dramas e porque receberam o castigo. No fim eles produzem uma redação unitária. Ao contrário do que ocorreu no filme El Método, centrado na disputa e na salvação individual, este foi um belo gesto de união. Eles foram capazes de compor um grupo com suas diferenças criando assim um argumento forte e amplo. Na redação eles questionam: “por que descrever quem acham ser se o diretor os vê como quer ver? A saber: um cérebro, um atleta, uma louca, uma princesa e um criminoso.” Não fazia sentido para nenhum deles serem punidos e repreendidos daquela forma. A postura da escola foi a de reforçar estereótipos e não de educar, fazendo com que eles realmente revissem seus “erros” e aprendessem com eles.

Infelizmente esta é uma lógica social ainda dominante, sobretudo os setores mais básicos na cadeia produtiva. A escola de fato, reproduz regras sociais, no intuito de preparar e formar as pessoas.

Claro que a escola ou os locais de trabalho não são espaços de repressão e alienação por si só. Eles podem ser dominados por uma lógica repressiva e alienante, mas também podem ser espaços de emancipação e de construção.

É interessante como este filme já apontava para um desgaste deste esquema repressivo e conservador de produção e organização social. Hoje é crescente a tendência para relações mais racionais e mais flexíveis, centradas nos resultados e não na mera formalidade de processos pré-determinados. Afinal os adolescentes, entediados com a burocracia do sistema da década de 1980, são os adultos de hoje.

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