15 ago 2022 . 02:10
Teotônio Brandão Vilela, Viçosa (AL), 28/05/1917 – Maceió (AL), 27/11/1983. Político

Teotônio Vilela, político brasileiro
Teotônio Brandão Vilela foi um dos mais importantes personagens da vida política brasileira no processo de redemocratização do país. Conhecido nacionalmente como o “Menestrel das Alagoas”, destacou-se por sua atuação em defesa das liberdades democráticas, da anistia política e do fim do regime militar. Empresário, agropecuarista e político, construiu uma trajetória marcada pela transformação de um tradicional líder conservador nordestino em símbolo da luta democrática no Brasil.
Teotônio Vilela nasceu em 28 de maio de 1917, na cidade de Viçosa, em Alagoas. Filho de Elias Brandão Vilela e Isabel Brandão Vilela, realizou os estudos primários em sua cidade natal e cursou o ensino secundário no Ginásio de Maceió e no Colégio Nóbrega, em Recife. Ingressou nos cursos de Engenharia, em Recife, e Direito, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, mas não concluiu a formação universitária, tornando-se autodidata.
Em 1937, abandonou os estudos e retornou a Alagoas para trabalhar com o pai nas atividades rurais. Tornou-se agropecuarista e posteriormente usineiro, participando da fundação das Usinas Reunidas Seresta, no município que mais tarde receberia seu nome: Teotônio Vilela, localizado a cerca de 100 quilômetros de Maceió.
Casou-se com Helena Quintela Brandão Vilela, com quem teve sete filhos. Entre eles, Teotônio Vilela Filho, que mais tarde seria senador da República e governador de Alagoas.
Sua trajetória política começou na União Democrática Nacional (UDN), partido ao qual se filiou em 1948 e do qual foi um dos fundadores em Alagoas. Em 1954, foi eleito deputado estadual, exercendo mandato até 1958. Nesse período, ganhou notoriedade ao atuar como relator da comissão que analisou o pedido de impeachment do então governador Muniz Falcão, em uma das crises políticas mais marcantes da história alagoana.
Em 1960, foi eleito vice-governador de Alagoas na chapa do general Luiz de Souza Cavalcante, assumindo o cargo entre 1961 e 1966. Após o golpe militar de 1964 e a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), legenda de sustentação do regime militar.
Em 1966, foi eleito senador da República e, em 1974, conquistou a reeleição, sendo um dos poucos candidatos arenistas vitoriosos naquele pleito. No Senado, integrou diversas comissões importantes, entre elas as de Economia, Agricultura, Indústria e Comércio e Assuntos Regionais.
Apesar de integrar o partido governista, Teotônio Vilela passou a defender abertamente a abertura política e a redemocratização do país. Após conversas com o presidente Ernesto Geisel, assumiu postura crítica ao regime e ficou conhecido como “o oposicionista da ARENA”. Tornou-se um dos principais articuladores do processo de distensão política, defendendo eleições livres, anistia ampla e o retorno do Estado democrático de direito.
Em 1978, apresentou no Senado o chamado “Projeto Brasil”, conjunto de propostas voltadas à liberalização política e ao fortalecimento das instituições democráticas. No ano seguinte, aderiu à Frente Nacional pela Redemocratização e, em 25 de abril de 1979, filiou-se ao MDB, partido de oposição ao regime militar.
Sua atuação no MDB consolidou sua imagem como um dos maiores defensores da democracia brasileira. Foi um dos principais batalhadores pela anistia política e presidiu a comissão mista responsável pela análise do projeto enviado pelo governo ao Congresso Nacional.
Ao longo dos anos finais da ditadura, Teotônio percorreu o país participando de debates, encontros e manifestações em defesa da liberdade política. Seus discursos emocionados e seu estilo conciliador fizeram dele uma das figuras mais respeitadas da política nacional.
Em setembro de 1979, ao receber o título de Cidadão Paulistano, definiu sua luta democrática ao afirmar:
“Cidadão de Viçosa de Alagoas, dos arredores da Serra dos Dois Irmãos, um dos últimos redutos da Guerra dos Palmares, vivo contemplando a imagem do Zumbi, sinto-lhe o rumo dos sonhos e o calor do sangue libertário.”
Mesmo enfrentando um câncer, continuou ativo politicamente até o fim da vida. Em novembro de 1982, despediu-se do Senado afirmando que continuaria sua caminhada política “cantando aqui, cantando ali, cantando acolá, as suas pequeninas toadas políticas”.
Teotônio Vilela morreu em 27 de novembro de 1983, em Maceió, vítima de câncer generalizado. Sua morte ocorreu pouco antes da explosão do movimento Diretas Já, do qual se tornou símbolo inspirador.
Sua trajetória foi homenageada em diversas iniciativas. Em 1983, foi criado o Centro de Estudos Políticos e Sociais Teotônio Vilela. Em 1986, recebeu postumamente o título de Grande Oficial da Ordem do Congresso Nacional. Em 1995, o PSDB criou o Instituto Teotônio Vilela, dedicado à formação política e estudos democráticos.
Também em sua homenagem, os compositores Milton Nascimento e Fernando Brant lançaram a canção “Menestrel das Alagoas”, interpretada por Fafá de Belém, que se transformou em um dos hinos das Diretas Já.
Em 2005, foi inaugurado em Maceió o Memorial Teotônio Vilela, projetado por Oscar Niemeyer, eternizando a memória de um dos maiores defensores da democracia e da liberdade política no Brasil.
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