Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

por Memória Sindical. 02 maio 2012 . 13:34

Treze anos depois o Coronel Nascimento (Wagner Moura), que treinara sucessores no comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), torna-se Tenente-Coronel e percebe que a ambígua guerra contra o tráfico vai muito além dos conflitos com o BOPE e a PM. É o sistema que está podre.

FONTE: Carolina Maria Ruy

tropa2

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro
Brasil, 2010
José Padilha
Com Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Maria Ribeiro

Enquanto o primeiro Tropa de Elite (2007) levantou o debate sobre a organização e a divisão da polícia, desmascarando o fato que parte da classe média sustenta o mesmo tráfico da qual é vítima, no segundo o Tenente-Coronel Nascimento “promovido” a subsecretario na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro se vê de mãos atadas nos altos escalões da corrupção.

Em princípio ele acha que o problema se encerra na Polícia Militar do Estado. Mas, a partir de sua experiência no governo, pressente as vinculações entre a política, a polícia e o crime, e entende que os verdadeiros chefões estão blindados pelo poder.

No complexo jogo de correlações criminosas, o papel de um defensor dos direitos humanos, o professor de História Fraga (Irandhir Santos), surge, desta vez, não de forma demagógica, mas como um poderoso elemento de combate.

Embora tenham os mesmos objetivos, Fraga e Nascimento trilham caminhos opostos e chegam a se confrontar para afirmar suas alternativas para o caos entre a polícia e a favela. Cada um ao seu modo percebe o advento de um novo mal: as milícias.

Formadas desde os últimos anos da ditadura militar as mílicias, grupos criminosos formados por policiais e bombeiros, aposentados ou ativos, que controlam dezenas de favelas cariocas, ganharam força em meados dos anos 2000, com a pecha de controlar o tráfico de drogas.

César Maia, prefeito do Rio de Janeiro pelo partido Democratas de 1993 a 1997 e de 2001 a 2009, chegou a dizer que as mílicias eram “autodefesas comunitárias” e um “mal menor que o tráfico”, o que reforçou a tese de que estes grupos atuariam com o respaldo de políticos e lideranças locais.

Entretanto, como ficou confirmado através de sucessivos casos divulgados na imprensa, o enfrentamento aos traficantes não se dava para combater o tráfico, mas para controlar o território e o lucro, usando de violência no exercício do domínio e da extorsão das comunidades.

De fato, segundo o jornalista Zuenir Ventura, os milicianos são ainda piores que os traficantes, por serem “profissionais treinados, com conhecimento técnico, capacidade administrativa”. Alvos difíceis de combater, infiltradas no aparelho do Estado as milícias extorquem das comunidades milhões em serviços como gás, luz, TV, transportes e drogas.

Para reforçar o argumento de que todo este jogo se move em função da política o filme se passa em um ano eleitoral, quando políticos se ligam às milícias para obter voto. Desta forma, liquidar a PM, como calculou Nascimento, seria insuficiente, sem uma profunda mudança na superestrutura.

O filme segue, assim, mostrando os bastidores das guerras nos morros do Rio de Janeiro. Neste sentido, ele assume teor de denúncia, destrinchando um poderoso sistema que sustenta o crime e se beneficia dele.

As parcas alternativas apresentadas, uma pequena parcela de políticos éticos e o uso da inteligência por parte de Nascimento, quando intercepta telefonemas para combater o crime, são ofuscadas pela reciclagem da corrupção.

Tropa de Elite é o legítimo bang-bang brasileiro. Com um Dirty-Harry (Perseguidor Implacável, 1971) repaginado, o filme mostra a favela como uma terra sem lei, disputada por facções criminosas e pela resistência ao crime. Um lugar a ser erguido, investido, recriado.

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