The Commitments – Loucos pela Fama

por Memória Sindical. 29 nov 2013 . 11:21

thecommitments

The Commitments – Loucos pela Fama (The Commitments)
Alan Parker
EUA e Reino, 1991
Com Robert Arkins, Colm Meaney, Andrew Strong, Maria Doyle

O jovem Jimmy Rabbitte quer levar a soul music para Dublin. Para isso ele forma uma banda de negros irlandeses. Só que esses negros são brancos, loiros e de olhos claros. Para ele ser negro é um estilo de vida, uma cultura e uma história. Não a cor da pele.


Por Carolina Maria Ruy

A soul band formada por Rabbitte, The Commitments, sintetiza a identidade operária da periferia dublinense. E a fotografia do filme, que capta a estética underground dos guetos da cidade, confirma a força desta matéria prima para a produção cultural.

O filme mostra que a pobreza financeira, promovida pelo capitalismo, é universal. A forma como se organizam os trabalhadores das classes mais baixas, com suas grandes famílias, é similar em Dublin, em Chicago, em São Paulo. O operariado está além dos costumes que definem e diferenciam as elites no âmbito histórico e geográfico. Ele é em si, mesmo sem buscar por isso, uma cultura própria. Uma cultura tão concreta quanto as leis da natureza. Em qualquer lugar as necessidades urgentes demandam duas qualidades fundamentais: improviso e criatividade.

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Por isso as expressões artísticas e culturais populares, neste caso, o blues, o jazz e o soul, são ao mesmo tempo específicas e universais. E, por isso uma verdadeira banda de soul, formada no bojo da cultura de um povo sofrido, faz sentido para o público. Daí o sucesso repentino dos Commitments no filme.

Jimmy defende seu sonho em montar uma banda de música negra afirmando uma sentença que define o filme: “os irlandeses são os negros da Europa e os dublinenses são os negros mais negros da Irlanda”.

Mas é justamente nesta tentativa de definição que a obra escorrega. A combinação das imagens, das músicas e dos hábitos já passa a mensagem de Jimmy. E o faz de forma elegante e inteligente. O excesso de discurso do protagonista torna o filme didático e infantilizado. Ela não precisava explicar o que soul já deixa claro!


Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do Centro de Memória Sindical

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