Advogado, sindicalista, e fino apreciador das artes e da cultura, Plínio fará falta ao movimento sindical

por jawsdigital. 18 mar 2021 . 10:14

Plínio Gustavo Adri Sarti nasceu no dia dois de dezembro de 1945, na cidade de Santa Bárbara d’Oeste. Descendente de italianos e libaneses, viveu sua juventude em uma época de grande efervescência cultural, organizando teatros e atividades musicais politizados, inspirados no Centro de Cultura Popular da UNE.

Em depoimento ao Centro de Memória Sindical, em 2015, ele disse: “nós apresentávamos nas praças, nas festas, nos lugares. Fazia o maior sucesso. E isso não só criava uma atividade política, no grupo, como propagava, divulgava e conscientizava a juventude na época”. Em Sertãozinho, onde passou a juventude, criou um núcleo da AP (Ação Popular), antes de se filiar ao MDB, partido de oposição à ditadura.

Filho único, formou-se em direito, em Ribeirão Preto, na UNAE, em uma época de início das organizações para combater a Ditadura, como o Movimento contra a carestia e o Movimento pela Anistia. Naquele contexto ele presenciou o surgimento de novas lideranças operárias e, como advogado, começou a se interessar pelas questões trabalhistas. Através desse engajamento e de sua capacidade política e intelectual, foi eleito vereador pelo antigo MDB, partido de oposição à ditadura.

Organizou, com Almino Afonso, que foi Ministro do Trabalho do governo de João Goulart, um grupo de trabalhadores para os quais prestava serviços de advocacia. Junto com nomes como Almir Pazzianoto e Almino Afonso, Plínio foi um grande incentivador da organização sindical, tendo grande atividade no Movimento pelas Diretas-Já.

Após a reabertura política dedicou-se à vida sindical e às relações internacionais, sobretudo às relações Brasil/Itália. Foi Secretário de Relações do Trabalho no governo Fleury quando fez um acordo de cooperação entre a Secretaria do Trabalho e Emprego e a CILS, Central Sindical Italiana. Também presidiu a entidade ítalo-brasileira União dos Italianos, ligada a Central Sindical italiana, UIL Unione Italiana del’Lavoro. Foi secretário geral e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical. Segundo ele próprio, durante boa parte de sua vida como advogado trabalhista e sindical, finalmente tornou-se um sindicalista.

Solteiro e sem filhos, Plínio era grande apreciador das artes, como ópera e cinema. Em seu depoimento ele disse “Sabe quando eu notei que eu era brasileiro? Quando eu defini que isso era diferente? Quando eu assisti ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’”, referindo-se ao filme do cineasta baiano Glauber Rocha.

Era também um grande entusiasta do trabalho de resgate da memória sindical. “As coisas que são feitas e registradas, elas vão compondo toda a nossa evolução, a nossa história. Principalmente a história dos excluídos, a história dos operários, a história dos que não estão, apesar de alguns pensam que estão, que não estão no poder. O establishment não se interessa pela nossa história porque nós viemos para atazana-los, para tirar o sossego deles, e esse que é o pensamento do preconceito. Então, isso tem que continuar, tem que ampliar, tem que ter cada vez mais presença e reconhecimento pelos sindicatos e as Centrais Sindicais”, afirmou.

Plínio foi mais uma vítima do Covid-19, falecendo um dia após o Brasil alcançar a triste marca de 3149 vidas ceifadas em um só dia pelo vírus, em 18 de março de 2021, aos 75 anos. Mortes, muitas delas, decorrentes da má administração e do descontrole da pandemia no país.

Para o presidente do Centro de Memória Sindical, Milton Cavalo, mais do que um companheiro de lutas Plínio era um amigo e um exemplo. Segundo ele sua morte abrirá uma lacuna no movimento sindical.

Leia aqui o depoimento completo ao Centro de Memória Sindical, gravado pela historiadora Maíra Estrella.

Comentários

  • João Luis Sarti says:

    Plínio Gustavo Adri Sarti, passou pela vida com o firme propósito de defesa e atuação no movimento sindical e direitos trabalhistas. Muito ainda teria a contribuir. Deixa uma lacuna nos meios em que atuava e um doloroso vazio no coração da família. Primo Plínio se foi cedo demais.

  • Maria Angelica Canesin Braz says:

    Persona com coração muito grande.Homem Culto, migo e companheiro de todos.Ficarao só as boas lembranças

  • Eliana says:

    Quantas perdas importantes, meu Deus!



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