Blade Runner, O Caçador de Andróides

por Memória Sindical. 02 maio 2012 . 12:53

Relacionando temas como tecnologia, capital, civilização, contradições sociais, ecossistema, identidade, memória, trabalho e tempo, Blade Runner faz uma reflete sobre a condição humana no mundo moderno.

FONTE: Carolina Maria Ruy

blade

Blade Runner, O Caçador de Andróides
EUA, 1982
Ridley Scott
Com Harrison Ford, Rutger Oelsen Hauer, Sean Young, Daryl Hannah

Há quase trinta anos atrás o cineasta Ridley Scott imaginou que no ano de 2019 a Terra seria um lugar hostil. Com sua natureza corrompida pela ação humana, nosso planeta seria abandonado pelas classes dominantes, que migrariam para uma nova vida interplanetária. O futuro, neste caso, teria viagens para outros planetas.
Novo Eldorado, as colônias espaciais seriam mantidas pela força de trabalho de seres criados a partir da amplamente disseminada engenharia genética (outra aposta futurista).
Los Angeles de 2019 nada mais seria do que um beco poluído. Uma paisagem marcada pela lataria velha de equipamentos obsoletos, encoberta pela chuva ácida. O mundo do trabalho de Blade Runner, dominado pela mais precária “informalidade”, se resumiria a um imenso bazar de serviços, parafernália e entretenimento barato.
Neste cenário triste, a vida natural seria um bem raríssimo. E as pessoas excluídas das leis sociais conviveriam com andróides de diversos tipos, criados em laboratórios ou em qualquer oficina sumaria.
Nas terras douradas os privilegiados contratariam como sua força de trabalho os sofisticados humanóides Nexus 6. Supra-sumo dos andróides o Nexus 6 seriam muito próximos do ser humano. Mas teriam as qualidades reforçadas, beleza, força, agilidade etc, e um dispositivo de segurança: uma vida útil de apenas quatro anos. O que não era previsto era que estas criaturas destinadas apenas à executar trabalho, tomassem consciência e se rebelassem, tornando-se seres hostis à ordem social.
Força de trabalho constituída artificialmente, consciência e rebelião figuram, desta forma, em Blade Runner, como uma alegoria das contradições do capitalismo. No vasto terreno das contradições que embalam o filme, andróides são mais capazes de mostrar mais humanidade que os humanos.
Ao fim o líder rebelde esbanja sabedoria e amor à vida ao salvar próprio seu caçador: “Eu vi coisas que vocês nunca acreditariam. Naves de ataques em chamas perto da borda de Orion. Vi a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva”.
Talvez o futuro de Ridley Scott seja mais sombrio que a realidade. Mas os extremos ressaltam mazelas de um sistema disfuncional e desumano que se arrasta para além de seu tempo.

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